Na prática, o partido poderá apoiar candidatos diferentes à Presidência em cada estado, além de formar alianças distintas para as disputas aos governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas.
O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, afirmou que a medida busca fortalecer a unidade interna da sigla e ampliar o desempenho eleitoral.
“A liberação nacional acaba unindo e pacificando, deixando o partido mais forte para que nos estados tenha um resultado bastante positivo”, declarou.
A decisão marca uma mudança em relação à eleição de 2022, quando o MDB lançou a então senadora Simone Tebet como candidata ao Palácio do Planalto. No segundo turno, entretanto, o partido já havia liberado os diretórios estaduais. Tebet apoiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto outras lideranças emedebistas declararam apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Estratégia mira Congresso e governos estaduais
Ao abrir mão de uma candidatura presidencial, o MDB amplia sua margem de negociação nos estados e evita disputas internas entre grupos que mantêm alianças políticas diferentes em cada região do país.
A direção nacional aposta que a estratégia permitirá ao partido ampliar sua presença no Congresso Nacional. Atualmente, o MDB conta com 38 deputados federais, nove senadores e três governadores.
A legenda também chega fortalecida após as eleições municipais de 2024, quando elegeu 864 prefeitos, tornando-se uma das siglas com maior presença nas administrações municipais. Segundo o partido, o MDB reúne cerca de 2,08 milhões de filiados, o maior número entre as legendas brasileiras.
Alianças variam conforme o estado
A autonomia concedida aos diretórios já se reflete nas articulações para 2026.
No Pará, o MDB disputará a reeleição da governadora Hana Ghassan em aliança com o PT, que indicou o deputado estadual Dirceu Ten Caten para a vaga de vice-governador.
Em São Paulo, o partido permanecerá ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), com o vice-governador Felício Ramuth (MDB) mantido na chapa.
Ao dispensar uma candidatura própria ao Planalto, o MDB reforça sua estratégia histórica de priorizar acordos regionais e ampliar seu poder de negociação nos estados, mantendo espaço tanto em alianças com partidos governistas quanto com legendas da oposição.