Manaus, 24 de outubro de 2026
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Manaus, 24 de outubro de 2026

Política

Meio ambiente e juros marcam propostas de Lula e Flávio após debate

Senador prometeu zerar desmatamento ilegal até 2029, enquanto o atual presidente defendeu queda dos juros e descartou rever autonomia do BC como prioridade.

Lula e Flávio Bolsonaro. (Foto-montagem: Ricardo Stuckert/PR-Lula Marques/Agência Brasil)

Manaus (AM) – O último debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite desta sexta-feira (23), na TV Globo, foi marcado por propostas para a economia e o meio ambiente, além de ataques pessoais. Após o confronto, Flávio prometeu zerar o desmatamento ilegal até 2029 e criticou órgãos ambientais, enquanto Lula defendeu a redução dos juros e afirmou que reverter a autonomia do Banco Central não está entre suas prioridades.

Na disputa pelo segundo turno da Presidência da República, os candidatos também falaram sobre custo de vida, combustíveis e crescimento econômico. As declarações foram dadas após o debate, que ocorreu nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e foi o último confronto televisivo entre os dois antes da votação de domingo (25).

Flávio promete zerar desmatamento ilegal até 2029

O candidato do PL afirmou que pretende acabar com o desmatamento ilegal até 2029, mas não garantiu a continuidade das políticas ambientais adotadas pelo atual governo. Ao ser questionado pela jornalista Renata Lo Prete sobre a fiscalização na Amazônia, Flávio defendeu o emprego das Forças Armadas no combate a crimes ambientais.

“Essa questão, às vezes, é muito mais até criminal do que ambiental, e as Forças Armadas vão trabalhar no combate aos crimes na Amazônia”, declarou.

O senador também prometeu reequipar a Aeronáutica com tecnologia para ampliar a fiscalização aérea da região e afirmou que as polícias seriam acionadas para prender os responsáveis pelo desmatamento ilegal.

Flávio ainda criticou a atuação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo ele, os órgãos não estariam sendo efetivos e precisariam passar por mudanças.

“São órgãos que, hoje, têm muitas travas que são ideológicas e eles vão ser órgãos que vão respeitar a lei”, afirmou.

O candidato também acusou o Ibama de prejudicar proprietários de terras no Pará, citando a região de Altamira e municípios cortados pela rodovia Transamazônica. As declarações foram feitas ao defender alterações na atuação dos órgãos ambientais.

Apesar da meta anunciada para 2029, Flávio não detalhou, na entrevista, como pretende conciliar as mudanças propostas com a manutenção das ações de fiscalização e proteção ambiental.

Lula cobra redução dos juros e mantém confiança no Banco Central

Após o debate, Lula afirmou que reverter a autonomia do Banco Central não está entre as principais prioridades de um eventual novo mandato. O presidente defendeu a redução dos juros e declarou confiar no atual presidente da instituição, Gabriel Galípolo.

“Eu quero que o Banco Central baixe os juros. Eu já fui presidente com Meirelles por oito anos. Não tinha independência, não troquei o Meirelles”, disse.

O petista elogiou Galípolo e afirmou acreditar que a política monetária poderá avançar para um patamar que favoreça o crescimento econômico brasileiro.

“É um bom presidente do Banco Central, é muito inteligente e eu tenho certeza de que ele vai normalizar as coisas”, declarou.

Lula também relacionou a pressão sobre o custo de vida aos conflitos internacionais e afirmou que o governo tem adotado medidas para conter os efeitos externos sobre os preços dos combustíveis.

“Aqui no Brasil, nós estamos pagando um preço muito alto, que é subsidiar o óleo diesel e a gasolina para não deixar que o preço da guerra chegue no prato das pessoas”, afirmou.

O candidato à reeleição acrescentou que espera uma redução dos juros nos próximos anos para estimular a atividade econômica.

“Eu acho que logo, logo a gente vai ter a taxa de juros ideal para que o Brasil volte a crescer”, disse.

Debate teve ataques pessoais e confronto de propostas

Além das questões ambientais e econômicas, Lula e Flávio discutiram salário mínimo, aposentadorias, endividamento da população, investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), saneamento básico, infraestrutura e exportações.

O confronto também foi marcado por ataques pessoais. Flávio chamou Lula de “nove dedos” e questionou se quem governava o país era o presidente ou o Google. Lula, por sua vez, chamou o adversário de “miliciano” e criticou sua postura diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Na entrevista após o programa, o presidente acusou o senador de mentir durante o debate e questionou sua atuação política.

“Eu já participei de muitos debates, eu já vi muita gente contar mentira. Agora, esse cidadão é inigualável, porque ele mente descaradamente”, declarou Lula.

O petista também afirmou que o adversário não teria apresentado contribuições relevantes ao país. “Não tem um projeto de lei, não tem nada que ele fez de bom nesse país”, disse.

O debate desta sexta-feira foi o último confronto televisivo entre os candidatos antes do segundo turno, marcado para domingo (25). Flávio Bolsonaro disputa pela primeira vez a Presidência da República, enquanto Lula tenta conquistar um novo mandato.

 

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