Manaus, 27 de agosto de 2026
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Cenário

Milhões em emendas para a saúde contrastam com atrasos a médicos no AM

Enquanto deputados destinam recursos a municípios, profissionais e empresas relatam pagamentos atrasados e órgãos de controle cobram respostas do governo Roberto Cidade.

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Paralelamente à circulação desses recursos, profissionais da saúde continuam cobrando pagamentos atrasados (Foto: Divulgação/Agência Amazonas)

Manaus (AM) — A saúde do Amazonas vive um contraste em pleno ano eleitoral: milhões de reais em emendas parlamentares foram destinados para ações de saúde, enquanto médicos e empresas que prestam serviços à rede pública relatam atrasos nos pagamentos durante a gestão do governador Roberto Cidade, que disputa a reeleição.

Levantamento do Portal AM1, via consulta pública o Portal da Transparência do Governo do Amazonas, mostra que cinco deputados concentram quase R$ 42 milhões em pagamentos de emendas para a saúde em 2026. Entre eles está o atual governador Roberto Cidade, que aparece com R$ 8 milhões pagos enquanto ainda exercia mandato na Assembleia Legislativa.

Os recursos foram destinados a diferentes municípios. Roberto Cidade, por exemplo, aparece com R$ 3 milhões para Autazes e outros R$ 3 milhões para Manicoré. George Lins destinou R$ 3 milhões para Tefé, enquanto outros parlamentares também direcionaram milhões para municípios do interior.

O problema é que, paralelamente à circulação desses recursos, profissionais da saúde continuam cobrando pagamentos atrasados.

O Ministério Público do Amazonas reuniu órgãos de controle em agosto para discutir justamente a gestão administrativa e financeira da saúde estadual. A reunião foi motivada por denúncias de atraso no pagamento de médicos do Hospital Delphina Aziz e acabou ampliada para investigar dificuldades envolvendo empresas terceirizadas responsáveis por serviços essenciais.

O próprio CRM-AM confirmou que acompanha os possíveis efeitos dos atrasos sobre as escalas, a manutenção das equipes e a continuidade do atendimento. O Conselho alertou que uma instabilidade financeira pode atingir diretamente os pacientes da rede pública.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas, Mario Vianna, também classificou o momento como um dos piores enfrentados pela categoria e citou honorários aviltados e atrasados entre os problemas da saúde estadual. Clique aqui e leia a matéria completa.

O contraste coloca uma pergunta inevitável no debate eleitoral: se há milhões sendo pagos em emendas para a saúde, por que profissionais responsáveis pelo atendimento continuam cobrando pagamentos atrasados?

Os dados, por si só, não indicam irregularidade nas emendas nem estabelecem relação direta entre os recursos parlamentares e os atrasos. Mas revelam dois fatos que merecem explicação: de um lado, milhões circulando para ações de saúde; de outro, médicos e prestadores cobrando o que dizem ter direito a receber.

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