(Foto: Divulgação/Moradores da Agrovila)
Manaus (AM) – Moradores da comunidade Agrovila, localizada no município de Tefé, interior do Amazonas, denunciam o completo abandono da estrada que dá acesso à região. A situação, que já dura meses, afeta diretamente a vida de dezenas de famílias, comprometendo o transporte escolar, o escoamento da produção agrícola e até o acesso à cidade para a compra de alimentos e medicamentos.
A reportagem do Portal AM1 conversou com moradoras da comunidade que relataram, em detalhes, os desafios enfrentados diariamente. Uma das entrevistadas, Lazita Martins, afirma que o transporte agrícola, principal meio de deslocamento até a sede do município, deixou de circular há cerca de três meses, obrigando os moradores a caminharem até a comunidade vizinha, Maranata, distante dois a três quilômetros, para conseguir acesso a algum veículo.
“A gente leva nossa produção no carrinho, pagando transporte particular quando dá. Só que, muitas vezes, a gente nem tem dinheiro. Pagamos R$ 80, R$ 100 ou até R$ 150 para levar nossa farinha, banana, macaxeira, e o que conseguimos vender é por preço baixo. Quando chove, é pior. Ontem mesmo caí dentro de um buraco voltando da cidade”, conta Lazita.
Ela também denuncia que crianças e adolescentes precisam acordar às 4h da manhã para caminhar pela estrada esburacada e escura até Maranata, na tentativa de conseguir embarcar no transporte escolar. No entanto, segundo a moradora, o ônibus nem sempre espera os alunos da Agrovila, o que agrava ainda mais o problema da evasão escolar.
“Já procuramos o prefeito, mas ele só dá desculpa que não pode fazer nada por causa da chuva. Só que quando o verão chegou, ele também não fez. Isso é desculpa. Já teve tempo seco em janeiro e fevereiro e nada foi feito. Estamos esquecidos, abandonados”, afirma.
Outra moradora, agricultora que preferiu não se identificar, relata que a situação já se arrasta por mais de quatro meses e atinge não só os agricultores e estudantes, mas também professores da rede pública, que têm dificuldade para chegar à comunidade e dar aula.
“Professor tem que empurrar carrinho na lama, atravessar o balneário do Tangueira a pé. Tem lugar que nem carro particular passa mais. É calamidade. Estamos há meses vivendo isso, e nenhuma autoridade vem aqui olhar pela gente.”

Fotos enviadas pelos moradores mostram trechos da estrada completamente intransitáveis, com buracos, lama e áreas alagadas. Segundo eles, até o ônibus do transporte do agricultor foi impedido de passar por risco de cair em um igarapé, após determinação da própria Prefeitura.
A comunidade cobra que a Prefeitura de Tefé tomem providências urgentes para recuperar a estrada e garantir direito básico de acesso, previsto em lei.
“O prefeito prometeu e não cumpriu. A gente pede que olhem pela gente, que façam alguma coisa. Não é só promessa. Queremos ação”, desabafa a moradora.
Outra moradora do local, Etiane Martins, criticou a priorização de obras pela prefeitura, que estaria focando apenas nas ruas da cidade, e segundo ela, as comunidades rurais continuam esquecidas.
“Tem rua asfaltada na cidade com um ou dois buracos e eles estão lá cobrindo. Mas a estrada que a gente precisa usar para ir pra roça, pra igreja, pro trabalho, está abandonada. A gente paga 10 reais num carrinho pra levar só uma botija de gás. Tudo é pago, tudo é difícil. Eles só lembram da gente na época da política.”, concluiu.
Os relatos reforçam o sentimento de abandono da população rural de Tefé, que cobra da Prefeitura medidas urgentes.
O Portal AM1 procurou a Prefeitura de Tefé para obter um posicionamento oficial sobre a situação da estrada na Agrovila e aguarda resposta.
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