Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Morte de adolescente por homofobia é ‘ignorada’ por maioria dos vereadores do PL nas redes sociais

Apenas um vereador do partido se manifestou publicamente sobre o caso nas redes sociais.

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(Foto: Divulgação/Assessoria & Jerônimo Garlott/Assessoria)

Manaus (AM) – A maioria dos vereadores eleitos pelo Partido Liberal (PL) na Câmara Municipal de Manaus (CMM) não se manifestou, até o momento, por meio de publicações em suas redes sociais, sobre o caso de Fernando Vilaça, adolescente de 17 anos brutalmente espancado por um grupo de jovens na Rua Nova, bairro Grande Vitória, Zona Leste da capital amazonense. De acordo com testemunhas, a violência começou após o jovem questionar um comentário homofóbico feito por um dos agressores.

Apesar da repercussão nacional do caso, apenas o vereador Coronel Rosses (PL) se pronunciou em suas redes sociais na segunda-feira (7). Em meio à comoção provocada pelas imagens e relatos sobre o espancamento, ele foi o único parlamentar do PL na CMM a publicar uma mensagem de pesar. Com 38,8 mil seguidores, sua publicação alcançou 10 mil visualizações. “Fernando tinha apenas 17 anos e teve a vida covardemente interrompida por não se calar diante do ódio disfarçado de ‘brincadeira'”, escreveu Rosses.

“Ele foi brutalmente assassinado por ser alvo de ataques homofóbicos, cometidos de forma cruel e preconceituosa por esse grupo. Em um ato de coragem, ele se levantou e disse ‘chega’. Não suportava mais o preconceito constante que vinha sofrendo”, afirmou o vereador em vídeo publicado na mesma data.

Mesmo integrando o mesmo partido de Rosses, os vereadores Sargento Salazar, Capitão Carpê de Andrade e Raiff Matos não se manifestaram de forma permanente em suas redes sociais até o fechamento desta matéria. A apuração foi feita com base em postagens públicas nos perfis de Instagram e Facebook dos parlamentares.

Raiff Matos, por exemplo, que declara em sua biografia nas redes sociais que “a família, criação de Deus, é a base da sociedade”, permaneceu em silêncio, até o momento, sobre a morte de Fernando Vilaça. Com 17 mil seguidores, sua publicação mais recente aborda críticas ao uso de pelúcias por influenciadores. Segundo o vereador, o criador do boneco “Labubu” teria sido influenciado por mitologias pagãs.

O vereador Capitão Carpê de Andrade, também não abordou o caso em seu perfil nas redes sociais. Mesmo com ampla cobertura da imprensa nacional nesta segunda-feira (7), Carpê preferiu direcionar suas postagens ao requerimento relacionado à infraestrutura e a um episódio em que uma mulher deu à luz e jogou o bebê pela janela em Manaus. Também publicou a respeito de um comentário que recebeu em um dos seus stories. Nenhuma menção, até então, foi feita sobre Fernando Vilaça, agredido por motivação homofóbica.

Em sua publicação mais recente, Carpê compartilhou um “meme” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a primeira-dama Janja da Silva e a deputada federal Erika Hilton. Na sessão dos comentários, a ausência de manifestação sobre o caso foi questionada por um internauta. “Mas, infelizmente, parece que o senhor só aparece para criticar o prefeito, o Lula ou assuntos que massageiam o próprio ego”, escreveu o usuário.

O vereador respondeu ao comentário e afirmou que condena “veementemente o fato ocorrido” e defendeu a criação de leis mais severas para esse tipo de crime. Ele também alegou que, por vezes, não consegue comentar todos os acontecimentos.

“Meu amigo, foi lamentável o que aconteceu com aquele jovem. Condeno veementemente o fato ocorrido e penso que deveríamos ter leis mais severas para esse tipo de crime. Acredito que a humanidade ainda precise evoluir muito. É inadmissível que pessoas, no mundo de hoje, ainda morram simplesmente por suas orientações sexuais. Vez ou outra, posso não conseguir me pronunciar sobre certos fatos — não porque não me importe, mas porque, infelizmente, às vezes não conseguimos falar sobre tudo”, afirmou Carpê.

(Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Já o vereador Sargento Salazar, conhecido por sua atuação em pautas de segurança pública e por seu expressivo número de seguidores de 951 mil, o maior entre os parlamentares do pleito, ainda não utilizou suas redes sociais para se manifestar sobre o caso até a publicação desta reportagem.

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