(Foto: Arthur Castro e Diego Peres/Secom)
Manaus (AM) – O Ministério Público do Amazonas (MPAM) emitiu uma recomendação contundente a todos os delegados do estado, apontando falhas graves e generalizadas nas prisões em flagrante e exigindo a padronização dos procedimentos policiais.
A medida, assinada pelo promotor Armando Gurgel Maia, é um retrato explícito do colapso técnico e institucional da Polícia Civil do Amazonas — reflexo direto da falta de investimento, gestão e controle por parte do governo Wilson Lima.
O documento expõe que, em pleno 2025, as prisões em flagrante no Amazonas ainda são feitas com base em “achismos” e termos genéricos como “atitude suspeita” ou “nervosismo”.
Segundo o MP, essas práticas têm resultado em nulidades processuais e soltura de criminosos, prejudicando a própria persecução penal.
A crítica, embora dirigida aos delegados, atinge em cheio a gestão estadual — que há seis anos promete modernizar a segurança pública e nada entrega de concreto.
A recomendação exige motivação concreta nas abordagens, fidelidade nos depoimentos e respeito às garantias constitucionais do preso — obrigações básicas que, em um Estado minimamente estruturado, já deveriam estar incorporadas à rotina policial.
Polícia sem estrutura e governo sem prioridade
O MPAM também determinou que todos os delegados passem a registrar provas digitais de forma técnica, com geração de códigos “hash” para assegurar autenticidade — algo que a Polícia Civil do Amazonas sequer tem estrutura para fazer em muitas delegacias do interior.
É o retrato do improviso institucional: agentes sobrecarregados, equipamentos precários e uma gestão estadual mais preocupada com marketing do que com treinamento, tecnologia e valorização profissional.
Enquanto o governador Wilson Lima inaugura obras de fachada e tenta se reposicionar politicamente para disputar o Senado, o sistema de segurança pública do Amazonas agoniza entre a falta de padronização, a ausência de transparência e o risco constante de ilegalidades em flagrantes que, na prática, beneficiam o crime.
A recomendação do MPAM, além de necessária, é sintomática: o Ministério Público assumiu o papel que caberia ao próprio governo — fiscalizar, orientar e garantir que a polícia atue dentro da lei.
O texto dá dez dias para a Delegacia-Geral e a Corregedoria da Polícia Civil comprovarem que informaram todos os delegados sobre as novas exigências.
Mais que um ato jurídico, a iniciativa é um grito institucional de alerta: o Estado do Amazonas, sob a gestão de Wilson Lima, não tem comando técnico nem visão estratégica sobre segurança pública.
As falhas que o MP agora tenta corrigir com papel e prazos são resultado direto de anos de descaso, cortes orçamentários e uso político das forças de segurança.
A recomendação ministerial escancara que o problema não é apenas policial, é político. A desorganização da Polícia Civil é consequência da omissão de um governo que sucateou o aparato investigativo e transferiu ao MP a função de impor o óbvio: o cumprimento da lei.
Enquanto Wilson Lima busca votos e alianças, o Ministério Público tenta, sozinho, evitar que o Estado que ele governa continue prendendo mal, investigando pior.
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