Manaus, 6 de julho de 2026
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Cidades

Mudança climática pode aumentar frequência e intensidade de tornados

Márcio Astrini, do Observatório do Clima, cobra ação imediata das autoridades reunidas na COP-30 após o tornado que devastou 90% de Rio Bonito do Iguaçu e feriu mais de 700 pessoas.

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(Foto: Ari Dias/ AEN)

Manaus (AM) – O tornado que destruiu 90% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu (PR) e deixou ao menos 750 feridos deve servir como um alerta de “desespero e urgência” para os líderes reunidos na Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP-30), afirmou o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini. A conferência tem início oficial na segunda-feira (10), com a participação de chefes de Estado e delegações de todo o mundo.

Segundo Astrini, a tragédia no Paraná “é mais uma repetição do que vem acontecendo não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro”. O ambientalista citou eventos extremos recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul, os deslizamentos em Petrópolis (RJ) e São Sebastião (SP) e as secas severas no norte de Minas e sul da Bahia.

“Os últimos dez anos foram os mais quentes da história. Tudo isso deveria entrar para dentro da Conferência do Clima, mas muitas vezes a reunião fica impermeável ao mundo real”, criticou Astrini.

O secretário espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencione o desastre no Paraná durante o discurso de abertura da COP-30 e que o episódio sirva para “sensibilizar os países sobre o mundo real, que está agonizando”.

“O Brasil é um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas. Nossa agricultura e geração de energia dependem da estabilidade do clima. Esperamos que o presidente destaque isso e que tenha impacto dentro da conferência”, disse.

A oceanógrafa Renata Nagai, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) com apoio do Instituto Serrapilheira, explica que tornados como o de Rio Bonito do Iguaçu não são causados exclusivamente pelas mudanças climáticas, mas que o desequilíbrio atmosférico pode torná-los mais frequentes e intensos.

“O aumento da temperatura da atmosfera e dos oceanos provoca mais umidade, que funciona como combustível para eventos meteorológicos extremos”, afirmou Nagai.

Ela destaca que tornados são colunas de ar girando em alta velocidade, formadas a partir de nuvens de tempestade, e que, embora de curta duração, têm enorme poder destrutivo quando tocam o solo.

O professor Michel Mahiques, também da USP, reforça que o fenômeno pode se tornar mais comum.

“Tornados ocorrem devido a grandes diferenças de pressão entre massas de ar quente e frio. Com as mudanças climáticas, essas diferenças se intensificam e aumentam a chance de novos eventos extremos”, explicou.

(*) Com informações da Agência Brasil

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