Manaus, 6 de julho de 2026
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Cidades

Mulheres ainda enfrentam preconceito no mercado de trabalho devido a maternidade

A exclusão da mulher no mercado de trabalho ainda acontece devido o estereótipos de que o público feminino deve ser direcionado apenas aos cuidados do lar e a maternidade.

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De acordo com os dados do IBGE, em 2022, apenas 54,6% das mães entre 25 e 49 anos, com filhos de até três anos, estavam empregadas.(Foto:: Freepik)

Manaus (AM) – No Brasil, o preconceito com mães no mercado de trabalho se revela como um cenário típico, apesar de sua crescente participação na força laboral, muitas mulheres ainda enfrentam estigmas que questionam suas capacidades e comprometimento quando se tornam mães, o Portal AM1 ouviu mães que já enfrentaram preconceito devido a maternidade.

De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022, apenas 54,6% das mães entre 25 e 49 anos, com filhos de até três anos, estavam empregadas. Em outra pesquisa, o IBGE apontou que as mulheres são responsáveis por 49,1% dos lares brasileiros, os dados reflete a relação direta entre a maternidade e a presença de mulheres que são mães no mercado de trabalho.

A exclusão da mulher no mercado de trabalho ainda acontece devido o estereótipos de que o público feminino deve ser direcionado apenas aos cuidados do lar e a maternidade toma tempo suficiente da mulher fazendo com que a mesma não se dedique 100% aos trabalhos.

Em alguns casos a descriminação começa logo na seleção para uma vaga de emprego, foi o que viveu a consultora de vendas, Bruna de Almeida.

“Eu fui para uma entrevista de emprego e cumpria todos os requisitos da vaga, tinha confiança de que seria selecionada, mas quando me perguntaram se eu tinha filhos e eu afirmei, vi o rumo da entrevista mudar e naquele momento eu sabia que não iria ficar”, contou.

Bruna não foi aprovada na vaga estimada e conta que a indignação é o sentimento predominante em casos como esse. “Acredito que devem ter optado por um candidato homem ou por alguém que não tinha filhos, mas é revoltando, é como se ser mãe me tornasse menos profissional, o que não é verdade”, analisou.

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O mesmo ocorre com a engenheira civil, Patrícia P. da Silva que enfrentou uma série de questionamento na hora da seleção de emprego.

“Na entrevista, me perguntaram se eu tinha filho, e eu disse que sim, a próxima pergunta foi com quem eu iria deixar a minha filha caso fosse selecionada, chegaram até mesmo a perguntar; ‘caso sua filha fique doente, quem vai levar ela ao médico, ou você vai precisar faltar na empresa?’, sem dúvidas desagradável”, relembrou.

Diferente de Bruna, Patrícia consegui o emprego, mas relatou que os questionamentos geral insegurança.

“Gera insegurança, quem é mãe sabe que isso acaba sendo um ponto negativo na hora da entrevista de emprego, mas se estamos ali é justamente porque temos filhos e precisamos levar o sustento pra eles, principalmente se tratando de mãe solo, que é meu caso”, declarou.

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Cultura contra mães

A luta contra esse preconceito é essencial para a construção de um ambiente de trabalho mais justo e inclusivo.

A gerente de recursos humanos, Dani Borges retratou que ainda há uma cultura contra mães no recrutamento de empresas, e é fundamental que as empresas te reformulem para quebrar a discriminação contra as mães.

“Perguntar se a pessoa tem filhos em entrevista de emprego não é correto. A CLT protege os candidatos contra discriminação de sexo, estado civil, situação familiar entre outros, esse tipo de pergunta é considerado discriminatório”, defendeu.

A especialista em Recursos Humanos chegou a citar que em uma de suas experiências profissionais atuou em uma rede de supermercados de Manaus onde a função de operador de caixa só podia ser ocupada por homens, a justificativa seria de que:  “homens não engravidam”

Avanço nos direitos da mulher

Segundo a as mulheres que sofrerem assédio moral durante o período de gestação e após a licença maternidade devem procurar seus direitos na justiça.

“Ser mãe no Brasil, especialmente em um mercado de trabalho ainda marcado pelo machismo estrutural e pela informalidade, é um ato de coragem, mas é importante lembra que há direitos garantidos a elas. A mãe pode ser demitida somente após o fim do período de estabilidade provisória (cinco meses após o parto). Ou seja, findou esse prazo, a proteção legal cessa e a empregada pode ser desligada, desde que respeitados os direitos trabalhistas. Porém, é aqui que mora o maior gargalo da proteção social: a lacuna entre o fim da licença e o retorno à vida profissional ainda vulnerabiliza mães, especialmente em contextos de discriminação velada, pressões e falta de estrutura para conciliar trabalho e maternidade”, destacou.

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Ainda que existam leis que amparem a mulher no mercado de trabalho, Vanielly Barcelos considera que o Brasil ainda precisa avançar na garantia de direitos as mulheres mães no mercado de trabalho.

“O Brasil precisa urgentemente de um pacote de proteção social à maternidade mais amplo, transversal e moderno.
Garantir a permanência e valorização das mães no mercado de trabalho não é apenas uma política de inclusão, é um pilar de justiça social. A mulher não deve escolher entre a maternidade e a carreira. A legislação brasileira já avançou, mas a implementação precisa sair do papel e enfrentar as desigualdades estruturais que ainda marginalizam milhões de mulheres em idade fértil”, concluiu.

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