Manaus, 7 de julho de 2026
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Esportes

‘Não sou mentiroso, não quero mídia, não sou palhaço’, diz Gerson

Meia do Flamengo, que já prestou depoimento falou à 'FlaTV' sobre o episódio de racismo envolvendo ele e Ramírez

Foto: LANCE!

O volante Gerson participou do quadro “Resenha do Craque”, divulgado nesta quarta-feira (23) pela FlaTV, canal oficial do Flamengo, e comentou o caso de acusação de injúria racial que teria sofrido na partida contra o Bahia, no último domingo (20).

O jogador afirmou que nunca inventaria um episódio grave como esse e lamentou que situações de preconceito ainda sejam comuns na sociedade. O camisa 8 rubro-negro diz que, durante uma discussão no segundo tempo do jogo, Ramírez, do tricolor baiano, disse “cala a boca, negro”.

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“O Vinicius [assessor de imprensa] fica até triste comigo, que sou um dos caras que menos dá entrevista. Não gosto tanto de falar. Não sou mentiroso. Agora, com uma acusação grave dessa, não ia aparecer na televisão para ganhar mídia. Não sou nenhum palhaço. Eu apareço e, depois, iam provar que é mentira… E aí? Minha filha, meu familiares, me veriam como o que? Um mentiroso? Um cara que precisou ganhar mídia? Não quero isso, não preciso disso.

Cheguei até aqui com os pés no chão, não preciso querer aparecer na mídia. Até porque, onde tenho de aparecer é no campo. E todos os jogos do Flamengo passam na televisão, não tenho o porquê querer aparecer dando entrevista”, disse ele, que lembrou, sem citar nomes, de “um deboche” da situação.

“Vocês viram ali que teve um deboche. Não tenho nada a falar para eles também, não. Que Deus abençoe e tudo de bom. Vida que segue.”

No momento da confusão, no decorrer do duelo no Maracanã, Gerson explicou o motivo da irritação ao banco do Bahia e o técnico Mano Menezes afirmou que seria “malandragem” do rubro-negro.

O camisa 8 voltou a ressaltar que nunca tinha vivido um caso de racismo e salientou não querer que as novas gerações passem por coisas deste tipo.

“Eu nunca sofri de alguém chegar e falar alguma coisa para mim. Olhar estranho sempre olham, mas isso eu nem ligo muito, mas quando falam, já é diferente. Como falei, a cor do sangue é a mesma, sente a mesma dor, fica alegre como eu, acho que tem de parar para pensar que todos nós somos seres humanos. Tenho sobrinhos negros, uma filha nega. Passei por isso, mas não quero que eles passem. É uma coisa chata demais. Espero que as pessoas possam pensar mais. Não só em relação ao racismo, mas também em relação a outros preconceitos. É fácil quem está de fora falar, mas só sabe quem sofreu o preconceito.”

Na terça (22), o volante do Flamengo prestou depoimento na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI). O clube também levou imagens e áudios da partida para apresentar à polícia.

(*) Com informações da Folhapress