(Foto: Divulgação/ Alan SantosPR / Rogério Capela/Prefeitura de Campinas)
Manaus (AM) – Dados divulgados pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mostram que, apenas nos sete primeiros meses do ano, foram confirmados 2.318 casos de sarampo, superando os 2.289 registrados em todo o ano de 2025, que já havia sido considerado recorde recente e contabilizou três mortes.
A escalada da doença expõe as consequências de anos de desinformação e da crescente resistência à vacinação. Erradicado nos Estados Unidos em 2000 graças à ampla cobertura vacinal, o sarampo voltou a circular com força à medida que a confiança nas autoridades sanitárias foi sendo corroída e exceções legais à obrigatoriedade da vacina continuaram permitindo brechas para a queda da imunização coletiva.
Para especialistas, trata-se de uma crise que poderia ser evitada. “Estamos testemunhando uma crise evitável, que prejudica as crianças de maneira desproporcional”, afirmou Andrew Racine, presidente da Academia Americana de Pediatria.
Além de provocar febre, sintomas respiratórios e erupções cutâneas, o sarampo pode evoluir para complicações graves, como pneumonia e inflamação cerebral, deixando sequelas permanentes ou levando à morte.
O debate ganhou contornos ainda mais políticos diante das declarações antivacina do secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert Kennedy Jr., apontado por especialistas e críticos como um dos responsáveis por reforçar a desconfiança em relação aos imunizantes em um momento de recrudescimento da doença.
A última vez que o país registrou um número maior de casos foi em 1991, com 9.643 notificações. A partir da adoção do esquema de duas doses da vacina, os registros despencaram, tornando o atual cenário um sinal de retrocesso em uma das maiores conquistas da saúde pública norte-americana.
A preocupação é que o surto ainda esteja longe do fim. Embora a vacinação contra o sarampo seja obrigatória, diversos estados permitem isenções por motivos religiosos ou filosóficos, reduzindo a proteção coletiva.
Uma pesquisa realizada em 2025 pelo The Washington Post em parceria com a ONG KFF mostra que um em cada seis pais americanos adia ou evita vacinar os filhos por receio de efeitos colaterais. O comportamento é mais frequente entre comunidades brancas e conservadoras, acendendo um alerta sobre como a polarização política e a circulação de informações falsas podem comprometer políticas públicas consolidadas e favorecer o retorno de doenças que já haviam sido controladas.
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