(Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado & Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)
Manaus (AM) – O senador Omar Aziz (PSD) e o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) lideram o ranking de rejeição nas intenções de voto para governador do Amazonas, segundo pesquisa divulgada na última segunda-feira (15) pelo Instituto Real Time Big Data.
Na análise, quatro cenários foram testados. Foram ouvidas 1.200 pessoas, entre os dias 11 e 12 de dezembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com índice de confiança de 95%.
No primeiro dos cenários, Omar Aziz aparece com 42% das intenções de voto. Pré-candidata ao governo, a empresária Maria do Carmo Seffair (PL) vem em segundo, com 25%. Já o atual vice-governador Tadeu de Souza (Avante) registra 11%.
Quando considerado o nome de Alberto Neto, conforme a pesquisa, a eleição do senador Omar Aziz fica mais arriscada. Nesse cenário, Omar Aziz alcança 38% e Alberto Neto chega a 35%, configurando empate técnico. Tadeu de Souza soma 10%.
No terceiro panorama, Aziz segue à frente, com 37%, enquanto o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), tem 26% e Maria do Carmo Seffair aparece com 21%. No quarto cenário, Omar Aziz chega a 33%, empatado tecnicamente com Capitão Alberto Neto, que registra 32%. David Almeida apresenta 25%.
Chama atenção o fato de os nomes de Alberto Neto (PL) e David Almeida (Avante) serem considerados na pesquisa, já que ambos afirmaram que não devem concorrer à disputa pelo governo nas eleições de 2026. Atualmente, Alberto Neto é pré-candidato ao Senado.
Além dos índices de intenção de voto, outro levantamento da pesquisa que desperta curiosidade é o índice de rejeição dos nomes de Omar Aziz e Alberto Neto. Nesse cenário, Omar Aziz também lidera, com 42% de rejeição. Alberto Neto registra 36%, empatado tecnicamente com a rejeição de David Almeida, a quem costuma fazer críticas. Maria do Carmo possui 25% de rejeição, enquanto Tadeu de Souza é o nome menos rejeitado entre os avaliados, com 18%.
Análises
Para compreender os níveis de rejeição de Omar Aziz e Alberto Neto, o Portal AM1 ouviu sociólogos para analisar o contexto político.
Questionado sobre os motivos que levam Omar Aziz e Alberto Neto a liderarem o ranking de rejeição e se esse desempenho está relacionado à ideologia partidária ou a outros fatores políticos, o sociólogo e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Gilson Gil, analisa o perfil e a trajetória de cada um.
Gilson Gil contextualiza o longo histórico de Omar Aziz no estado do Amazonas e relembra uma série de episódios que ele classifica como “ataques” sofridos pelo senador. Entre eles, cita a Operação Maus Caminhos. “Embora ele não seja citado nos processos, à época seu nome apareceu nas queixas, o que faz com que algumas pessoas o relacionem a esses fatos”, explica o sociólogo.
O professor também menciona a aproximação de Omar Aziz com alinhamentos de esquerda na política brasileira, a participação na base do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no Congresso Nacional, além de sua atuação como presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid.
“Outro elemento é sua identificação com a esquerda e com o presidente Lula, especialmente após a CPI da Covid. Ele saiu desse período fortemente associado a Lula e como opositor de Jair Bolsonaro, o que leva parte do eleitorado bolsonarista mais fiel a rejeitá-lo”, afirma Gilson.
Já Alberto Neto representa outra frente política, sendo fortemente ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o que, conforme o sociólogo, “produz um efeito contrário”.
“O eleitorado de esquerda tende a rejeitá-lo e não aprova sua relação com o ex-presidente. Ele não aparece como alguém capaz de conciliar visões distintas, mas como um nome associado a uma direita mais radical, o que o afasta de vários segmentos. Apesar de fazer oposição ao prefeito, seu nome não consegue agradar a amplas parcelas do eleitorado nem se consolidar como consensual”, disse Gilson Gil.
Para além dos números da pesquisa, a rejeição aos nomes de Omar Aziz e Capitão Alberto Neto pode ser explicada por um conjunto mais amplo de fatores políticos e sociais. Essa é a avaliação do cientista social e especialista em filosofia e sociologia Gade Pedroza, que aponta que os índices negativos não se restringem apenas à ideologia partidária, mas envolvem elementos históricos, econômicos, religiosos, tecnológicos e políticos.
Segundo o pesquisador, no caso de Alberto Neto, sua trajetória eleitoral está diretamente ligada ao uso intenso das redes sociais e à construção de uma imagem pública associada à atuação policial. Pedroza explica que o deputado ganhou projeção ao divulgar nas plataformas digitais diligências das quais participava ou comandava, o que lhe rendeu grande visibilidade e um volume expressivo de seguidores, posteriormente convertidos em eleitores.
“Então, vamos considerar que o capitão Alberto Neto foi eleito depois de se tornar muito conhecido atuando como policial e postando, nas redes sociais, as diligências em que ele estava, de que participava e que comandava. E, por conta disso, ele ganhou muitos seguidores, e esses muitos seguidores, em boa parte, acabaram se convertendo em eleitores”, explica Gade.
Gade Pedroza ressalta que Alberto Neto se elegeu como aliado do então presidente Jair Bolsonaro e atuou como base de sustentação do governo federal entre 2019 e 2022. Já a partir de 2023, passou a desempenhar o papel de oposição ao Governo Lula, mantendo, segundo ele, a lógica de atuação como “tropa de choque”.
Nesse contexto, o cientista social avalia que o parlamentar não se destaca necessariamente pela apresentação ou aprovação de projetos de grande relevância, mas por funcionar como um difusor das ideias conservadoras que representa, especialmente junto ao eleitorado mais ideologicamente alinhado à direita.
“É que ele não necessariamente é atuante com projetos de relevância que tenham sido votados, apresentados e deliberados. Ele é atuante porque, como um grande campeão de votos e também por ter muita inserção nas redes sociais, acaba sendo um garoto-propaganda das ideias conservadoras, que são as ideias do campo que ele representa”, pontuou.
Ainda conforme o especialista, a forte associação da imagem de Alberto Neto ao ex-presidente Bolsonaro impacta diretamente seus índices de rejeição. Ele avalia que o desgaste da popularidade de Bolsonaro nos últimos anos, motivado por investigações e pela condenação do ex-presidente pela opinião pública em razão da tentativa de golpe de Estado, acaba sendo transferido para aliados mais próximos. Embora parte do eleitorado permaneça fiel, Pedroza observa que houve um afastamento significativo de eleitores, o que contribui para a queda de popularidade do deputado.
“O naufrágio de popularidade do presidente Bolsonaro, nos últimos meses, está associado também à rejeição a ele, porque o presidente Bolsonaro, por uma porção de evidências jurídicas e investigativas, foi condenado por planejar e começar a executar um golpe de Estado, e então a opinião pública se voltou contra ele. Óbvio que não são todas as pessoas que se voltaram contra o ex-presidente Bolsonaro, mas muitos eleitores se voltaram. Assim, observamos que a imagem do capitão Alberto Neto, colada à imagem do capitão Bolsonaro, faz a popularidade do capitão Alberto Neto também cair.
No caso de Omar Aziz, Gade Pedroza destaca que a rejeição também está relacionada ao seu histórico político e administrativo. O senador já foi chefe do Executivo estadual e acumulou experiências em diferentes níveis da administração pública, o que naturalmente gera avaliações positivas e negativas ao longo do tempo. Além disso, sua atuação como presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid ampliou de forma significativa sua visibilidade nacional.
“A atuação dele como presidente da CPI da Covid fez com que ele se tornasse um expoente, uma figura muito visualizada dentro do Senado. Ele se projetou muito porque foi protagonista em uma comissão crucial para vários desdobramentos políticos do país”, explica Pedroza.
Para o cientista social, Omar Aziz se tornou uma figura central durante a CPI, que investigou a atuação do governo federal no enfrentamento da pandemia, incluindo possíveis omissões e desvios de recursos públicos. Esse protagonismo o projetou politicamente, mas também o colocou no centro de intensas críticas, especialmente por parte de aliados do então presidente Bolsonaro, que utilizavam as redes sociais para questionar a condução dos trabalhos da comissão.
“Durante a CPI, que estava acontecendo no mandato do governo do presidente Bolsonaro, a tropa de choque do governo, os campeões de voto, criticava abertamente os condutores da CPI, o presidente e os relatores, de modo que as redes sociais se tornaram expoentes. As proporções daquilo que é publicado nas redes sociais muitas vezes não podem ser medidas. Assim, as críticas, quem sabe se são verdade ou não, isso não conseguimos dizer agora, talvez seja até inconveniente dizer, feitas à atuação do senador durante a CPI podem ainda estar no imaginário da população”, concluiu Gade.
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