Revoltada, família sustenta que as vítimas 'morreram de graça'

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Revoltada, família sustenta que as vítimas ‘morreram de graça’

Corpos serão velados em cerimônia coletiva no Centro de Manaus. Parentes pedem justiça

Família foi assassinada na noite de sábado, 16, no bairro Nova Cidade (Foto: Montagem/Josemar Antunes)

Durante a manhã deste domingo, 17, o clima era de dor e revolta no Instituto Médico Legal (IML), no bairro Cidade Nova, na zona Norte de Manaus, onde familiares e amigos foram reconhecer os corpos das cinco vítimas da mesma família assassinada na noite de sábado, 16. O Amazonas1 esteve no local e conversou com alguns parentes e amigos sobre a chacina.

Cinco pessoas morreram e uma ficou ferida gravemente após dois integrantes de uma facção criminosa invadirem o imóvel, na rua Ibirapitinga (antiga rua A), no bairro Nova Cidade, na zona Norte capital.

Felisberto Leonel dos Santos, 56, declarou que a filha de criação Márcia Gonçalves de Jesus, de 44 anos, morreu de “graça” porque estava na hora e local errado. Segundo ele, a diarista havia ido até a casa deixar uma sopa.

“A Márcia morreu de graça. Ela não tinha nada a ver com as coisas erradas que aconteciam na casa. Infelizmente, ela estava na hora e no local errado”, disse.

IML retirando um dos corpos da residência (Foto: Josemar Antunes/Amazonas1)

Outra vítima que pagou com a vida pelo envolvimento dos parentes com o tráfico de drogas foi o estudante Luiz Carlos Roque de Souza, 19. O jovem foi morto com um tiro na cabeça, em cima de uma cama.

“O meu neto tinha ido ao local para ficar com a mãe e os primos. Ele era da igreja e não tinha envolvimento com o tráfico de drogas. O sonho dele era morar com o pai em Curitiba (PR). Em dezembro deste ano, Luiz Carlos iria servir a Aeronáutica. Eu estou revoltada com a morte do meu neto que era um garoto do bem”, contou a avó do jovem, de 66 anos.

Além de Luiz Carlos e Márcia, outras três pessoas morreram no ataque. Edmundo de Jesus Roque, de 23 anos, foi atingido com cinco tiros. O segundo alvo dos assassinos ainda tentou se esconder dentro de um guarda-roupa.

Em ato contínuo, Poliana de Jesus Roque, de 17 anos, irmã de Edmundo, foi morta com um tiro na cabeça. Maria Isadora de Jesus Roque, de 14 anos, irmã de Luiz Carlos, também foi assassinada com um tiro na cabeça.

A sexta vítima do atentado, Rosilana de Jesus Roque, de 34 anos, mãe de Luiz Carlos e Maria Isadora, que está grávida de oito meses, foi alvejada com um tiro na cabeça. Com o projétil alojado no crânio, ela segue internada em estado grave no Pronto-Socorro (PS) Dr. João Lúcio, na zona Leste.

Outras duas pessoas da família conseguiram escapar da ação criminosa. Bruna de Jesus Roque, de 20 anos, se trancou com um filho dentro do quarto. Já o principal alvo, segundo a polícia, identificado apenas como “Adrio”, irmão de Edmundo, conseguiu pular a janela da residência.

Suspeitos

No local da chacina, foram encontrados mais de R$ 20 e várias trouxinhas de drogas. Dois homens, ainda não identificados, abordaram as mulheres na frente da casa e ordenaram que elas entrassem.

Em menos de dois minutos, os pistoleiros balearam as seis pessoas da mesma família. Os criminosos fugiram com apoio de um carro, modelo Peugeot, de cor cinza, de placa não visualizada.

Entre os “possíveis mandantes” da chacina, a polícia obteve informações que o traficante “Dirceu” e os irmãos dele, conhecido como “Capitão” e “Leandro”, estariam incomodados com o suposto envolvimento da família com outro traficante da região.

‘Dirceu’ é apontado como o mandato da chacina (Foto: Reprodução)

Conforme levantamentos preliminares da polícia, Edmundo e “Adrio” compravam drogas do soldado de Dirceu, que antes de integrar a facção criminosa Comando Vermelho (CV) era membro da Família do Norte (FDN).

Após essa mudança, os irmãos Edmundo e Adrio deixaram de comprar entorpecentes do traficante e passaram a comercializar o ilícito de outro rival de Dirceu. Maria Isadora e Poliana eram “aviãozinhos” do tráfico de drogas.

Além dessa informação, a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) trabalha com outra hipótese mais provável para a execução da família. A segunda linha de investigação é mantida em sigilo para não atrapalhar o andamento no inquérito policial.

Justiça

Os familiares e amigos das cinco pessoas mortas esperam que os criminosos sejam presos e paguem pelos crimes. Os corpos devem ser velados em cerimônia coletiva, no Centro de Manaus.

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