Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Por que candidatos a vereador mais votados nem sempre são eleitos?

Neste ano, são 833 candidaturas concorrendo ao pleito e, para determinar quem serão os eleitos, são considerados vários aspectos para alcançar o quociente eleitoral.

(Foto: Divulgação/CMM)

Manaus (AM) – Em um cenário eleitoral no qual os votos são fundamentais, a eleição nem sempre consagra os candidatos mais votados. Isso se deve principalmente ao uso de sistemas eleitorais distintos, como o proporcional e o majoritário, que definem a dinâmica de preenchimento dos cargos. No Brasil, a Lei das Eleições alterou a forma de eleger candidatos a vereador, assim como deputados estaduais e federais.

Os candidatos a deputado e vereador dependem de quocientes eleitorais que consideram não apenas seus votos individuais, mas também o desempenho de seus partidos.

Já os cargos do Executivo e para o Senado podem exigir uma maioria absoluta em dois turnos, criando situações em que a popularidade não se traduz em vitória. Assim, o caminho para o êxito nas urnas é moldado por fatores que vão além da simples contagem de votos, revelando a complexidade do processo eleitoral.

Como é feito o cálculo dos votos?

Especialistas apontam que, das 41 cadeiras na Câmara Municipal de Manaus (CMM), haverá uma renovação de aproximadamente 50%, o que já é considerado histórico na cidade. Neste ano, são 833 candidaturas concorrendo ao pleito; para determinar quem serão os eleitos, são considerados os seguintes aspectos:

Votos de legenda: além dos votos individuais recebidos pelos candidatos, também são contabilizados os votos dados diretamente ao partido.

Quociente eleitoral: é o número de votos necessários para que um partido ou coligação conquiste uma vaga. O quociente eleitoral é calculado dividindo-se o total de votos válidos pelo número de cadeiras disponíveis.

Quociente partidário: após a definição do quociente eleitoral, é calculado o quociente partidário, que determina quantas cadeiras cada partido ou coligação terá, considerando o total de votos recebidos por seus candidatos e os votos de legenda.

Cálculo do quociente eleitoral

Para que um candidato a vereador seja eleito, considerando 41 vagas e um total hipotético de 300 mil votos válidos, ele precisaria alcançar aproximadamente 7.318 votos. Vale ressaltar que esse número pode variar dependendo da quantidade real de votos válidos na eleição.

Total de votos válidos: para calcular o quociente eleitoral, estimamos o total de votos válidos. Neste caso, usamos a hipótese de que a eleição terá 300.000 votos válidos.

Arredondamento: Como não se pode ter uma fração de votos, arredondamos para cima, resultando em um quociente eleitoral de 7.318 votos.

(Foto: Portal AM1)

Dado o exemplo, acredita-se que, diferente de 2020, quando alguns vereadores foram eleitos com menos de 5 mil votos, neste ano, esse cálculo não será possível. E mesmo que um candidato ultrapasse os 7,3 mil votos, e o seu partido ou coligação não alcançar o quociente partidário, esse candidato perderá a sua vaga automaticamente.

Relembre candidatos tiveram números expressivos de votos, mas não foram eleitos:

Michele da Bancada: em 2020, quando disputou uma vaga na CMM pelo PSoL, Michelle Andrews garantiu 7.662 votos, mas não entrou para a atual configuração da Câmara porque o seu partido não alcançou o quociente partidário necessário.

No mesmo ano, Coronel Gilvandro (PSDB) obteve 5.129 votos válidos, um número bem maior do que os que conseguiram alguns vereadores que atuam hoje na CMM. No entanto, Gilvandro competia com outros dois nomes no PSDB, Raulzinho e Rosivaldo Cordovil, que entraram para o time de parlamentares.

A apresentadora Nath Nascimento disputou o pleito pelo extinto PSC e alcançou 4.371 votos válidos. Porém, ela foi ultrapassada por outros nomes do mesmo partido naquela eleição, como Rodrigo Guedes, hoje filiado ao PP, e Caio André, presidente da Câmara, que deixou o podemos e se filiou ao UB, do governador Wilson Lima.

 

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