(Foto: Hudson Fonseca/Aleam)
Manaus (AM) – Um áudio gravado pelo prefeito de Santo Antônio do Içá (AM), Walder Ribeiro da Costa, conhecido como Cecéu, gerou forte repercussão nas redes sociais após ele sair em defesa de policiais militares denunciados e presos por estuprar uma mulher indígena dentro da unidade prisional do município.
Na gravação, Cecéu questiona a veracidade da denúncia e afirma que tudo seria uma invenção do advogado da vítima, com o objetivo de obter indenização do Estado.
“Esse cara fez essa denúncia com a intenção de conseguir um dinheiro do Estado de um total de R$ 500 mil. Como eu vou acreditar que esses policiais iam ter relação sexual durante muito tempo com uma mulher doente e usuária de droga. Ela tem problema mental e tinha mandado de prisão. Eu, sinceramente, não acredito”, diz o prefeito em um dos trechos do áudio.
O prefeito também criticou a atuação da Justiça e do Ministério Público na condução do caso, questionando a prisão dos agentes:
“Como que alguém vai fazer exame de corpo de delito durante muito tempo? Como que a Justiça aceita um negócio desse? Eu não acredito que eles tenham culpa de alguma coisa. Acho difícil ter algum culpado nisso. Acho que devia ser investigado, mas não é isso que está acontecendo. É revoltante a situação que os caras tão passando”, conta.
Ouça o áudio
Repercussão
Diante da repercussão negativa, o Portal AM1 entrou em contato com a chefe de gabinete da prefeitura de Santo Antônio do Içá. Em resposta, ela afirmou:
“Ele não está defendendo policiais. Ele só quer que a Justiça seja feita da forma correta, que a Justiça investigue antes de prender, pois do jeito que está acontecendo já decretaram a prisão dos policiais sem mesmo saber se tudo isso é verdade.”
Posição do Ministério Público
O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) se manifestou por meio de nota oficial e afirmou que não comentará as declarações da defesa dos acusados, mas reforçou a legalidade do processo; confira.
O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) não comentará as declarações da advogada dos presos suspeitos de estupro em Santo Antônio do Içá, por respeito à legalidade e à ética que regem sua atuação. O trabalho do MPAM, neste caso, foi conduzido com total rigor técnico, fundamentado no depoimento da vítima, em laudos periciais — incluindo exames de conjunção carnal e avaliação psiquiátrica — e no Inquérito Policial Militar, que tramita desde 2023 e envolve os suspeitos já identificados. Cabe à defesa apresentar seus argumentos e buscar a comprovação da inocência de seus clientes nos autos do processo, que é o espaço legítimo para o contraditório e a ampla defesa.”
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