Manaus, 7 de julho de 2026
×
Manaus, 7 de julho de 2026

Política

Proposta de regulamentação das emendas é alvo de críticas

A urgência para a votação do PLP 175/2024 está na pauta do plenário desta terça-feira (05) e deve ser discutida entre os parlamentares.

Deputados votam requerimento de urgência para aprovação da regulamentação das emendas parlamentares

Deputados votam requerimento de urgência para aprovação da regulamentação das emendas parlamentares (Foto: (Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Brasília (DF) – A votação da proposta que regula as emendas parlamentares segue na pauta do dia da Câmara dos Deputados, o texto enviado pelo líder governista na Câmara, Rubens Pereira Júnior (PT-MA), tem sido criticado por “não atender às exigências” do Supremo Tribunal Federal (STF).

O requerimento de urgência para votar o PLP 175/2024 estava na pauta da Casa nessa segunda-feira (04), mas o imbróglio foi adiado para esta terça-feira (05), às 14h.

A organização de Transparência Internacional e a Associação Contas Abertas publicaram uma nota em conjunto, solicitando o cumprimento das exigências, e pontuando riscos de corrupção caso o texto seja aprovado.

 “(…) no que se refere à transparência e à rastreabilidade das emendas, nem impõe as medidas necessárias para a redução dos graves riscos de corrupção no manejo das emendas parlamentares, cuja ocorrência é evidenciada por múltiplos escândalos recentes”, dizem as instituições.

Veja a nota completa das instituições aqui.

O Portal AM1 entrou em contato com os deputados da bancada amazonense que participaram da sessão semipresencial, até a publicação deste material, e apenas os deputados Amom Mandel (Cidadania) e Sidney Leite (PSD) respondem ao questionamento sobre o PLP.

Nesta terça, Mandel protocolou quatro emendas ao projeto. O parlamentar é contra o uso das transferências especiais, conhecidas como “emendas Pix”. Em um dos requerimentos, o deputado pontuou a necessidade do detalhamento do objeto onde a emenda será implementada.

“Isso assegura que os recursos sejam utilizados de forma coerente com as prioridades nacionais e regionais, evitando a dispersão de recursos em projetos de menor impacto. A justificativa também obriga o parlamentar a fundamentar tecnicamente sua proposta, demonstrando a sua pertinência e a sua contribuição para o desenvolvimento do país”, pontua o documento.

A aprovação do texto destravaria a execução dos recursos bloqueados desde agosto, por uma decisão do ministro do STF, Flávio Dino.

O professor de direito, Ilmar Muniz, pontuou ao Portal AM1 que o texto apresentado pelo líder do governo na Câmara responde aos pedidos do Supremo, mas existe uma imposição do Executivo sobre o direcionamento de recurso aos “interesses do governo” que fere diretamente a liberdade parlamentar na escolha do destino dos recursos. 

“Isso limita muito a questão do parlamentar decidir para onde vai e de que forma vai ser usada essa emenda. O governo se faz presente no PLP com o direcionamento de recursos muito grande, o governo federal quer que os seus planos de governo cresçam nos municípios e estados, mas isso implica na liberdade parlamentar”, disse o especialista.

Em Brasília, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou à imprensa que aguarda a apreciação do texto pela Câmara. Ele defende a aprovação do documento fruto do acordo entre os três Poderes.

“É muito importante nós resolvermos essa questão orçamentária, definir uma disciplina em relação às emendas parlamentares; emendas individuais; emendas de bancada; emendas de comissão; porque é muito importante rodar o Orçamento. Nós termos, realmente, a garantia de que municípios, estados e entidades filantrópicas possam ter os recursos do Orçamento, seja Orçamento original, seja através das emendas parlamentares; isso é de interesse do Brasil. Então, nós aguardamos a definição na Câmara e, quando chegar ao Senado Federal, nós vamos colocar com a maior agilidade possível para a apreciação dos senadores”, explicou.

 

 LEIA MAIS