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4 de março de 2021
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Putin entra em lago congelado em tradicional festa russa

Presidente russo participa do tradicional mergulho da festa ortodoxa da Epifania em Moscou

Putin entra em lago congelado em tradicional festa russa
Foto: Reuters

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, participou nesta terça (19) da tradicional festa ortodoxa da Epifania, na qual o batismo de Jesus Cristo por são João Batista é lembrado por meio de mergulhos em águas de lagos congelados.

No que foi visto como uma provocação, involuntária ou não, o líder usava um calção de banho azul enquanto persignava-se três vezes, uma antes de cada mergulho. Azul é a cor da cueca do ativista de oposição Alexei Navalni que foi embebida com o veneno Novitchok em agosto, na cidade de Tomsk (Sibéria).

Ou pelo menos foi o que lembrou Konstantin Kudriatvtsev, o espião do FSB (Serviço Federal de Segurança) que Navalni gravou em um trote para conseguir detalhes de seu próprio envenenamento. “Azul, mas eu não estou certo”, disse ele ao ativista em dezembro.

Navalni voltou de seu tratamento médico na Alemanha no domingo (17) e foi preso por violar a liberdade condicional de uma sentença antiga por fraude. Pode pegar até 3,5 anos de cadeia. Nesta terça, o Kremlin disse que não daria bola para os pedidos ocidentais para libertá-lo.

A imersão de Putin é uma “photo-op”, ou oportunidade de fotografia, anual para a mídia russa. Nela se especula a forma física do lutador de judô que está no poder desde agosto de 1999, quando virou premiê pela primeira vez.

A julgar pelos comentários em redes sociais russa, o presidente de 68 anos ainda faz jus à fama de cuidar do corpo. Putin é um cristão ortodoxo que usa a ligação histórica da igreja com o Estado, que remonta aos tempos do império dos Románov (1613-1917). Durante a União Soviética (1922-1991), houve todo tipo de perseguição religiosa, já que o país era oficialmente ateu.

Mas, como contou ao jornal Folha de S.Paulo o porta-voz do patriarca Cirilo, Vladimir Legoida, havia acomodações. A atividade dos padres era sancionada na maior parte do país, embora aqui e ali houvesse sermões escritos por oficiais políticos da KGB, o serviço secreto antecessor do FSB.

Seja como for, a queda do comunismo trouxe um renascimento da Igreja Ortodoxa no país. Com a ascensão de Putin, isso acentuou-se de forma a críticos brincarem que só falta Cirilo coroar o presidente como czar, ao estilo antigo. A instituição se beneficiou da retomada de isenções fiscais e programas de incentivo generosos do governo.

Igrejas foram reconstruídas. A mais famosa talvez seja a catedral do Cristo Salvador, em Moscou, um gigantesco prédio às margens do rio da capital que havia sido explodido pelo ditador Josef Stálin em 1931 para dar lugar a um palácio soviético nunca realizado.

Consagrada novamente no ano 2000, ela foi palco do famoso protesto da banda punk feminista Pussy Riot em 2012, que tocou uma música contra Putin junto ao altar do templo e teve suas integrantes presas.

Os atritos políticos foram também vistos quando o ramo da igreja na Ucrânia declarou-se independente do da Rússia, o maior cisma cristão desde a Reforma protestante do século 16. O país vizinho tem difíceis relações com Moscou desde que Putin retomou a Crimeia para si em 2014, após um golpe derrubar o governo pró-Kremlin em Kiev.

Putin sempre apostou nessa simbiose com a história russa. Além da ortodoxia, ele promove ativamente o papel decisivo da União Soviética na derrota dos nazistas em 1945. Ao mesmo tempo em que rejeita a volta ao passado comunista, glorifica e sanitiza os feitos do regime.

Os resultados são melhores nessa tentativa no que na promoção da religiosidade. Pesquisa de janeiro de 2019 do instituto independente Levada mostra que só 9% dos russos acha que a ortodoxia define o caráter nacional, enquanto 53% apontam para a história do país.

Dos 146 milhões de russos, cerca de 70% se dizem aderentes da Igreja Ortodoxa. Uma expressiva fatia de 10% é muçulmana, principalmente no Cáucaso e na Ásia Central, e hábitos associados à etnias da religião, como fumar narguilé, são comuns em cafés moscovitas.

Há diversidade, apesar da retórica oficial -Putin entronizou a fé em Deus como parte da essência russa na Constituição, no começo de 2020. Em diversas regiões da Sibéria, o xamanismo teve uma retomada importante após o fim da União Soviética. E a República da Calmíquia, no sul do país, é considerado o único território budista da Europa.

 

(*) Com informações Folhapress

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