Vereador Raiff Matos ainda não assinou 'CPI do Empréstimo' na CMM (Foto: Ney Fábio/Assessoria)
Manaus (AM) – O vereador Raiff Matos (PL) tem dedicado boa parte da sua visibilidade política às redes sociais, onde compartilha conteúdos sobre educação de filhos, adolescência e comportamento familiar. Em seu perfil, é comum encontrar publicações com dicas como “como impor limites na adolescência” ou “como criar seus filhos”.
No entanto, quando o foco se volta para a Câmara Municipal de Manaus (CMM), a atuação de Matos é bem mais discreta. Até agora, em 2025, o parlamentar apresentou apenas oito Projetos de Lei (PLs), número considerado baixo dentro da produtividade legislativa esperada para um vereador.
Para o cientista político Helso Ribeiro, esse tipo de contraste não é exclusividade de Manaus. Segundo ele, a baixa relevância da produção de leis nos legislativos municipais acaba levando vereadores a priorizarem outros espaços de visibilidade, como as redes sociais.
“Das 5.600 câmaras de vereadores que existem no Brasil, a competência delas é residual. As pessoas até brincam que cabe ao vereador apenas dar nome à praça e à rua. Claro, em termos de projetos de lei. Mas a função mais esperada é que eles fiscalizem o poder executivo municipal. Isso, porém, eles fazem muito pouco”, analisou Ribeiro.
O especialista aponta ainda que muitos parlamentares apresentam proposições que sequer avançam na tramitação.
“Muitas vezes os assessores colocam projetos que sabem que não terão aceitação. Vários são inconstitucionais, fora da esfera de competência, mas ainda assim entram para a estatística de que o vereador apresentou determinado número de projetos”, explicou.
Com baixa produção no plenário, as redes sociais acabam funcionando como palco alternativo para os vereadores se manterem em evidência. Nesse sentido, Ribeiro avalia que a estratégia é mais voltada para engajamento do que para a atividade parlamentar.
“Na rede social cada um posta o que quer. É o cara que quer ganhar like, ganhar admirador, seja mandando rezar, dando conselho ou tentando lacrar de alguma forma. Isso é o que, infelizmente, temos que aguentar de muitos dos que elegemos”, afirmou.
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