Manaus, 27 de julho de 2026
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Manaus, 27 de julho de 2026

Cidades

Rios do AM desafiam previsões e iniciam 2026 em ritmo irregular

Enquanto Madeira reage às chuvas, Solimões e lago Tefé mantêm vazante fora do padrão esperado.

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(Foto: Divulgação)

Manaus (AM) – Os dados observados nos primeiros dias de 2026 revelam que a bacia amazônica ainda opera sob os reflexos diretos das secas extremas recentes, especialmente a de 2024, cujos impactos se estenderam ao longo de 2025.

A lentidão na resposta dos rios, mesmo com o avanço do calendário hidrológico para o período tradicional de recuperação, indica um sistema ainda em fase de reequilíbrio.

A elevação discreta do rio Negro em Manaus, limitada a apenas 3 centímetros em cinco dias, reforça esse padrão. Historicamente, o início de janeiro costuma apresentar reações mais consistentes, o que não se confirma neste ciclo.

O dado se torna ainda mais relevante quando comparado a 2025, ano em que a recuperação foi ainda mais fraca, evidenciando que a normalização dos níveis ocorre de forma gradual e desigual.

No Solimões, a persistência da vazante em pontos estratégicos como Tabatinga, Maraã e o lago Tefé contraria o comportamento esperado para o período e sugere atraso na propagação das chuvas da bacia andina e do alto curso do rio.

As quedas acumuladas, superiores a 2 metros em dezembro e superiores a 1 metro em poucos dias no médio Solimões, indicam que o rio ainda responde a um balanço hídrico negativo, com evaporação e drenagem superando a reposição.

Por outro lado, a reação observada no rio Madeira, com elevação de 46 centímetros em Porto Velho em apenas três dias, aponta para um comportamento mais sensível às chuvas concentradas a montante.

Ainda assim, especialistas consideram esse tipo de resposta como pontual, insuficiente para caracterizar uma reversão definitiva do quadro hidrológico após a seca de 2025.

O rio Amazonas, em Itacoatiara, apresenta um sinal intermediário: a enchente de 7 centímetros indica início de resposta às chuvas andinas, mas em ritmo lento, compatível com um sistema fluvial que ainda redistribui volumes ao longo de uma extensa bacia.

Em conjunto, os dados mostram que o início de 2026 não representa uma retomada plena dos níveis, mas sim uma fase de transição marcada por assimetria hidrológica.

Enquanto alguns trechos reagem de forma pontual, outros permanecem em queda, mantendo riscos à navegabilidade, ao abastecimento e à segurança das comunidades ribeirinhas.

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