Omar Aziz (Foto: Lula Marques/ Agência Brasil) Chico Preto (Foto: Gabriel Alves/Portal AM1)
Manaus (AM) – O ex-vereador de Manaus e ex-deputado estadual Chico Preto (PL) publicou um vídeo nas redes sociais em que faz críticas a pessoas ligadas ao escândalo investigado na Operação ‘Maus Caminhos’. Na gravação, Chico Preto afirma que chegou a denunciar irregularidades quando atuava como deputado na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Sem citar nomes diretamente, a publicação pode ser interpretada como uma indireta ao senador Omar Aziz (PSD) ao comentar: “Imagina esse pessoal voltando para o governo.” A declaração ocorre em um possível contexto em que o senador é pré-candidato ao governo do Amazonas e chegou a ter o nome mencionado como alvo nas investigações da operação.
No vídeo, Chico Preto afirma que, durante o período em que exerceu mandato na Aleam, fazia denúncias e cobrava informações sobre suspeitas envolvendo a gestão pública, o que teria causado incômodo a pessoas investigadas.
“Esse pessoal dá maus caminhos, eles são perigosos, organização criminosa. Quando fui deputado, na Assembleia, eu denunciava, cobrava, pedia muitas informações, ao ponto de eles ficarem extremamente incomodados”, afirmou.
O ex-parlamentar também mencionou investigações conduzidas pela Polícia Federal, citando que interceptações telefônicas teriam revelado conversas sobre ele durante o período das apurações.
“Durante o período de investigação feito pela Polícia Federal, olha só o que eles identificaram: uma ligação telefônica. Olha só o que eles tramavam contra mim. Imagina esse pessoal voltando para o governo, não dá, né, pessoal. A gente precisa começar a abrir o olho desde agora”, disse.
A operação
No segundo semestre de 2018, o senador Omar Aziz passou a ser um suposto alvo de investigação no âmbito da Operação Maus Caminhos, após o processo que tramitava no Supremo Tribunal Federal (STF) ser remetido à Justiça Federal no Amazonas.
Desde o início da operação, deflagrada em 2016, o parlamentar era apontado como suspeito de envolvimento no esquema investigado por desviar mais de R$ 120 milhões de recursos da saúde no Amazonas, sob suspeita do crime de corrupção passiva.
No entanto, durante entrevista ao Grupo dos Seis, o senador Omar Aziz afirmou que o inquérito da Operação Maus Caminhos, que investigava suspeitas de corrupção envolvendo ele e familiares, foi arquivado por falta de provas.
O parlamentar destacou que nunca chegou a ser denunciado no caso e afirmou que, anos depois, a investigação foi encerrada sem a apresentação de elementos que comprovassem irregularidades contra ele. Aziz também disse que enfrentou dificuldades durante o período em que o caso esteve em apuração e que ainda há tentativas de associar seu nome ao esquema investigado.
A declaração ocorreu enquanto comentava o resultado das eleições de 2018, quando terminou a disputa em terceiro lugar. Segundo o senador, naquele momento se sentia pressionado politicamente, citando o contexto da Operação Vertex, considerada a quinta fase da própria Operação Maus Caminhos, deflagrada em julho daquele ano.
Condenação
A sentença da Justiça Federal resultou na condenação de 11 acusados em um processo ligado à Operação Maus Caminhos, por participação em organização criminosa. Entre os condenados, três também foram responsabilizados por obstrução de investigação. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2016 e apontava a atuação do grupo em um esquema de desvio de recursos públicos da área da saúde no Amazonas. A decisão foi proferida no dia 7 de janeiro de 2020 e tornada pública em 27 de fevereiro do mesmo ano.
Além das penalidades financeiras individuais, que juntas ultrapassam R$ 3,2 milhões, os réus também receberam condenações de prisão que vão de quatro anos a nove anos e quatro meses. Entre os condenados, apenas Gilberto de Souza Aguiar chegou a ser preso, após descumprir as medidas cautelares estabelecidas para manter a liberdade provisória.
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