Quebrando a tradição de longos discursos das três últimas cerimônias de posse dos governadores eleitos para um mandato de quatro anos no Amazonas, o jornalista Wilson Lima (PSC) falou por 12 minutos e 40 segundos ao ser oficializado para o cargo de chefe do Executivo do Estado, na tarde desta terça-feira, 1º., no Teatro Amazonas, no Centro de Manaus. O novo governante recebeu a faixa do seu antecessor, Amazonino Mendes (PDT), uma hora depois, no Palácio Rio Negro.

Wilson Lima recebe a faixa de Amazonino Mendes, depois de fazer o discurso de posse (Reprodução)
Do período em que ficou no microfone, dois minutos e quarenta segundos foram destinados aos agradecimentos para as autoridades presentes. No restante, dez minutos, ele falou de suas expectativas na gestão pública e admitiu que o cargo é desafiador.
“Governar o estado do Amazonas é o maior desafio da minha vida. E foi da vontade de Deus, da História do estado, da decisão do povo que me permitem vir a este momento. Graças a essas três forças, eu assinei o termo de posse e me torno, agora, a maior autoridade escolhida pela maioria da nossa população”, disse.
Assista na íntegra o discurso
Sem apresentar um projeto, programa ou segmento que sua administração irá priorizar, o jornalista limitou-se, mais uma vez, a usar frases prontas e genéricas, definindo como eixos de atuação da sua administração: “gestão eficiente e responsável; desenvolvimento empreendedor e sustentável; e o Amazonas com qualidade de vida”.
Os eixos apontados por Wilson Lima são termos usados costumeiramente em livros didáticos sobre administração pública que massificam palavras como eficiência, responsabilidade, empreendedorismo, sustentabilidade e qualidade de vida.
As diretrizes colocadas pelo governador para sua administração como sendo “novas” são abordadas há décadas por teóricos e podem ser facilmente encontrada em centenas de livros brasileiros, como da escritora Joseane Zoghbi, na obra “Eficiência na Gestão Pública”, cujos eixos da “gestão pública ideal” estudados por ela são muitos semelhantes aos que foram apresentados por Wilson, hoje. O livro pode ser adquirido a R$ 30 pela internet.
História
Excluindo a cerimônia de posse tumultuada do governo “tampão” de Amazonino Mendes, em 2017, os três governadores anteriores a Lima apresentaram medidas mais claras sobre o que pretendiam fazer à frente do Executivo.
Em 2015, José Melo apostou na sua experiência no ensino público e disse, durante sua posse, que priorizaria programas voltados à Educação “para construir um Amazonas ainda mais promissor e desenvolvido”.
Em 2011, o senador Omar Aziz (PSD) prometeu priorizar o combate à criminalidade com o programa Ronda no Bairro, que foi iniciado dez meses depois.
Em 2007, Eduardo Braga (MDB) apresentou projetos de obras para municípios do interior do Amazonas, entre elas a Ponte Rio Negro, inaugurada quatro anos depois.
Este ano, o governador admitiu que a única “medida acertada”, até o momento, para sua administração é de que as repartições públicas não teriam sua fotografia, quebrando o simbolismo da imagem do governador como protagonista da administração do Executivo.
Plano de governo
Wilson Lima, também, não fez menção às ações previstas no seu plano de governo que foi apresentado durante a campanha eleitoral do ano passado e que tem 30 páginas de diretrizes gerais.
Veja o Programa de Governo de Wilson Lima
Ao declarar que o Amazonas inaugurou um novo momento com sua posse, tendo o “povo como protagonista”, o governador não citou a definição do seu secretariado, que entre eles, aparecem ex-gestores de José Melo e de Omar Aziz. Ele, também, não explicou se usou algum mecanismo popular para a escolha de seus secretários com base em reivindicações de entidades representativas de classe ou de grupos sociais.





