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Semasc gasta milhões em colchões e eterniza bolsões de pobreza em Manaus

A falta de políticas públicas a longo prazo faz com que as famílias continuem sendo prejudicadas pela cheia do rio nos próximos anos
Beatriz Araújo – Portal Amazonas1
• Publicado em 21 de julho de 2021 – 08:34
Foto: Marcio Silva

MANAUS (AM) – Mesmo desembolsando milhões dos cofres públicos, a tentativa da Secretaria da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc) de auxiliar as famílias afetadas pela cheia do Rio Negro, neste ano, não vai sanar os problemas da categoria. Isso porque, segundo especialistas, o poder público deveria implantar políticas públicas a longo prazo para que as famílias não fossem vítimas de fenômenos naturais nos próximos anos.

Na última segunda-feira (12) a Semasc publicou a abertura de uma licitação para adquirir 7 mil colchões, por R$ R$ 4.028.500,00 (quatro milhões, vinte e oito mil e quinhentos reais). A empresa contratada para fornecer os itens é a OM Boat Indústria e Comércio de Produtos Betuminosos, que exerce como principal atividade o “Comércio atacadista de outros produtos químicos e petroquímicos não especificados”, segundo o site da Receita Federal.

Leia mais: Prejuízos com a cheia no Amazonas já passam de R$ 180 milhões

Para a titular da Semasc, Jane Mara Moraes, mesmo que a vazante já tenha iniciado e a maior intensidade da subida das águas tenha ocorrido até a primeira quinzena do mês de junho, a ação ainda é necessária – uma vez que as vítimas da cheia perderam boa parte de seus pertences.

“No nosso cronograma, as entregas de itens de higiene e colchões são programadas para ocorrer no início da vazante, pois as casas não estarão mais afetadas pelas águas, no nível normal. Não seria interessante fazer essas entregas na época da cheia, nas nossas visitas, constatamos que, com a água, muitas famílias perderam todos os seus bens”, justificou.

Foto: Altemar Alcantara / Semcom

A moradora do bairro Educandos, Iolanda Silva, conta que a ajuda é bem-vinda, mas não soluciona os problemas que as subidas das águas trazem todos os anos.

“Todos os anos nós passamos por isso, não adianta as secretarias aparecerem aqui, olharem as casas ver o problema e ir embora. A cheia acontece todos os anos, nós perdemos tudo nas cheias, então, o certo seria o governador e o prefeito tirar [sic] a gente daqui. Todo mundo merece um lugar melhor para viver”.  

Foto: Marcio Silva

Políticas a longo prazo

Segundo o sociólogo Francinézio Amaral, a falta de políticas públicas e o comportamento social da atualidade contribuem para que as pessoas continuem vulneráveis à falta de moradia adequada e recursos de qualidade para viverem.

“As vítimas das subidas das águas são expostas em diversos sentidos. A principal e mais importante é a falta de políticas públicas, pois, hoje, nós temos um modelo capitalista que impõe o consumo exagerado de riquezas, fazendo com que as classes sociais se evidenciem. Assim, essas famílias não têm outra opção a não ser se arriscar e viver em locais sem estrutura para isso”.

Além disso, é necessário que a sociedade fique atenta para propagandas políticas mascaradas de solidariedade. Em muitos casos, políticos sustentam a falta de políticas públicas para se manterem no poder.   “O poder público e os políticos precisam pagar as dívidas de campanhas com as empresas privadas. Então, a aquisição desses colchões, por exemplo, evidencia a ausência de políticas eficazes […] a família precisa sobreviver e, por isso, não vai negar ajuda, mas essas pessoas vão continuar sofrendo com a falta de estrutura no local. Não haverá solução enquanto o poder público não entender que a realidade dessas pessoas precisa mudar, assim como a sociedade precisa ser consciente e não ficar refém da ‘solidariedade’ dos políticos que saem e entram”, explicou Amaral.

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