(Foto: Divulgação /Biblioteca Pública de Dallas)
Manaus (AM) – Por décadas, o sistema de Justiça do Texas, EUA, manteve válida uma condenação baseada em procedimentos posteriormente considerados incompatíveis com padrões legais atuais. O caso diz respeito ao assassinato de Venice Parker, balconista branca morta em Dallas em 1953, e à responsabilização criminal de Tommy Lee Walker, jovem negro de 19 anos à época.
Walker foi preso quatro meses após o crime, apesar da inexistência de provas materiais ou testemunhas que o colocassem na cena do homicídio. Ele apresentou um álibi segundo o qual estaria em um hospital acompanhando o nascimento do filho, versão confirmada por dez testemunhas ouvidas durante o julgamento.
A investigação foi conduzida por Will Fritz, então chefe do Departamento de Homicídios da Polícia de Dallas, posteriormente citado em registros históricos como associado à Ku Klux Klan.
A Ku Klux Klan é uma organização extremista de supremacia branca surgida nos Estados Unidos após a Guerra Civil. Ao longo de diferentes períodos, o grupo defendeu uma ideologia baseada na exclusão racial e religiosa e esteve envolvido em ações de intimidação e violência contra minorias e ativistas de direitos civis, utilizando símbolos como capuzes e queimas de cruzes como instrumentos de coerção social.
Durante a fase de interrogatório, Walker foi submetido a longas sessões de questionamento policial e assinou duas confissões posteriormente apontadas como inconsistentes. Registros indicam que ele não admitiu o estupro da vítima e que uma das declarações foi retratada pouco após ser formalizada.
Apesar das controvérsias levantadas ainda durante o julgamento, Walker foi condenado à morte e executado na cadeira elétrica em 1956, após a rejeição dos recursos apresentados. Em janeiro deste ano, após reavaliação conduzida pela Unidade de Integridade de Condenações do Condado de Dallas em parceria com organizações jurídicas e acadêmicas, o Conselho de Comissários do condado aprovou uma resolução que reconhece a inocência de Tommy Lee Walker e a inadequação da condenação original.
Para o filho de Walker, Edward Smith, a decisão representa o reconhecimento institucional de uma conclusão defendida pela família desde a década de 1950.
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