Manaus, 19 de junho de 2024
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Cenário

Transporte de animais em cabine de avião e o conflito com pessoas alérgicas

A maioria dos entrevistados aprovou a proposta, considerando-a positiva para os tutores, mas a obrigatoriedade preocupou aqueles com alergias que terão que viajar com pets.

Transporte de animais em cabine de avião e o conflito com pessoas alérgicas

(Fotos: Celso Maia/Portal AM1)

Manaus (AM) – Poucos dias após a Câmara dos Deputados aprovar o projeto de lei que obriga as companhias aéreas a oferecer o serviço de transporte de cães e gatos dentro da cabine de passageiros em voos domésticos, o Portal AM1 ouviu a opinião de passageiros sobre a proposta.

A maioria dos entrevistados concordou com a proposta e disse que esta é uma das melhores notícias para os tutores. Entretanto, a obrigatoriedade não agradou a pessoas com algum tipo de alergia, que terão que viajar na companhia dos pets.

Pessoas com rinite alérgica podem se incomodar com a presença de animais domésticos na mesma cabine da aeronave, pois a rinite é uma condição em que a mucosa nasal se inflama em resposta a alérgenos.

Os pelos de animais, particularmente cães e gatos, são alérgenos comuns que podem desencadear sintomas como espirros frequentes, coriza, congestão nasal, coceira no nariz, nos olhos ou na garganta, por exemplo.

“É para aliviar o ego”

A cozinheira Maurilene Pantoja Frazão afirma que não concorda com o projeto de lei, pois além de os cães, principalmente, incomodarem os passageiros, só demonstra como os valores atuais estão “invertidos”.

“Eu sou contra. Animal é animal, tem que ir em outro cômodo. O que aconteceu com aquele cachorro [Joca], foi um caso específico, não significa que vai acontecer com todos. Além disso, cachorro late, chora, solta pelo, enfim, incomoda igual criança”, detalha Maurilene.

José Pedro Dantas, de 42 anos, acredita que os deputados federais deveriam se preocupar com assuntos mais importantes, como educação e saúde, em vez de criar um projeto de lei para beneficiar os animais.

“Isso aí é para aliviar o ego das pessoas e não para realmente melhorar a qualidade do transporte dos gatos ou dos cachorros. Os deputados deveriam criar projetos de lei que possam mudar a educação ou a saúde, por exemplo, e não se preocupar com os bichos, que já têm uma vida confortável. Enquanto isso, os alunos padecem de uma escola com boa infraestrutura para estudar”, critica José Pedro.

Por outro lado, a gerente de vendas Rosi Acauan, que tem um pug braquicefálico e está acompanhando a tramitação da proposta, respondeu ao Portal AM1 que aprovou o projeto, pois traz qualidade de vida aos animais.

Quanto às pessoas que possuem alergias, ela sugere que a companhia aérea possa oferecer um serviço para atender às necessidades de todos os passageiros.

(Foto: Celso Maia/Portal AM1)

“Inclusive já tive situação de viajar com os meus pets, optei por vir de barco ou lancha, por conta de não ter o serviço [de transporte aéreo para eles]. Essa lei vai realmente facilitar e ajudar bastante no transporte dos animais que eles merecem, de fato, vir ao lado dos donos com segurança e o dono saber direito do que eles precisam, então eu sou super a favor e apoio demais”, relata Rosi.

Assim como Rosi, o engenheiro Marcelo Martins, que tem um buldogue francês chamado Lebron, gostou de saber que há uma lei para facilitar o transporte dos animais, que ele considera um avanço para a sociedade. Mas quando questionado sobre pessoas alérgicas nos voos que podem ter reações alérgicas ao pelo dos animais, Marcelo faz um comparativo.

(Foto: Celso Maia/Portal AM1)

“Mas pelo de animal, pra quem tem gato, tem na roupa. O gato indo ou não, a pessoa que tem um gato, que vai transportá-lo em avião, ele vai levar o pelo. A pessoa com rinite alérgica vai ter o mesmo problema sem o animal lá dentro [do avião]. Agora, vamos levar em consideração as crianças que choram, só porque é criança a gente tem que relevar? Fica aí uma questão, né?”, reflete o passageiro.

Opções

(Foto: Celso Maia/Portal AM1)

A analista Gabriele Ribeiro sugere que as companhias aéreas possam oferecer opções de viagem aos passageiros a fim de evitar os problemas citados anteriormente.

“Eu entendo que algumas pessoas são alérgicas e têm medo, e aí, eu acho que pode ser que tenham voos exclusivos para isso, para transportar os animais. As pessoas sabendo antes de comprar a passagem, eu acho que não atrapalha ninguém. Acho, ainda, que o ideal seria ter uma linha exclusiva onde é permitido [levar o animal], e quem quer levar compra sempre. Por exemplo, São Paulo-Manaus, voo de terça-feira pode, e aí quem quer levar o animal compra seu voo, e as outras pessoas não precisam se preocupar com isso”, sugere.

Para a acadêmica de enfermagem, Shirley Beatriz, responsável pelo Bebê, um Lulu da Pomerânia de seis meses, viagens em voos separados seriam uma das opções viáveis tanto para quem tem pets quanto para quem possui algum problema de saúde alérgico.

(Foto: Celso Maia/Portal AM1)

“Tudo depende de uma organização. Eles poderiam até deixar em voos separados: olha, nesse voo vai ter animais, quem tiver alergia ou asma, uma rinite, sinusite, essas coisas, já não vai [no mesmo]. Poderia ter esse aviso de escolha, né? Não sairia no prejuízo nem um lado, nem o outro, e a lei poderia entrar em vigor, seria muito bom”, ressalta.

Caso resolvido

(Foto: Celso Maia/Portal AM1)

O Portal AM1 encontrou um caso que foi resolvido no aeroporto de Manaus por uma companhia aérea sobre o transporte de um poodle de 10 anos chamado Max. O cão pertence ao venezuelano Leomar Contreras, técnico em sistemas. À reportagem, Leomar afirmou que deveria ter viajado com seu cão nesta quinta-feira (23), mas o voo foi cancelado e o pet iria junto dele, rumo à Venezuela, seu país de origem.

Como surgiram problemas devido ao caso Joca, um golden retriever que morreu no bagageiro de um avião por passar oito horas viajando por erro da companhia aérea, desta vez tudo foi resolvido.

Leomar contou que Max viajaria no bagageiro, mas a companhia permitiu que o cão viajasse com ele na cabine do voo doméstico, isento de pagar pelo lugar. A única exigência era levar o animal em uma casinha confortável para que ele pudesse viajar tranquilamente.

O que dizem as companhias

A LATAM informou ao Portal AM1 que acompanha de perto as discussões sobre o transporte aéreo de pets (cães e gatos). Qualquer mudança em suas operações, nesse sentido, será comunicada oportunamente pela companhia. Já a Gol Linhas aéreas não se manifestou até a publicação da matéria.

 

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