Manaus, 6 de julho de 2026
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Cidades

Turismo no Amazonas cresce, mas potencial econômico ainda é subaproveitado

Apesar do crescimento, especialistas afirmam que o Amazonas ainda pode expandir sua capacidade de atrair visitantes e explorar seu potencial turístico de forma mais ampla.

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Foto: (Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

Manaus (AM) – O turismo no Amazonas é um dos setores com maior potencial econômico para gerar renda na unidade federativa. No entanto, o volume de turistas que visita o estado ainda não reflete plenamente esse potencial, segundo dados oficiais.

As belezas naturais do Amazonas atraem turistas de todo o Brasil e do exterior. Dados recentes divulgados pelo Ministério do Turismo, Embratur e Polícia Federal indicam que, em 2024, os destinos amazonenses receberam mais de 28,4 mil turistas internacionais, representando um aumento de 18,2% em relação a 2023.

Somente em dezembro, 2.281 estrangeiros visitaram o estado. Apesar do crescimento, especialistas afirmam que o Amazonas ainda pode expandir sua capacidade de atrair visitantes e explorar seu potencial turístico de forma mais ampla.

Principais atrativos do estado

O Amazonas oferece atrações únicas, como a própria floresta amazônica, reconhecida por sua biodiversidade. O Teatro Amazonas, em Manaus, é um ícone histórico e símbolo da riqueza da época da borracha. Outro destaque é o Encontro das Águas, ponto onde os rios Negro e Solimões se encontram, formando um espetáculo natural único.

Apesar dos números indicarem crescimento, o setor ainda enfrenta desafios estruturais e precisa de investimentos estratégicos para consolidar o turismo como motor econômico do estado.

Turismo de base comunitária como estratégia sustentável

Entre os modelos turísticos emergentes, o turismo de base comunitária se destaca. Ele atua como uma estratégia sustentável para promover o desenvolvimento local em áreas protegidas, valorizando o protagonismo das comunidades tradicionais.

Na Comunidade Tumbira, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, a Pousada do Garrido opera sob esse modelo. Ao Portal AM1, o proprietário Roberto Garrido afirmou que a iniciativa contribui diretamente para a geração de renda local.

Conforme Garrido, 13 famílias da comunidade trabalham com turismo de base comunitária, totalizando cerca de 20 pessoas que obtêm renda diretamente dessa atividade.

“E agora, com o turismo, compro peixe, farinha, galinha, ovos, goma… Levo para fazer atividade com isso. Então, de melhoria, é uma renda que, de primeiro, não tinha, mas que hoje contribui muito. Diria, ainda, que hoje a renda da nossa comunidade do Tumbira, 70%, vem do turismo, sem medo de dizer, entendeu?”, disse ao Portal AM1.

Preservação cultural e ambiental

Uma das principais preocupações do turismo de base comunitária é conciliar geração de renda com preservação da biodiversidade e saberes locais. Garrido explica que o modelo aplicado na Comunidade Tumbira respeita esses princípios.

“Consegue juntar e valorizar o conhecimento caboclo para a geração de renda e, ao mesmo tempo, empoderar as famílias. Uma vez que você tem resultado positivo de alguma atividade feita por essa pessoa, empodera as pessoas e não perde a cultura local”, afirmou.

O turismo de base comunitária impacta a economia local ao valorizar e aproveitar os saberes tradicionais em atividades como pesca, cultivo e até caça, que, além de sustentar famílias, geram renda. Esse modelo também permite que moradores transmitam conhecimentos aos visitantes, oferecendo experiências autênticas e seguras, e criando empregos em áreas como culinária, hospedagem e condução de atividades na floresta.

“Todo serviço que oferecemos aproveita a mão de obra local, seja na culinária, nas camareiras, nos atrativos ou nas atividades extras, muitas vezes acampando na floresta com famílias locais. Tudo isso fortalece a renda da comunidade, o ponto econômico, e, como eu já disse, reforça os três pilares que menciono: econômico, ambiental e social. Isso fortalece muito a comunidade”, explicou Garrido.

Desafios e necessidade de investimento público

Para Garrido, o poder público, do nível municipal ao federal, precisa atuar de forma mais efetiva no setor. Ele afirma que grande parte dos investimentos atuais vem do terceiro setor, e não de políticas governamentais.

“A resposta seria muito fácil: conhecer a realidade de cada comunidade, investindo principalmente na área do empreendedorismo e no turismo, conforme a necessidade de cada empreendedor. Hoje, fala-se muito em preservação da Amazônia, principalmente pelo governo, tanto federal quanto municipal e estadual, mas não há um trabalho mais fortalecido deles em nenhuma comunidade ribeirinha ou indígena. Muitos dos projetos que existem vêm do terceiro setor”, disse Garrido.

A agência de viagens Jaguar Amazon Tours Shawn, que atua há 12 anos de forma independente, vê o turismo no Amazonas como um setor promissor, com grande potencial a ser explorado no estado. Em entrevista ao Portal AM1, representantes da empresa afirmaram que observaram aumento na procura pelos passeios nos últimos dois anos.

A empresa, especializada em passeios de aventura e de sobrevivência na selva, aponta que o público principal vem do mercado estrangeiro. Na percepção de Daniele Coimbra, representante da Jaguar Amazon Tours, questões ambientais globais têm ampliado o interesse por conhecer a região.

“Acredito que questões urgentes climáticas, como aquecimento global e grandes ameaça ao meio ambiente, têm atraído a atenção e preocupação do mundo todo. Dessa forma, cresce a curiosidade de pessoas de todas as partes em conhecer o maior bioma existente”, disse ao Portal AM1.

Impactos locais e geração de renda

Segundo a empresária, o aumento no fluxo de turistas pode gerar melhorias diretas para comunidades locais, transformando-se em fonte de renda para os moradores.

“Com o crescimento no fluxo de turistas, há uma melhoria, no nosso caso, na comunidade local onde são feitos os passeios de aventura e sobrevivência. Eles prestam suporte e também servem de atração turística, como a casa do ribeirinho. Muitas vezes essa é uma importante fonte de renda para moradores que, quando não têm o turismo, sobrevivem das atividades típicas como pesca, coleta e manufatura de produtos da região, como farinha e açaí”, afirmou Coimbra.

A representante avalia, no entanto, que o setor enfrenta dificuldades, principalmente pela falta de apoio governamental. Segundo ela, empresários do ramo atuam de forma independente, apoiados na divulgação pelas redes sociais e na experiência positiva dos visitantes, que retornam ou indicam os serviços a novos clientes.

Desafios e avanços no setor

Apesar da expansão do turismo, a ausência de políticas públicas locais e a alta carga tributária refletem-se em problemas urbanos, como a falta de arborização e o acúmulo de lixo, que prejudicam a experiência dos visitantes.

Em contrapartida, Coimbra ressalta que, no âmbito federal, avanços na agenda ambiental têm ampliado o interesse internacional pelo Amazonas. A pauta da preservação aparece como fator de atração para o turismo sustentável e reforça a necessidade de combater práticas predatórias.

“O governo deixa muito a desejar, já que pagamos bastante imposto enquanto não oferece uma cidade arborizada, tornando a sensação térmica ainda maior, com muito lixo e muitos pedintes. Já o Governo Federal tem trazido a pauta da conservação e preservação ambiental, o que tem atraído turistas de todo o mundo. Penso que é uma importante pauta, já que a degradação e destruição do meio ambiente através da exploração, seja da madeira, de minérios e outras formas, afasta e deturpa a imagem da capital da Amazônia”, explicou.

 

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