Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

UEA prorroga contrato milionário com empresa ligada ao presidente da Aleam, Roberto Cidade

A RR Serviços de Transporte e Navegação é apontada nos bastidores da política amazonense como diretamente ligada ao presidente da Aleam, deputado Roberto Cidade.

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(Foto: Joel Arthus/Aleam)

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) renovou um contrato de R$ 7,56 milhões para locação de veículos com a empresa RR Serviços de Transporte e Navegação Ltda., em mais um movimento que reforça a concentração de contratos públicos em grupos empresariais ligados ao núcleo político que comanda o Estado sob o governo de Wilson Lima (União Brasil).

O termo aditivo do Contrato nº 043/2023, assinado em 28 de novembro de 2025, prorroga por mais 12 meses a prestação de serviços de locação de vans e picapes zero quilômetro, com motorista e combustível, para atender as unidades da UEA no interior do Amazonas. O valor mensal do contrato chega a R$ 630,2 mil, somando R$ 7.562.640,00 ao final do período .

O que chama atenção não é apenas o montante elevado, mas quem está por trás da empresa. A RR Serviços de Transporte e Navegação é apontada nos bastidores da política amazonense como diretamente ligada ao presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado Roberto Cidade (União Brasil) — aliado político de primeira linha do governador Wilson Lima e peça central na sustentação do governo no Parlamento.

Roberto Cidade, apesar de exercer cargo eletivo, tem seu nome frequentemente associado a um grupo empresarial que acumula milhões em contratos com o Governo do Amazonas, em diferentes secretarias e órgãos da administração direta e indireta. A recorrência desses contratos levanta questionamentos sobre conflito de interesses, favorecimento político e captura da máquina pública por aliados estratégicos do Palácio do Governo.

Sob a gestão de Wilson Lima, o discurso de austeridade e eficiência administrativa contrasta com a manutenção de contratos robustos com empresas politicamente conectadas, mesmo em um cenário de dificuldades financeiras enfrentadas pelo Estado, cortes em áreas sensíveis e críticas recorrentes à qualidade dos serviços públicos, especialmente no interior.

No caso da UEA, a prorrogação ocorre sem que o governo apresente de forma clara estudos comparativos de custo-benefício, alternativas logísticas ou justificativas públicas detalhadas que expliquem por que um único contrato de transporte consome mais de R$ 7,5 milhões em apenas um ano, enquanto a universidade enfrenta desafios estruturais, acadêmicos e orçamentários.

Aliados

A proximidade entre o governador Wilson Lima e o presidente da Aleam, Roberto Cidade, não é segredo. A relação política sólida garante governabilidade ao Executivo, mas, na prática, também blinda contratos, silencia fiscalizações mais incisivas e transforma aliados em protagonistas recorrentes dos maiores negócios com o Estado.

Mais do que um contrato de transporte, o caso expõe um modelo de gestão que concentra recursos públicos em círculos políticos restritos, enfraquece a transparência e reforça a percepção de que, no Amazonas, estar próximo do poder segue sendo um diferencial decisivo para fazer negócios milionários com dinheiro público.

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