Foto: Reprodução
MANAUS, AM – Numa tentativa de se redimir com o público feminino, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) resolveu homenagear sua esposa e suplente, dona Sandra Braga, nesta sexta-feira (17), a fim de desviar o foco da violência que praticou contra a ministra Flávia Arruda, da Secretaria de Governo da Presidência.
Na homenagem, o senador postou um vídeo entregando flores para a esposa, e na legenda, disse que ela é a sua “Mulher-Maravilha”, que está com ele há quase 40 anos. ” Um Sextou cheio de amor! E não é de hoje; são mais de 40 anos com uma “Mulher Maravilha”. Companheira, minha paixão, mãe das minhas filhas e a vovó mais linda que eu conheço”, escreveu o senador na legenda.
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No entanto, a homenagem faz um contraste com a violência política de gênero praticada contra a ministra Flávia Arruda, no início da semana. No último domingo (12), o parlamentar teria ligado para a ministra para pedir a liberação de emendas para o Amazonas.
O tom da conversa, no entanto, não foi nada amistoso, segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo. Por telefone, Braga gritou com a ministra e falou palavrões, o que atacou o emocional de Flávia Arruda e a fez chorar, sem terminar a conversa. Aos prantos, ela passou o telefone para o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), para que este tentasse acalmar o senador.
Solidariedade
A ministra recebeu a solidariedade de senadoras, deputadas e até mesmo do senador Telmário Mota (PROS-RR), de quem recebeu flores. O governador Wilson Lima (PSC-AM) também enviou suas solidariedades à Flávia Arruda, dizendo que o Amazonas “repudia esse tipo de comportamento”.
“Minha solidariedade à ministra-chefe da Secretaria de Governo do Brasil, @FlaviaArrudaDF, que foi agredida por um senador conhecido por sua arrogância e brutalidade. Como lhe disse pelo telefone, o povo do AM repudia esse tipo de comportamento. Aqui, esse tempo acabou!”, escreveu Wilson no Twitter.

Violência política
A ativista feminista Vitória Pinheiro ressalta que é preciso que as mulheres estejam atentas ao aumento da violência política, uma vez que ela assume as mais variadas formas. “Em ambientes dominados pelo machismo, como o atual cenário da política brasileira, isso tem consequências graves não só no campo político, mas na vida real”, alertou.
Para a assistente social Marklize Siqueira, infelizmente, nenhuma mulher está livre de passar por uma situação como essa. Ela aponta que as mulheres têm ocupado espaços de poder, e que já se deram conta de que a violência política infelizmente pode acontecer.

Segundo Marklize, que é mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e presidente do PSOL Mulher no Amazonas, a violência pode ser velada, sutil, simbólica, intimidadora, legalista e explícita quando desqualifica aspectos físicos ou se expressa por meio de humilhações e agressões.
A violência política de gênero se caracteriza por formas de tratamento que ocasionam o silenciamento de mulheres, tentam impedir sua presença pública, seu protagonismo nas diferentes representações de mulheres ou cargos que possam exercer de função política. Qualquer autoridade que cometa esse ato deve rever sua postura e construir novas relações. A construção de uma sociedade livre de violência deve ser uma tarefa de todos, todas e todes e, em especial, da classe política responsável por manter os patamares democráticos”, completou.

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