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Vendedores reclamam de falta de movimento no Shopping Phelippe Daou

Centro comercial foi inaugurado em 2017 para abrigar ex-camelôs; realidade atual, no entanto, passa longe da prosperidade para lojistas
Lucas Rodrigues – Portal AM1
• Publicado em 18 de setembro de 2021 – 20:00
Phelippe Daou
Movimento no Shopping Phelippe Daou ainda preocupa. Foto: Andressa Libório/Amazonas1

MANAUS, AM – Localizado no bairro Cidade de Deus, na fronteira entre as zonas Leste e Norte de Manaus, o Shopping Phelippe Daou foi inaugurado em dezembro de 2017, no fim do primeiro ano do segundo mandato de Arthur Neto (PSDB), com a promessa de abrigar os camelôs que trabalhavam no Centro de Manaus e ser um grande centro de compras para a região ficou só no papel. Passados quatro anos, no entanto, a realidade é outra: muitos camelôs saíram do local por não conseguirem vender e ter lucro.

O shopping tem capacidade para 559 boxes. No local, ainda funcionam postos de serviços, como o Sine e o Manaus Atende, e um ponto de vacinação contra a covid-19. Conforme dados da Prefeitura de Manaus, quando o shopping foi inaugurado, 519 lojistas assinaram um termo de uso dos espaços.

Hoje, a realidade é diferente. Algumas lojas-âncora que tinham sediadas no Phelippe Daou até faliram, e muitos lojistas deixaram os boxes que ocupavam no Centro Comercial porque simplesmente não tinham renda. Atualmente, boa parte dos boxes está fechada, e somente uma parte funciona. Ex-vendedores que hoje estão em outros locais creditam a saída à falta de circulação da população. Se a população não circula, não há compra.

Leia mais: Ponto de vacina no shopping Phelippe Daou é alterado a partir desta quarta-feira

O drama

Desamparados e desesperados, vendedores saíram do Shopping e passaram a ficar nas redondezas. Foi o caso do vendedor Evanildo Meira, de 63 anos, que mantém uma banca de venda de acessórios na calçada de uma drogaria próxima à Feira do Produtor. “Eu saí de lá porque simplesmente não tem movimento. Não dá pra ficar trabalhando em um local que não tem movimento. A gente não vai ganhar dinheiro”, afirmou.

O agora vendedor ambulante Osvaldo Ferreira diz a mesma coisa. Ele veio do Centro da cidade, onde trabalhava como camelô, em 2017, quando o shopping inaugurou. Mas com a falta de movimento e a pandemia do novo coronavírus, ele se viu obrigado a deixar o centro comercial e ir para fora. Estacionado em frente ao Phelippe Daou, ele vende roupas a preços baixos, e garante que é daí que tira seu sustento.

Boxes fechados são a realidade em boa parte do centro comercial. Foto: Andressa Libório/Amazonas1

“Lá dentro do shopping eu não conseguia vender nada. Hoje, aqui fora, eu posso dizer que sobrevivo. Eu vi muitas lojas falirem lá dentro, vi amigos meus saírem, e hoje sou eu que estou aqui fora. Quando eu vim para cá, tive que pedir para o secretário Renato Júnior para eu ficar aqui. Implorei, expliquei minha situação, e ele deixou”, relembra.

Nova rotina

Osvaldo ainda diz que sua rotina de trabalho é comparável à de quando trabalhava no Centro. Com a mercadoria na rua, em seu carro, os pedestres passam e compram, e as vendas melhoraram. No momento em que ele era entrevistado pela reportagem, inclusive, conseguiu fazer quatro vendas de roupas.

“No Centro era assim. Estávamos no meio dos clientes, e como era uma área de circulação grande, era inevitável que eles passassem pela gente. Aqui, agora é a mesma coisa. Os clientes que vêm do terminal 4 ou da Feira do Produtor passam pela gente, veem a mercadoria, e compram”, afirma.

O ambulante é categórico em dizer que, nas mãos da prefeitura, o centro comercial nunca vai funcionar. “Se a prefeitura entregar o shopping via licitação na mão dos empresários, vai funcionar. Sinceramente, na administração da prefeitura não está funcionando, e se os empresários estivessem cuidando, funcionaria. Funcionaria porque eles fazem estudos, sabem o que dá certo, sabem o que funciona, e são inteligentes nessa parte”, diz.

Movimento era fraco também após a inauguração, em 2017. Foto: Alex Pazuello/Semcom

Situação “melhor”

No entanto, quem ainda trabalha dentro do centro de compras garante que a situação melhorou, ainda que pouco. É o caso da lojista Aurizete Mendes, que é presidente da Comissão de Lojistas do shopping. Segundo ela, a situação financeira melhorou depois que a prefeitura instalou, no local, um posto de vacinação contra a covid-19.

“De fato, o movimento estava muito fraco aqui dentro. Tivemos que apelar para a prefeitura fazer alguma coisa, senão iríamos continuar no prejuízo. Foi aí que o prefeito trouxe a vacinação contra a covid-19 aqui. Foi o que nos salvou”, diz Aurizete.

A equipe de reportagem do Amazonas1 permaneceu por cerca de 30 minutos dentro do centro comercial. Na ocasião, havia pouquíssimo movimento de clientes. “Os clientes mesmo só aparecem de manhã, no começo da manhã. De tarde é mais parado”, afirmou a presidente da comissão.

A lojista diz que ainda assim, o shopping precisa de reparos, coisas que somente a Prefeitura de Manaus pode fazer para tentar melhorar a situação. “Estamos precisando de pinturas, de boa iluminação. Se a gente for olhar, o shopping está cru, no cimento. E a gente precisa atrair os clientes, e precisamos de uma boa reforma para que isso dê certo”, completou.

A reportagem questionou a Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc) sobre a atual situação dos lojistas e do shopping, bem como medidas para sanar os problemas relatados pelos lojistas e ex-lojistas. No entanto, até a finalização desta reportagem, não houve qualquer retorno.

Confira mais detalhes na reportagem de Lucas Rodrigues e Andressa Libório:

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