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Venezuelanos fogem de ‘deportação’ e se espalham nas áreas centrais de Manaus

• Publicado em 09 de abril de 2017 – 20:24
Na esquina da Rua Pará com a Avenida Djalma Batista, mulheres e crianças da etnia Warao pediam esmola – (Foto: Amazonas1)

MANAUS – Eles deveriam ter retornados ao seu País de origem no dia 2 de abril, mas até este domingo, 9, dezenas de índios venezuelanos podiam ser vistos pedindo esmola nas principais avenidas da zona centro-sul de Manaus, como a Avenida Djalma Batista, Rua Pará e no Boulevard Álvaro Maia.

O retorno deles para a Venezuela foi programado no dia 20 de março pela  Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) com o apoio de 22 instituições públicas e da sociedade civil do Amazonas. Na época, a secretária da Sejusc, Graça Prolla, disse que 88 indígenas da etnia Warao que estavam distribuídos entre o Terminal Rodoviário de Manaus e o Centro da capital voltariam para Venezuela.

Os ônibus iriam levar os indígenas venezuelanos até o município roraimaense de Pacaraima, na fronteira com a cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén. “Nós alugamos dois ônibus: um será custeado pelo governo do estado e outro pela prefeitura de Manaus para fazer o retorno das pessoas que querem ir, que manifestam o desejo de ir”, afirmou, na ocasião, Graça Prola. O Amazona1 tentou contato neste fim de semana com a secretária Sejusc, mas não obteve sucesso.

No sábado, 8, comerciantes que atuam na Djalma Batista informaram que pelo menos 30 venezuelanos saíram do Terminal Rodoviário, localizado na mesma avenida, em busca de outros pontos  para se abrigarem.

“Eles andam em grupos sempre acompanhados de muitas crianças e quando avistam carro de polícia se afastam para tirar a atenção”, disse Mário César Mendes, dono de uma pizzaria. “Eles sempre estão pedindo comida aqui, mas nossa principal preocupação é com as crianças”, disse.

No boulevard Álvaro Maia, a gerente de uma drogaria Mayara Gonçalves informou que o grupo que fica nas adjacências é diferente do que se abriga em pontos da Djalma Batista. “Esse grupo de índios venezuelanos do boulevar é o mesmo que estava na Avenida Eduardo Ribeiro, do Centro. Eles saíram porque foram ameaçados de deportação. Com toda certeza não querem voltar para o País dele”, disse ela.

A assistente de Serviço Social Mônica Dias, de uma ONG que atua no acompanhamento dos índios venezuelanos, disse que uma das  principais dificuldades das autoridades para dar apoio às famílias é a recusa deles de saírem das ruas para abrigos. “Eles são de uma cultura nômade e por isso não aceitam oferta de abrigo do Poder Público. O grande problema é que eles colocam suas vidas e as vidas das crianças em risco”, disse.

Inquérito civil

Um inquérito civil foi instaurado pelo Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM), para acompanhar medidas de apoio aos indígenas Warao, imigrantes da Venezuela que estão acampados na rodoviária de Manaus. O MPF solicita informações de órgãos públicos ligados a assistência social, direitos humanos e indígenas, sobre as medidas adotadas para garantir o atendimento humanitário aos refugiados.

Na portaria de instauração do inquérito, o MPF aponta que é necessária a adoção de medidas concretas em apoio aos indígenas Warao, em especial aqueles em situação de rua, como a destinação de locais para abrigo, alternativas de retorno ao país de origem aos que desejarem, além da construção de política integrada para atendimento às crianças indígenas em situação de vulnerabilidade.

Ainda segundo o MPF, as alternativas devem ser construídas com a participação do povo Warao, por meio da autodeterminação e consulta aos líderes e integrantes da etnia no município de Manaus, o que constitui um direito do povo indígena.

 

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