Vera Lúcia Castelo Branco é advogada, delegada e pré-candidata ao cargo de vice-governadora, na chapa do ex-vice-governador do estado, Henrique Oliveira, ambos do Podemos. A pré-candidata foi deputada estadual no Amazonas por dois mandatos (2006 a 2014), é ex-esposa do ex-deputado federal, Sabino Castelo Branco e mãe de seis filhos, entre eles, o ex-vereador Reizo Castelo Branco.
Em entrevista exclusiva ao Portal AM1, a pré-candidata afirmou que o desejo de ser vice-governadora é algo que sempre vislumbrou com a finalidade de ‘ser mais útil’ ao povo do Amazonas, uma vez que, segundo ela, com esse cargo, terá, de fato, a ‘caneta nas mãos’ para tomar decisões importantes para a população.

Questionada se não via como problema compor a chapa com Henrique Oliveira, pela questão da cassação quando o pré-candidato a governador foi vice do ex-governador José Melo (PROS), a ex-deputada afirmou que está muito tranqüila em relação a isso e que Henrique não cometeu nenhuma falcatrua.
Vera disse, ainda, que acredita no êxito de uma terceira via nas eleições do Amazonas, se referindo à chapa a qual ela compõe com Oliveira. Segundo ela, basta para isso ter: currículo, idoneidade e competência.
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AM1: Fale um pouco sobre a sua decisão em disputar o cargo de vice-governadora junto ao ex vice-governador, Henrique Oliveira:
Vera Castelo Branco: Na verdade, é um cargo que eu ainda não tive nenhuma incursão direta. No Legislativo, eu já tive dois mandatos, só que o quê a gente vê é que o Legislativo, ele tem uma limitação muito grande, fazemos indicação, levamos a ansiedade da população ao Executivo, mas praticamente você pode ou não pode, e, na maioria das vezes, podemos não ser atendidos naquelas reivindicações que fazemos como representantes do povo.
Eu sempre pensava ‘Meu Deus, eu preciso ser mais útil ao nosso povo’, e uma das formas que a gente vislumbra é essa, estando realmente com a caneta nas mãos para poder tomar (decisões) ou levar as políticas que são tão importantes para a nossa população.

AM1: O último ano que a senhora disputou uma eleição foi em 2018, momento que não alcançou os votos necessários para ser eleita a deputada estadual. Em algum momento, a senhora pensou em não voltar à vida pública?
Vera Castelo Branco: O ano de 2018 foi uma campanha inusitada. Tinha a ”onda Bolsonaro”, então bastava colocar uma foto do Bolsonaro, que nem precisava colocar a foto do candidato e eu não estava fazendo parte dessa campanha, enfim. Nós também não tivemos muito apoio do partido (PTB).
Mas vamos retroagir um pouquinho mais, no ano de 2014, quando eu fui candidata pela terceira vez à reeleição e obtive quase 20 mil votos, infelizmente não fui eleita, por questão de legenda partidária, o que não vai ocorrer nesta eleição. Muitos deputados que foram eleitos, quatro, se não me engano, foram eleitos com muito menos votos do que eu.
Além disso, teve a outra questão que na família tivemos dois candidatos a deputado estadual, eu e meu filho, Reizo (Castelo Branco). O pai (Sabino Castelo Branco) achou por bem lançar os dois, já que eu estava muito bem nas pesquisas no interior do estado, onde realmente sempre foi assim. Então, eu tinha uma boa perspectiva de me eleger como foram das primeiras vezes, porém, teve essa questão familiar, mas está tudo bem, foi tudo na direção do que Deus tem para a gente.

Não pensei em não voltar. Antes, da primeira vez, eu não pensava em me candidatar, nunca me imaginei na política. Sou delegada, mas depois que você entra (na política), você é ‘picado por aquela coisinha’, aquele contato que você tem com a população mais carente, a do interior, que para mim é uma questão de paixão, é algo que amo, eu amo estar no interior, estar em contato, trazer os anseios dessa população para dar visibilidade.

AM1: No início de março, o AM1 já tinha a informação de que a senhora seria vice na chapa do Henrique, mas ainda existia a possibilidade do Podemos fechar ou não uma federação com outra legenda. Comente sobre isso:
Vera Castelo Branco: Eu ainda estava no PTB nessa época, no início de março, mas como o Henrique (Oliveira) reportou havia algumas tratativas, mas nada muito certo. Com o Henrique, realmente, eu fico muito à vontade, porque o conheço muito bem, sei que é uma pessoa de uma índole maravilhosa, uma pessoa do bem mesmo e quando ele me convidou eu, de pronto, aceitei.
AM1: A senhora, em algum momento, não pensou que por conta do que aconteceu com o Henrique, junto ao ex-governador José Melo, poderia lhe prejudicar?
Vera Castelo Branco: Não pensei isso, sabe por quê? Porque o Henrique foi um vice que estava completamente isolado. O governador, à época, era o ‘mandachuva’, digamos assim, e o Henrique ficou muito isolado, ele tinha o poder institucional, mas politicamente ficou de mãos atadas.
Ele não cometeu nenhuma falcatrua, nada [..] tampouco foi provado e jamais poderia ser provado. Estou muito tranquila em relação a isso.
AM1: Fale um pouco como a senhora vê o cenário político atual aqui no Amazonas e no país:
Vera Castelo Branco: Aqui, no Amazonas, não está tão polarizado, eu não vejo uma polarização assim como no cenário nacional. Acho que tem espaço, hoje, para a terceira via, basta que as pessoas tenham realmente credibilidade para se colocar no ‘páreo’, como é o caso do Henrique.
O Podemos segue uma linha de que não é de esquerda e nem de direita, o lema é ‘ir pra frente’, isso é um dos ‘motes’ do Podemos: ‘É para frente que se anda’. Essa questão de esquerda, direita está ficando muito ultrapassada e historicamente a gente vê que isso não é bom, essa questão de polarização. Então, a gente tem que olhar para o nome, para o currículo, para idoneidade, para a competência, tanto no cenário estadual, como também no nacional.
Claro que o Podemos tem uma tendência no segundo turno, se tiver, de apoiar o Bolsoraro e a gente está aqui para acompanhar o partido.

AM1: Vamos falar agora sobre suas propostas de campanha, projetos, ações. Por que quer ser vice-governadora?
Vera Castelo Branco: Eu tive dois mandatos e fui muito presente no interior. Quando eu fui eleita a primeira vez, foi com 14 mil votos e foram 10 mil na capital, restando quatro mil no interior.
Eu fui eleita e me vi naquele momento meio assim: ‘Oh, meu Deus, e agora?! Foi a época da separação, com o meu ex-esposo, pai dos meus filhos e eu me vi e falei: ‘Ah, e agora, eu sou deputada?’ Porque era um mundo que eu ainda não conhecia, mas com toda a minha coragem, essa minha ousadia, eu comecei a ir para o interior, a lugares que nunca ninguém tinha ouvido falar no meu nome e eu chegava fazendo pequenas reuniões em comunidades rurais e falava: ‘Eu sou Vera Castelo Branco, talvez vocês não saibam, mas eu sou deputada do Amazonas. Sou deputada de quem votou e de quem não votou. Estou aqui para conversar, para saber quais as necessidades para eu poder levar ao Executivo e dar o encaminhamento necessário’.
E nisso, passei a ser conhecida e, graças a Deus, tive e fiz o meu espaço, assim no ‘machado’ mesmo, como sempre foi a minha vida. No segundo mandato, tive 24 mil votos, sendo 14 mil votos provenientes do interior. Eu não tive rejeição, não tenho, graças a Deus, dois mandatos sem rejeição e isso é super importante.
E eu sou essa pessoa, não diria humilde, porque é uma palavra até meio que demagógica, mas eu sou muito simples, muito tranqüila e sei transitar em qualquer lugar que for necessário. Nós sabemos e conhecemos as especificidades do nosso interior.

Eu sempre militei muito na área de produção de alimentos, falo como um todo, não falo somente de agricultura familiar e assuntos que, hoje, estão muito populares, falo como um todo, produção de alimentos, que acho super importante.
Também como mulher, representando a mulher no mercado de trabalho. Eu fui advogada da Moto Honda, assim que eu me formei, eu era advogada júnior, tinha isso, porque lá tem uma hierarquia japonesa e tem de se rezar a cartilha. Então, eu ia de boné, de uniforme branco e eu não tinha o mesmo salário que os demais advogados homens. Eles também, recém-formados, não eram ‘advogados júnior’, isso era para justificar o meu salário menor. Tudo isso serviu para eu poder dizer, hoje, que tenho experiência própria, vivência para falar sobre isso, sobre o mercado de trabalho, sobre essa discriminação da mulher.
Sou uma mulher de múltiplas bandeiras. Quando eu fui eleita todo mundo dizia: ‘Ah, sua bandeira é a segurança pública, porque você é delegada’ e eu falava: “Não, a minha bandeira é essa também, mas sou de múltiplas bandeiras, quero defender todas as bandeiras’.
Quero ser vice-governadora para ter a caneta nas mãos, para poder atender aquilo que não foi possível eu atender como deputada. Porque sempre as minhas reivindicações eram muito justas, sob o ponto de vista das pessoas que nos elegem, das pessoas que acreditam que a gente vai fazer alguma coisa e, muitas vezes, as pessoas não entendem quando você não consegue a meta que eles almejam, porque você não tem o poder de mando e, no Executivo, é muito diferente. Eu já tenho toda essa bagagem para chegar lá e dar vazão a essas problemáticas.
Fotos: Érick Bitencourt e divulgação





