(Foto: Divulgação/Assessoria/Wilson Lima)
Manaus (AM) – A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorrida neste sábado (22) pela Polícia Federal em Brasília, provocou reações em todo o país. E, como já era previsível, o governador do Amazonas, Wilson Lima, correu para as redes sociais em mais um gesto calculado de aproximação com o bolsonarismo.
Na redes sociais, Wilson classificou a prisão como “desproporcional e desnecessária”, pedindo “equilíbrio, serenidade e pacificação”. O discurso não surpreende: pré-candidato em potencial ao Senado em 2026, o governador tem buscado cada vez mais agradar o eleitorado bolsonarista — participa de manifestações, repete bordões do grupo e nunca perde a chance de se posicionar sempre que Bolsonaro enfrenta um revés judicial.
A defesa fervorosa que faz do ex-presidente contrasta com o silêncio que costuma adotar diante das crises internas do próprio Estado que governa.
Enquanto Wilson Lima tenta faturar politicamente, o caso que levou Bolsonaro à prisão preventiva é grave. Segundo a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica durante a madrugada de sábado, numa clara tentativa de fuga, aproveitando a confusão provocada por uma vigília convocada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro. A própria Polícia Federal solicitou a prisão, autorizada em seguida pelo Supremo.
Viaturas descaracterizadas foram até o condomínio do Jardim Botânico, onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar. Ele foi levado para a superintendência da PF por volta das 6h35, sem algemas, conforme determinação de Moraes. A decisão também aponta que outra figura envolvida na trama golpista, Alexandre Ramagem, já deixou o país, o que reforçou o risco de fuga.
A convocação da vigília e a violação da tornozeleira pesaram na nova ordem de prisão. Moraes determinou ainda audiência de custódia neste domingo (23) por videoconferência, atendimento médico 24h e restrição total de visitas, exceto advogados e equipe de saúde.
Condenado a 27 anos e três meses por participação no núcleo golpista, Bolsonaro pode ter a pena executada nas próximas semanas. Desde agosto, ele já cumpria prisão domiciliar por violar medidas cautelares — entre elas, o uso obrigatório da tornozeleira e a proibição de usar redes sociais.
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