Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Wilson Lima depende de ausência de Alberto Neto para vaga ao Senado, diz pesquisa

Na pesquisa do Real Time Big Data, foram construídos três cenários diferentes, todos marcados por disputas acirradas.

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(Foto: Antônio Lima/Secom & Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Manaus (AM) – O governador Wilson Lima (União Brasil) só tem mais chances de conquistar uma vaga para o Senado nas Eleições Gerais de 2026 caso o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) não participe da disputa. É o que aponta a pesquisa do Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira (15).

Na pesquisa do Real Time Big Data, foram construídos três cenários diferentes, todos marcados por disputas acirradas.

Ao todo, foram ouvidos 1.200 eleitores entre os dias 11 e 12 de dezembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com índice de confiança de 95%.

No primeiro cenário, Alberto Neto lidera com 22%, seguido pelo senador Eduardo Braga (MDB), com 20%. O governador do Amazonas, Wilson Lima (União), aparece com 16%, enquanto o senador Plínio Valério (PSDB) registra 11%. Já o ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) soma 9%, e Marcos Rotta (Avante), ex-vice-prefeito de Manaus, alcança 7%.

No segundo cenário, Braga e Alberto Neto aparecem empatados com 22%. A empresária Maria do Carmo Seffair (PL) soma 13%. Plínio Valério e Marcelo Ramos registram 9% cada, enquanto Rotta marca 8%.

Já em outro cenário, sem Capitão Alberto Neto, Braga chega a 22%, seguido por Wilson Lima, com 17%. Maria do Carmo aparece com 16%, Plínio Valério soma 12%, Rotta registra 9%, e Marcelo Ramos alcança 8%.

O sociólogo e professor do departamento de ciências sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Gilson Gil, avalia que a eleição para o Senado é “peculiar”.

Na análise do sociólogo, Wilson Lima enfrenta entraves na capital amazonense em razão de elevada rejeição em Manaus. No interior, o governador também encontra dificuldades, sobretudo pela concorrência com Eduardo Braga (MDB), Plínio Valério (PSDB), Marcos Rotta (Avante) e Marcelo Ramos (PT).

“Wilson tem muitos problemas na capital, que o rejeita bastante. Por outro lado, enfrenta concorrência forte no interior, tanto de Eduardo como de Plínio Valério, Marcos Rotta até de Marcelo Ramos”, disse Gilson Gil ao Portal AM1.

Para o sociólogo, Wilson Lima precisa estabelecer maior capilaridade no interior do Amazonas e reduzir a rejeição na capital para que seu projeto de eleição ao Senado não se torne inviável.

“Wilson precisa se firmar no interior como alguém com muitos votos e reduzir a rejeição na capital. Caso não consiga isso, sua eleição para o Senado será inviável”, explicou.

Embora busque afastar discursos sobre a disputa ao Senado, Wilson Lima, conforme indicam as pesquisas, tem perdido espaço para Eduardo Braga e Capitão Alberto Neto, nomes que já lançaram suas pré-candidaturas ao Senado nas eleições de 2026.

Contextualização

Para contextualizar o cenário eleitoral das Eleições Gerais de 2026, o cientista social e especialista em filosofia e sociologia Gade Pedroza explica que nem sempre há coerência entre o voto para governador ou presidente e a escolha de senadores e deputados. Segundo ele, esse comportamento é comum e faz parte da dinâmica eleitoral, na qual o eleitor avalia interesses imediatos ou projeções futuras no momento da decisão.

De acordo com Pedroza, é frequente que o eleitor escolha um candidato ao Executivo de determinado campo político e, ao mesmo tempo, vote em candidatos ao Legislativo de outro espectro.

“Nem sempre os eleitores votam nos candidatos ao chefe do Executivo que estão no mesmo campo político dos candidatos a legisladores”, afirmou, ao destacar que esse movimento depende do que o eleitor considera mais conveniente no curto, médio ou longo prazo.

Ao tratar especificamente de Wilson Lima, Gade Pedroza reconhece que o governador parte com vantagens institucionais, sobretudo pelo apoio da máquina administrativa estadual e pela sinalização pública do vice-governador, Tadeu de Souza (Avante), de que deve apoiá-lo em uma eventual candidatura ao Senado. No entanto, ele ressalta que essa vantagem é relativizada pela entrada de Capitão Alberto Neto na disputa, já que ambos compartilham o mesmo campo político.

“O governador Wilson Lima pode ser candidato ao Senado, e a vida dele tende a ser facilitada porque contará com o apoio da máquina, considerando que o vice-governador, Tadeu de Souza, já demonstrou, em declarações públicas, que o apoiará na disputa ao Senado. Agora, veja só: o deputado Alberto Neto está inserido no mesmo campo e espectro político do governador Wilson Lima. Assim, essa disputa dentro do mesmo campo político leva à divisão de votos e à fragmentação do eleitorado”, explicou.

Segundo Pedroza, enquanto Wilson Lima conta com a estrutura do governo, Alberto Neto se destaca pela forte inserção midiática, o que tende a tornar a disputa intensa tanto na capital quanto no interior do estado.

O cientista social destaca que a capital amazonense se apresenta como um dos principais desafios para o governador, em razão da rejeição associada à condução da pandemia, enquanto Alberto Neto encontra maior força eleitoral em Manaus. Já no interior, o cenário se inverte parcialmente, com menor rejeição a Wilson Lima e menor popularidade do deputado federal. Para ele, o desfecho da disputa dependerá da capacidade de articulação política e da formação de alianças nos próximos meses.

“O governador Wilson Lima tem a máquina e o apoio de quem ficará à frente do governo enquanto durar a campanha eleitoral. Do outro lado, está o deputado Alberto Neto, que tem grande inserção midiática. Assim, a disputa tende a ocorrer com muita força na capital, onde se concentra a maior parte do eleitorado, mas também no interior. Na capital, Wilson Lima enfrenta elevada rejeição devido à forma como conduziu a pandemia, enquanto no interior essa rejeição é menor. Já a popularidade de Capitão Alberto Neto não é muito expressiva no interior, mas é consideravelmente maior na capital”, concluiu.

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