Wilson Lima (Foto: Agência Senado)
Manaus (AM) – A eleição de 2026 colocou um ponto fora da curva na trajetória política dos governadores do Amazonas. Wilson Lima (União) terminou em quarto lugar na disputa pelo Senado, com 456.854 votos, ou 11,89% dos votos válidos, e se tornou o primeiro ex-governador eleito pelo voto popular, dentro do período democrático recente, a tentar uma vaga no Senado e não conseguir.
O resultado interrompe uma sequência que atravessou diferentes ciclos políticos no Estado. Desde a retomada das eleições diretas para governador, políticos que chegaram ao comando do Amazonas pelo voto e posteriormente disputaram o Senado conseguiram chegar à Casa.
Wilson, porém, não repetiu o caminho de seus antecessores. A diferença fica ainda mais evidente quando os números de 2026 são comparados com o desempenho do ex-governador na eleição anterior. Em 2022, Wilson foi reeleito com 1.039.192 votos, o equivalente a 56,65% dos votos válidos, a maior votação de sua carreira. Quatro anos depois, recebeu menos da metade desse eleitorado: foram 582.338 votos a menos.
Na corrida pelo Senado, Wilson ficou atrás de Eduardo Braga (MDB), eleito com 1.240.471 votos; Plínio Valério (PSDB), com 948.793; e Capitão Alberto Neto (PL), com 909.155. Braga e Plínio ficaram com as duas vagas em disputa.
De Mestrinho a Omar: a rota que Wilson não conseguiu repetir
O histórico ajuda a dimensionar o resultado. Gilberto Mestrinho foi eleito governador em 1982 e voltou ao cargo em 1990. Em 1998, seis anos depois de deixar o governo pela segunda vez, foi eleito senador pelo Amazonas com 405.131 votos, ou 49,88% dos válidos. Mestrinho ainda tentou a reeleição em 2006, mas terminou em terceiro, com 16,98%.
Amazonino Mendes seguiu uma trajetória diferente. Eleito governador em 1986, deixou o cargo em 1990 para disputar o Senado e venceu com 338.631 votos, 63,36% dos válidos. Depois, voltou ao governo estadual e também comandou Manaus.
O caminho também foi percorrido por Eduardo Braga. Eleito governador em 2002 e reeleito em 2006, deixou o cargo para disputar o Senado em 2010. Naquele ano, venceu com 1.236.970 votos, 42,07% dos válidos, e posteriormente conquistou mais dois mandatos, em 2018 e 2026.
O último caso antes de Wilson foi Omar Aziz. Vice-governador de Braga por dois mandatos, Omar assumiu o governo em 2010 após a renúncia do titular para disputar o Senado. No mesmo ano, foi eleito governador com votação recorde à época. Quatro anos depois, deixou o governo e venceu a eleição para o Senado com 933.996 votos, 58,51% dos válidos.
Wilson chegou ao auge e terminou em quarto
A trajetória de Wilson torna o resultado de 2026 ainda mais expressivo. Eleito governador pela primeira vez em 2018, Wilson recebeu 1.033.954 votos no segundo turno e derrotou Amazonino Mendes. Em 2022, ampliou a votação e chegou a 1.039.192 votos, superando a própria marca.

ELEIÇÕES 2018

Eleições 2022
Em abril de 2026, entretanto, Wilson renunciou ao governo para disputar o Senado. A aposta eleitoral terminou no quarto lugar. O resultado representa uma queda de 56,65% para 11,89% no percentual de votos válidos entre a eleição que marcou sua reeleição ao governo e a disputa pelo Senado quatro anos depois. Em números absolutos, a redução foi de 1.039.192 para 456.854 votos.

A derrota também deixa Wilson fora do Senado a partir de 2027 e encerra, ao menos neste ciclo eleitoral, a sequência de ex-governadores do Amazonas que conseguiram transformar a passagem pelo Palácio do Governo em uma cadeira na Casa Alta.
A exceção antes de Wilson
O histórico, contudo, precisa de uma ressalva. Antes de Wilson, Leopoldo Neves, que governou o Amazonas entre 1947 e 1950, deixou o cargo para disputar o Senado e não conseguiu se eleger. O caso ocorreu antes do período democrático considerado na comparação atual.
É justamente por isso que a eleição de 2026 ganha peso no retrospecto recente: Wilson é o primeiro governador eleito pelo voto popular, desde a redemocratização, a deixar o governo para disputar o Senado e terminar derrotado.
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