O furto de energia, mais conhecido como 'gato' é uma realidade em vários bairros de Manaus (Foto: Divulgação)
Moradores do conjunto residencial Costa e Silva, no bairro Raiz, Zona Sul de Manaus, reclamam que têm denunciado o furto de energia no bairro, há pelo menos três meses, no site institucional da concessionária Amazonas Energia, sem sucesso. Nenhuma fiscalização chega ao local.
Após verificar ocorrências de quedas de luz, “pipocos” e até sobrecarga de energia de transformadores próximos à casa onde mora, o autônomo Francisco da Silva, 33, reclama que denunciou à concessionária os vizinhos que mantêm “gato” nas ruas 11, 12, 13 e 14 do conjunto, mas sem nenhuma providência tomada pela empresa de energia.
“Tenho vários vizinhos com contas absurdas de R$ 17, salão de beleza pagando R$ 8 mensais, enquanto minha casa, com apenas um ar-condicionado, paga R$ 500 por mês. É justo? Estou pagando a conta deles”, desabafa.

Moradores alegam que as denúncias não têm retorno. (Foto: Divulgação)
Francisco conta, ainda, que funcionários da própria concessionária se oferecem para realizar ligações clandestinas na parte interna do contador das casas. “Dia desses, quase uma casa quase pegou fogo. O ‘gato’ estava dentro do contador, por dentro do cano, ninguém via”, comenta.
No site institucional, a Amazonas Energia solicita dados do local denunciado e garante sigilo aos denunciantes, no entanto, não oferece meios para controlar o status do andamento da solicitação.

As reclamações são de quedas de luz, “pipocos” e até sobrecarga de energia de transformadores. (Foto: Reprodução)
A mesma situação acontece no bairro Parque das Nações, na Zona Centro-Sul de Manaus. Lá, uma moradora que pediu o sigilo da fonte por temer represálias da vizinhança, disse que já denunciou várias vezes a prática de gato na área onde mora, mas sem nenhuma resposta ou fiscalização.
“Informei todos os dados, anexei até fotos, mas até hoje não vieram ver a minha vizinha, que há dois anos mantém um ‘gato’ direto no poste, nem a vila inteira que tem ‘gatos’ com fios grossos até, e ninguém paga luz”, conta uma dona de casa, moradora da rua Rosa de Maio, no Parque das Nações.
A dona de casa conta que na rua onde mora, em uma das casas, a ligação clandestina é visível e no lugar funcionam um salão e uma serralheria. “Nossos transformadores estouram, passamos horas e horas sem energia, e os técnicos dizem que é porque tem muito ‘gato’, sobrecarrega a rede”, diz.
Procurada pela reportagem e questionada acerca da ausência de fiscalização e retorno às denúncias recebidas por meio do site, bem como sobre o envolvimento de funcionários com desvio de energia, a assessoria de comunicação da Amazonas Energia não enviou resposta até a publicação desta matéria.





