Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cidades

Grupos criminosos travam disputa por território com ‘banho de sangue’ em Manaus

Guerra se intensificou após o racha interno na facção Família do Norte (FDN), em que líderes brigam pelo domínio de pontos de vendas de drogas

No Beco JB Silva, na Betânia, o tráfico é comandado pelo Comando Vermelho (Foto: Márcio Silva/Amazonas1)

A disputa entre as facções criminosas Família do Norte (FDN) e Comando Vermelho (CV) por áreas de tráfico em Manaus tem deixado um rastro de sangue em toda as zonas da capital, em especial, a zona Sul.

Segundo o titular do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), delegado Sinval Barroso, essa guerra se intensificou no início do ano após o racha entre os líderes da FDN, José Roberto Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa” e João Pinto Carioca, mais conhecido como João Branco. A facção amazonense já tinha rompido, em 2018, com o CV após os líderes da FDN descobrirem um plano de traição de Gelson Carnaúba, o “Mano G”.

“Essa situação se intensificou quando o CV se viu motivado a assumir com mais força e agir com violência. Quando desequilibra um lado, o outro se vê no direito de atacar e aumentar a violência, depois vem a contra-reposta dessa situação quando elas se reorganizam, que no caso, foi o troco da FDN”, explicou Sinval.

Dos bairros que compõe a zona Sul, Educandos, Betânia, Crespo, São Lázaro, Mauazinho e Colônia Oliveira Machado, os dois últimos são considerados os mais perigosos. Isso porque o Mauazinho, que já foi dominado por João Branco, e a Colônia, são rodeados pelo rio Negro que serve como porta de entrada para o tráfico de drogas.

Atualmente, a disputa em Manaus se restringe a FDN x FDN pura e CV. O Primeiro Comando da Capital (PCC), que nasceu na cidade de São Paulo, tem buscado a rota do rio Solimões que dá acesso ao entorpecentes produzidos no Peru e a Colômbia, atuando apenas no interior do Amazonas.

‘Intervenção, sempre que necessário’

Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, 30, o secretário de Segurança Pública, coronel Louismar Bonates, afirmou que a polícia tem monitorado a situação e afirma que pretende intervir sempre que necessário.

“Nessa madrugada nós tivemos uma intervenção onde 17 faccionados foram a óbito e isso é um recado. A gente espera que eles percebam que essa guerra que eles querem travar envolvendo a população e tentando por vezes reagir contra a polícia, tem esse destino”, disse Bonates.

“Sabe-se que eles chegaram em um veículo de porte específico e estavam trocando tiros com criminosos de outra facção, por isso a população acionou a polícia. Não sabemos quantos estavam no local, apenas que 17 foram atingidos”, acrescentou.

Os baleados foram socorridos e levados ao Hospital e Pronto-Socorro, 28 de Agosto, onde chegaram a receber atendimento médico, mas não resistiram aos ferimentos e morreram.

O primeiro morto usava tornozeleira eletrônica e foi identificado como Michel dos Santos Cardoso, cuja idade não foi informada. Questionado sobre o monitoramento das tornozeleiras, que é de responsabilidade do poder público, Bonates limitou-se a dizer que o serviço é atribuído a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e que não saberia informar se a pasta estava ciente das recentes atividades de Michel.

Foram apreendidas 17 armas na ocorrência, entre pistolas, revólveres, uma submetralhadora UZI e uma espingarda modificada.