Preso pela terceira vez desde dezembro, o ex-secretário de Saúde (Susam) Pedro Elias facilitava todas as demandas de Mouhamad Moustafa e do grupo criminoso que desviou mais de R$ 120 milhões do Fundo Estadual de Saúde (FES), de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). Em denúncia apresentada à Justiça Federal, o MPF afirmou que Pedro Elias recebeu R$ 1,6 milhão em propina, com mesada de R$ 100 mil.

Segundo o Ministério Público, a informação sobre a mesada paga a Pedro Elias desde que assumiu a pasta, em julho de 2015, até a deflagração da Operação Maus Caminhos, em setembro de 2016, teve como base mensagem de celular trocada por ele e a chefe do núcleo financeiro da organização criminosa, Priscila Marcolino. Ele ficou no cargo até fevereiro de 2017.
Três meses depois de assumir a Susam, médico cirurgião solicitou de Moustafa duas transferências bancárias, via Simea, para a mãe e o avô de um de seus filhos, em valores de R$ 45 mil e R$ 55 mil, respectivamente. A Simea é uma das empresas de Moustafa, a exemplo da Total Saúde, Salvare e Instituto Novos Caminhos.
Após ouvir a mãe, o MPF descobriu que o dinheiro era destinado à compra de um imóvel para o filho de Pedro Elias.
Além disso, outro filho do ex-secretário recebia “vantagens de variadas espécies” de Moustafa, como o aluguel de um apartamento em Brasília, com direito a TV a cabo, a disponibilização de um policial militar como segurança e até mesmo a disponibilização de um carro de luxo enquanto o carro dele estava no reparo – pago também pelo chefe do grupo criminoso.
Os pagamentos tinham um objetivo claro. Para o MPF, o ex-secretário de Saúde era “pessoa de fundamental importância para o esquema criminoso não ser prejudicado”.
Viagens de alto custo

Para o MPF, era liderado pelo médico Mouhamad Moustafa e pela empresária Priscila Marcolino Coutinho (Foto: Divulgação)
Mouhamad Moustafa bancou três viagens de alto custo para Pedro Elias, segundo a denúncia do MPF à Justiça. A primeira foi entre 28 de outubro e 2 de novembro de 2015, com hospedagem no hotel Belmond Copacabana Palace, no valor de R$ 42,5 mil, além de seguranças, no valor de R$ 6 mil.
A segunda foi para o Réveillon de 2016, do Rio de Janeiro, mas que foi cancelada e que custaria R$ 31,9 mil, incluindo passagens para Pedro Elias, a mulher e a filha.
A terceira foi uma viagem a São Paulo, em maio de 2016, com despesas de R$ 12 mil pagas por Moustafa.
Relação antes de assumir a Susam
Segundo documento enviado à Justiça, Pedro Elias já recebia favores escusos de Mouhamad antes mesmo de assumir a Susam, quando era diretor do Hospital Francisca Mendes, em troca de contratos de serviços prestados naquele hospital.
À polícia, o ex-secretário confessou que recebeu vantagens diversas em dinheiro, em favor de seus filhos, mas que “tudo seria ressarcido no momento oportuno”.
O MPF considera que ele integrou ativamente a organização criminosa, compondo o núcleo político, “possuindo papel de fundamental importância enquanto era Secretário de Saúde”,já que encaminhou processos do Instituto Novos Caminhos com prioridade, em comparação com outros fornecedores do Estado, deu tratamento diferenciado a Moustafa perante a Susam e se omitiu nas fiscalizações sobre as contas prestadas pelo INC.
Entenda a cronologia das prisões
Pedro Elias foi um dos alvos da segunda fase da Operação Maus Caminhos (chamada de Custo Político), deflagrada no dia 13 de dezembro. Ele foi preso em São Paulo, na ação policial que prendeu outros secretários de Estado, como Afonso Lobo, Wilson Alecrim, Evandro Melo e Raul Zaidan.
Duas semanas depois, no dia 27 de dezembro, Pedro Elias deixou o Centro de Detenção Provisória Masculino (CDP 2) para cumprir prisão domiciliar. O ex-secretário foi solto, junto com Alecrim e Afonso Lobo, além do ex-governador José Melo, que havia sido preso na 3ª fase da Maus Caminhos (chamada de Estado de Emergência).
O deferimento da prisão domiciliar foi feito pelo juiz federal Ricardo Sales, da 3ª Vara do Amazonas. A assessoria dele disse à Rede Amazônica que Elias mudou de residência, mas havia comunicado o novo endereço para a Justiça.
Na véspera de Ano Novo, a Justiça Federal acatou pedido do MPF para que Pedro Elias e outros envolvidos na Maus Caminhos voltassem à prisão. O ex-secretário não foi encontrado pela PF, mas se apresentou à Sede da Superintendência da Polícia Federal no dia 1º de janeiro – foi a segunda prisão do ex-chefe da Susam.
Na ocasião, voltaram à prisão também José Melo e o irmão, Evandro Melo, Wilson Alecrim e Afonso Lobo.
Pedro Elias deixou a prisão na semana passada, no dia 2 deste mês, após a Justiça conceder prisão domiciliar a ele, em extensão do benefício dado ao ex-chefe da Sefaz, Afonso Lobo, no dia 24 de janeiro. Vale lembrar que Lobo voltou para a prisão no dia 1º, depois que que a Justiça considerou a prisão domiciliar sem amparo legal.
Nesta sexta-feira, 9, Pedro Elias foi levado pela terceira vez ao CDP2. Em entrevista ao jornal Em Tempo, a defesa do ex-secretário afirmou que o “processo está virando uma brincadeira” por causa de tantas idas e vindas.





