A artista manauara Rejane Melo desenvolve, há cinco anos, um trabalho com artistas mirins no ‘Atelirê’ – espaço voltado para o público infantil, crianças com autismo e idosos. Rejane já levou obras para exposições nacionais e internacionais.
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A iniciativa de abrir o espaço veio após a professora ter de deixar a sala de aula do ensino fundamental por enfrentar um descolamento na retina. O problema visual veio no final de 2015, porém, a artista não desistiu do ofício de educar.
“Tive que sair de sala de aula, mas não consegui ficar parada e como sempre gostei de desenhar, fazer arte, resolvi criar um ateliê só para crianças e jovens. Iniciei na sala da minha casa somente aos sábados, daí começou a crescer e tive que colocar mais horários e mudar o endereço”, explica Rejane.
Nesse processo, a artista se reinventou e mesmo tendo perdido 90% da visão, começou a expor os trabalhos a convite de uma curadora de Brasília e levou obras a exposições internacionais. Passando pela Bulgária, República Dominicana e Noruega, a artista chegou a expor trabalhos pelo Carroussel do Louvre, em Paris. De 2017 a 2019, expôs, ainda, obras em lugares como Dubai, Londres, Roma, Nova York, Miami, Holanda e Argentina.
“Sempre que posso, levo obras de meus alunos para as exposições. Eles já participaram de nacionais em São Paulo e Rio de janeiro e internacionais, Paris e Chile. Hoje, estão sendo expostas obras minhas e de uma aluna, a Maria Luísa Albuquerque, de 13 anos, no Rio”, declarou a artista.
O ateliê de Rejane – que já alcançou mais de 70 alunos atualmente – conta com metade do número desde a pandemia. Nesse período, as aulas tiveram de adotar o sistema EaD e semipresencial, além da professora abrir um canal no YouTube para divulgar conteúdo para os alunos.
“Com esse trabalho, percebi que não tinha quem trabalhasse com crianças autistas e o resultado está sendo maravilhoso! Consegui fazer uma exposição com uma criança que não conseguia ficar com barulhos, era muito agitada e, com aulas on-line, obtive um resultado que me emocionou muito,” disse a professora.

Apesar de o espaço acolher principalmente crianças, a professora faz questão de esclarecer que o Atelierê é voltado para todas as idades e está aberto até para o público da terceira idade.
“Fico muito feliz em poder mostrar o nosso trabalho, hoje temos estrelinhas no ateliê de 2 a 80 anos. Precisei perder parcialmente a visão para poder enxergar o mundo de forma diferente”, finaliza a artista.
Atualmente, o espaço de Rejane fica localizado na escola de equitação Nissim Pazuello, na rua Fortaleza, n° 200, bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul.





