Manaus, 8 de julho de 2026
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Manaus, 8 de julho de 2026

Cidades

Conflitos com a família são causa da maioria dos registros de fuga entre adolescentes em Manaus

Até fevereiro de 2021, Depca registrou 45 casos de fuga de adolescentes de casa. Atitude pode esconder outros problemas mais graves, conforme delegada

criança

Foto: Divulgação

Manaus – Brigas em casa e a proibição de namoros na adolescência são as justificativas mais comuns para os casos de fuga do lar entre crianças e adolescentes registrados na Polícia Civil, em Manaus. No ano passado, foram 493 ocorrências desse tipo, segundo dados da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). A maioria delas envolvendo meninas.

Até fevereiro de 2021, a Depca já registrou 45 casos de fuga do lar. Para além de uma rebeldia juvenil, uma saída de casa nessa idade pode esconder algo mais grave. Aliciamento, envolvimento com o tráfico ou consumo de drogas ou outros tipos de violência. Por isso, pais e responsáveis não podem se descuidar, alerta a delegada Joyce Coelho, titular da especializada.

Mudanças de humor, o uso de álcool ou drogas, brigas, baixas notas na escola e até mesmo o sumiço de objetos pessoais são sinais que devem ser observados com preocupação, diz a delegada.

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“Muitas vezes, falta um canal de comunicação. A família é desestruturada, o adolescente não tem confiança em contar as suas coisas para os pais e ele também é deixado de lado. Livres para navegar pela internet, sem uma vigilância e acompanhamento, acabam ficando em risco”, afirmou.

A atenção com as redes sociais deve ser redobrada. “Os pais precisam manter o monitoramento. Alguns adolescentes não têm maturidade e não têm medo do perigo. E eles correm muito perigo na internet, com convites inapropriados, principalmente para fugir de casa, e pedidos de fotos íntimas. Os responsáveis precisam checar e alertar os filhos sobre os riscos”, explica Joyce Coelho.

Conforme a titular da Depca, os pais em dificuldades podem procurar auxílio profissional, procurando psicólogos ou até mesmo fazendo uma terapia de família.

Psicossocial

De acordo com a titular da Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai), delegada Elizabeth de Paula, os pais precisam estabelecer um diálogo com os filhos e se posicionarem em casos de desobediência.

“O adolescente entra numa fase em que ele começa a bater de frente com os pais. Minha dica é que os responsáveis se posicionem e sejam firmes nas palavras. Infelizmente, em alguns casos, os adolescentes são abandonados pelos tutores, acabam fugindo de casa e entram no mundo das drogas”, observa.

A Deaai dispõe de um atendimento psicossocial para receber crianças e adolescentes que já fugiram do ambiente doméstico. A assistente social da Especializada, Polyana Bezerra, conta que pais procuram ajuda dos especialistas para saber como orientar os filhos.

“Geralmente os responsáveis buscam a delegacia, e nossa equipe faz um acolhimento de apoio e orientação. Conversamos com os responsáveis e os filhos sobre o que aconteceu e, em alguns casos, como de dependência química, a gente encaminha para o (atendimento) psicológico. Estamos aqui para ajudar essas famílias e tentar solucionar o problema”, disse.

*Com informações da assessoria.