Fotos: reprodução/ Roque de Sá/Agência Senado
Manaus – O chefe da Polícia Federal (PF) no Amazonas, Alexandre Saraiva, rebateu críticas do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre operação realizada no final de 2020, que apreendeu o maior número de madeira da história do Brasil.
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Saraiva disse que é a primeira vez que vê um ministro do Meio Ambiente se manifestar de maneira contrária a uma ação que visa proteger a floresta amazônica.
Na última quarta-feira (31), Ricardo Salles esteve no Pará, onde fez uma espécie de verificação da operação. Salles aponta falhas na ação e tem dito que há elementos para achar que as empresas investigadas estão com a razão.
A operação criticada por Salles apreendeu mais de 131 mil m³ de madeira em tora na divisa dos estados do Pará e do Amazonas, o equivalente a 6.243 caminhões lotados de carga. A apreensão histórica faz parte das investigações ocorridas a partir de uma balsa retida no Rio Mamuru, em 15 de novembro de 2020, com aproximadamente 2.700 m³ de madeiras nativas do bioma amazônico.
Leia mais: Marcelo Ramos marca almoço com prefeitos e descarta tratar de eleições: ‘covardia’
“É o mesmo que um ministro do Trabalho se manifestar contrariamente a uma operação contra o trabalho escravo”, afirma. A apuração do caso está sob seu comando.
Saraiva declara que tudo que foi apreendido desde dezembro do ano passado, mais de 200 mil metros cúbicos de madeira, é produto de ação criminosa. Ele afirma também que as empresas, até agora, não apresentaram documentos requisitados pela PF.
É como se um carro fosse parado na estrada, a polícia pedisse o documento, e o condutor não tivesse em mãos ou entregasse um sobre um Fusca, quando estava dirigindo um Chevette, afirma o delegado, que concluiu seu doutorado sobre o tema em fevereiro.
“Se a documentação estiver dentro da lei, liberaremos a madeira na hora. A possibilidade disso acontecer, na minha opinião, é perto de zero”, acrescentou o superintendente.
Há mais de dez anos ocupando cargos de superintendente na PF (Roraima, Maranhão e Amazonas, agora), ele diz que as investigadas na ação não podem nem ser chamadas de empresas. “Trata-se de uma organização criminosa.”
“Na Polícia Federal não vai passar boiada”, disse Alexandre Saraiva, usando termo utilizado por Salles em reunião ministerial do ano passado.
(*) Com informações da Folha de S. Paulo





