Manaus, 7 de julho de 2026
×
Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Chefe da PF no Amazonas rebate críticas de Salles: ‘não vai passar boiada’

Na última quarta, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles fez uma espécie de verificação da operação e apontou falhas na ação da PF

Chefe da PF no Amazonas rebate críticas de Salles: ‘não vai passar boiada’

Fotos: reprodução/ Roque de Sá/Agência Senado

Manaus – O chefe da Polícia Federal (PF) no Amazonas, Alexandre Saraiva, rebateu críticas do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre operação realizada no final de 2020, que apreendeu o maior número de madeira da história do Brasil.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Saraiva disse que é a primeira vez que vê um ministro do Meio Ambiente se manifestar de maneira contrária a uma ação que visa proteger a floresta amazônica.

Na última quarta-feira (31), Ricardo Salles esteve no Pará, onde fez uma espécie de verificação da operação. Salles aponta falhas na ação e tem dito que há elementos para achar que as empresas investigadas estão com a razão.

A operação criticada por Salles apreendeu mais de 131 mil m³ de madeira em tora na divisa dos estados do Pará e do Amazonas, o equivalente a 6.243 caminhões lotados de carga. A apreensão histórica faz parte das investigações ocorridas a partir de uma balsa retida no Rio Mamuru, em 15 de novembro de 2020, com aproximadamente 2.700 m³ de madeiras nativas do bioma amazônico.

Leia mais: Marcelo Ramos marca almoço com prefeitos e descarta tratar de eleições: ‘covardia’

“É o mesmo que um ministro do Trabalho se manifestar contrariamente a uma operação contra o trabalho escravo”, afirma. A apuração do caso está sob seu comando.

Saraiva declara que tudo que foi apreendido desde dezembro do ano passado, mais de 200 mil metros cúbicos de madeira, é produto de ação criminosa. Ele afirma também que as empresas, até agora, não apresentaram documentos requisitados pela PF.

É como se um carro fosse parado na estrada, a polícia pedisse o documento, e o condutor não tivesse em mãos ou entregasse um sobre um Fusca, quando estava dirigindo um Chevette, afirma o delegado, que concluiu seu doutorado sobre o tema em fevereiro.

“Se a documentação estiver dentro da lei, liberaremos a madeira na hora. A possibilidade disso acontecer, na minha opinião, é perto de zero”, acrescentou o superintendente.

Há mais de dez anos ocupando cargos de superintendente na PF (Roraima, Maranhão e Amazonas, agora), ele diz que as investigadas na ação não podem nem ser chamadas de empresas. “Trata-se de uma organização criminosa.”

“Na Polícia Federal não vai passar boiada”, disse Alexandre Saraiva, usando termo utilizado por Salles em reunião ministerial do ano passado.

 

(*) Com informações da Folha de S. Paulo