Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Lideranças indígenas do AM apontam esperança e desafios com novo ministério

A criação da pasta inédita trouxe esperança e grande expectativa em torno das medidas do próximo governo

Jeane Morepe’i, Sonia Guajajara e Vanda Witoto (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)

MANAUS – Na última quinta-feira (29), o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a deputada federal Sonia Guajajara (PSOL-SP) como futura titular do Ministério dos Povos Originários. A criação da pasta inédita trouxe esperança e grande expectativa em torno das medidas do próximo governo.

Atualmente, os povos indígenas têm como principais reivindicações as demarcações de territórios tradicionais e a proteção dos povos isolados e de recente contato. No relatório de transição, apresentado pela equipe do petista, o novo governo afirma que houve um “desmonte sem precedentes na política indigenista brasileira” no atual governo de Jair Bolsonaro (PL).

“A invasão das terras e territórios indígenas se acentuou exponencialmente nesse período, em razão de políticas de incentivo à grilagem e à exploração ilícita e indevida de recursos naturais por garimpeiros, madeireiros, pecuaristas, pescadores, caçadores ilegais e narcotraficantes. Isso produziu um aumento expressivo de conflitos e violências contra os povos indígenas”, apontou o relatório.

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A técnica em enfermagem, Vanda Witoto, que foi candidata a deputada federal pela Rede Sustentabilidade, e cumpriu agenda com Lula em Manaus, afirmou que tem expectativa positiva sobre o novo governo, mas vê com cautela as mudanças em 2023.

Lula e a nova ministra dos Povos Originários (Foto: Divulgação)

“Sabemos do desafio que será, sobretudo esse primeiro ano de governo, diante de como esse atual governo deixa os cofres públicos, teremos um grande desafio. A criação do ministério é algo muito importante diante das lutas dos nossos povos que, hitóricamente, vivenciaram esse processo político muito a partir da nossa ausência”, afirmou.

Ainda segundo Vanda, a escolha da nova ministra não atendeu totalmente o anseio das lideranças indígenas, que torciam pelo nome de Joenia Wapichana para comandar o novo ministério, uma vez que ela não foi reeleita para deputada federal por Roraima em 2022.

Vanda Witoto (Foto: Reprodução / Instagram)

Em contrapartida, Guajajara deixará um mandato para assumir a nova pasta: “É uma escolha que não atende o movimento de base das organizações indígenas. Uma vez que estávamos em luta para fortalecer a bancada do cocar no Congresso Nacional”, disse Vanda.

Ela acrescentou que, apesar disso, vê Sônia como uma liderança importante e está na torcida pela nova ministra. Nessa sexta feira (31), Joenia foi anunciada como presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Jeane Morepe’i, estudante de pedagogia e integrante do povo Sateré Mawé, também relatou ao Portal AM1 a expectativa com o novo ministério, e aprovou a nomeação de Guajajara.

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‘’Eu acho que a Sonia fará um trabalho bom aos povos indígenas por ela ter o conhecimento de muitas de nossa dificuldades, tanto no campo territorial quanto social; além de ser um orgulho para nós mulheres indígenas que têm, por muitas vezes, nossas vozes caladas por sermos mulheres”, afirmou.

‘’O que mais a gente tem visto é o sofrimento do nosso povo e isso é muito triste, porque agride nossa mata, nossa terra, nossa mãe, pois é dela que retiramos nosso maior sustento. Quando acontece situações como essa, é como se estivesse matando vários de nós ao mesmo tempo’’, acrescentou.

A nova ministra

Primeira deputada federal indígena eleita pelo estado de São Paulo, a ativista Sonia Guajajara (PSOL) é a primeira indígena a ocupar um ministério. Nascida no Maranhão, ela é coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

Guajajara é formada em letras e em enfermagem, especialista em educação especial pela Universidade Estadual do Maranhão. Em maio deste ano, entrou na lista das 100 pessoas mais influentes da revista Time.