Jeane Morepe’i, Sonia Guajajara e Vanda Witoto (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)
MANAUS – Na última quinta-feira (29), o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a deputada federal Sonia Guajajara (PSOL-SP) como futura titular do Ministério dos Povos Originários. A criação da pasta inédita trouxe esperança e grande expectativa em torno das medidas do próximo governo.
Atualmente, os povos indígenas têm como principais reivindicações as demarcações de territórios tradicionais e a proteção dos povos isolados e de recente contato. No relatório de transição, apresentado pela equipe do petista, o novo governo afirma que houve um “desmonte sem precedentes na política indigenista brasileira” no atual governo de Jair Bolsonaro (PL).
“A invasão das terras e territórios indígenas se acentuou exponencialmente nesse período, em razão de políticas de incentivo à grilagem e à exploração ilícita e indevida de recursos naturais por garimpeiros, madeireiros, pecuaristas, pescadores, caçadores ilegais e narcotraficantes. Isso produziu um aumento expressivo de conflitos e violências contra os povos indígenas”, apontou o relatório.
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A técnica em enfermagem, Vanda Witoto, que foi candidata a deputada federal pela Rede Sustentabilidade, e cumpriu agenda com Lula em Manaus, afirmou que tem expectativa positiva sobre o novo governo, mas vê com cautela as mudanças em 2023.

“Sabemos do desafio que será, sobretudo esse primeiro ano de governo, diante de como esse atual governo deixa os cofres públicos, teremos um grande desafio. A criação do ministério é algo muito importante diante das lutas dos nossos povos que, hitóricamente, vivenciaram esse processo político muito a partir da nossa ausência”, afirmou.
Ainda segundo Vanda, a escolha da nova ministra não atendeu totalmente o anseio das lideranças indígenas, que torciam pelo nome de Joenia Wapichana para comandar o novo ministério, uma vez que ela não foi reeleita para deputada federal por Roraima em 2022.

Em contrapartida, Guajajara deixará um mandato para assumir a nova pasta: “É uma escolha que não atende o movimento de base das organizações indígenas. Uma vez que estávamos em luta para fortalecer a bancada do cocar no Congresso Nacional”, disse Vanda.
Ela acrescentou que, apesar disso, vê Sônia como uma liderança importante e está na torcida pela nova ministra. Nessa sexta feira (31), Joenia foi anunciada como presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai).
Jeane Morepe’i, estudante de pedagogia e integrante do povo Sateré Mawé, também relatou ao Portal AM1 a expectativa com o novo ministério, e aprovou a nomeação de Guajajara.
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‘’Eu acho que a Sonia fará um trabalho bom aos povos indígenas por ela ter o conhecimento de muitas de nossa dificuldades, tanto no campo territorial quanto social; além de ser um orgulho para nós mulheres indígenas que têm, por muitas vezes, nossas vozes caladas por sermos mulheres”, afirmou.
‘’O que mais a gente tem visto é o sofrimento do nosso povo e isso é muito triste, porque agride nossa mata, nossa terra, nossa mãe, pois é dela que retiramos nosso maior sustento. Quando acontece situações como essa, é como se estivesse matando vários de nós ao mesmo tempo’’, acrescentou.
A nova ministra
Primeira deputada federal indígena eleita pelo estado de São Paulo, a ativista Sonia Guajajara (PSOL) é a primeira indígena a ocupar um ministério. Nascida no Maranhão, ela é coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
Guajajara é formada em letras e em enfermagem, especialista em educação especial pela Universidade Estadual do Maranhão. Em maio deste ano, entrou na lista das 100 pessoas mais influentes da revista Time.





