Manaus, 6 de julho de 2026
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Saúde & Beleza

Combate à tuberculose inclui luta contra preconceitos e estigmatização

Pobreza, desnutrição, más condições sanitárias, comprometimento da imunidade e alta densidade populacional eram fatores para o alastramento da doença

Policlínica Cardoso Fontes, no Centro de Manaus, referência no tratamento da tuberculose e pneumologia (Foto: Lucas Silva/SECOM)

Manaus (AM) – O Dia Mundial de Combate à Tuberculose tem o dia 24 de março como data de conscientização e cuidados contra uma doença marcada por tabus, estigmas e preconceitos. Apesar de conhecida há milhares de anos e de ter o tratamento disponível, ainda é causa de internações e isolamento. No Amazonas a doença tem uma taxa de incidência de 84,1 a cada grupo de 100 mil habitantes, segundo dados do Ministério da Saúde.

Em 2022 foram notificados 2.667 casos de tuberculose, incidência de 118,2 casos a cada 100 mil habitantes em Manaus. Em 2023, a capital amazonense já registrou 332 casos da doença.

Segundo o chefe do Núcleo de Controle da Tuberculose da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa), enfermeiro Daniel Sacramento, a data, 24 de março, é sempre uma oportunidade para que os serviços de saúde possam reforçar junto à população a importância da prevenção e controle da tuberculose.

“É importante lembrar para a população que a doença existe e que há muitas pessoas vivendo com tuberculose no município. No mês de março, as unidades de saúde têm reforçado as ações de prevenção e controle, alertando sobre sintomas e intensificando a oferta de exames”, disse Daniel.

Estigmatização e isolamento

No passado, fatores como pobreza, desnutrição, más condições sanitárias, comprometimento da imunidade e alta densidade populacional também contribuem para o adoecimento, eram apontadas como principais causas do alastramento da tuberculose, mas o mal nunca fez distinção de classes sociais.

Acometida pela tuberculose em 2018 a jornalista Giovanna Marinho precisou de fôlego para encarar a doença. “Não sei como contraí, não me recordo de pessoas próximas com os sintomas. Descobri quando pessoas ao redor começaram a se incomodar com minha tosse. Um dia escarrei sangue e percebo que havia alguma coisa errada. Na emergência descobri uma mancha no meu pulmão e iniciei o tratamento”, disse.

Além do tratamento “pesado”, os estigmas sociais foram sentidos por Giovanna. “As pessoas ainda estigmatizam a tuberculose. Morando com idosos, precisei ficar isolada dentro de casa, me afastei de muita gente e de muitas coisas. Mesmo sabendo que depois de 10 dias você não transmite mais a doença, foi muito complicado até psicologicamente”, explica a jornalista.

A medicação e o isolamento são causas do afastamento do tratamento, contribuindo para o avanço da doença, diz Giovanna. “Foram seis meses de tratamento. Não é nada fácil, os antibióticos são muito fortes, causam enjoos e coceiras na pele. Eu emagreci muito, com 1,63 de altura estava pesando 49 quilos, isso foi bem ‘punk’ visualmente. Esses fatores fazem com que muitos desistam do tratamento. Mas isso é temporário e não tive nenhuma complicação pós-tratamento. Hoje estou plenamente curada”, afirmou.

Giovanna credita ao diagnóstico precoce a melhor forma de prevenção, combate e cura da tuberculose. “Tuberculose tem cura e se diagnosticada cedo os riscos de sequelas são quase nulos”. A jornalista completa lembrando do papel do Sistema Único de Saúde (SUS) na luta contra a doença.

“É essencial ressaltar a importância do SUS. Meu pai teve tuberculose, mas morando em Portugal teve que pagar por todo o tratamento, diferente de mim que tive acesso a todos as medicações, todos os tratamentos e acompanhamentos de forma gratuita. Inclusive com muita atenção. Lembro que em uma situação não consegui ir a uma consulta e os médicos me ligaram para saber se eu estava bem, toda um cuidado que é essencial para o tratamento”, disse Giovanna.

Manaus oferece tratamento

Tratamento em Manaus: Capital tem alta incidência de casos de tuberculose (Foto: ILMD/Fiocruz Amazônia)

Morador do Cambixe, em Careiro da Várzea, a 24 quilômetros de Manaus por via fluvial, o agricultor Cláudio Santos vem a Manaus constantemente para tratamento de saúde. Em uma dessas vindas e após dificuldades respiratórias influenciadas pelas chuvas das últimas semanas, resolveu procurar a Policlínica Cardoso Fontes, no Centro de Manaus, referência no tratamento da tuberculose e pneumologia, com consultas médicas especializadas, serviços como laboratório, triagem, dispensação de medicamentos, exame de prova tuberculínica, assistência social e psicológica.

“Aqui encontrei as melhores formas de tratamento para uma doença que nem sabia que tinha. Estou me tratando a duas semanas, passando o momento mais difícil, mas foi bom ter descoberto a tuberculose ainda no início”, disse Santos.

O apoio da família que mora na capital tem sido crucial nesse momento, conta Santos. “Por termos mais idade e sermos do interior, já tivemos contato com outros casos da doença, com pessoas próximas. Sabemos o quanto é difícil, mas o tratamento hoje é mais tranquilo que antigamente, sem o afastamento social de antes, nos sanatórios, onde as pessoas eram esquecidas. Só preciso manter cuidados básicos, o que vou manter para o resto da vida”, conta o agricultor.

Vulnerabilidade

Durante a campanha no mês de março em Manaus, a Semsa tem reforçado também a avaliação dos grupos considerados mais vulneráveis para o adoecimento pela a tuberculose, o que inclui a população indígena, pessoas vivendo com HIV/Aids, pessoas em situação de rua, imigrantes, trabalhadores de saúde e pessoas com comorbidades.

“Os indígenas, por exemplo, têm três vezes mais risco de desenvolver a tuberculose do que a população em geral. É uma população que costuma aglomerar, tem um convívio muito próximo, o que facilita a transmissão da doença. Por isso, é importante fortalecer o atendimento desse público e de outros grupos mais vulneráveis”, disse Daniel.

(*) Com informações da Semsa e Ministério da Saúde

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