Flávio Dino apenas ironizou o discurso de Marcos do Val, afirmando que o senador pode ser da Swat, mas que ele é dos vingadores (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
Brasília (DF) – Uma série de embates foi promovida entre o ministro da Justiça, Flávio Dino, e senadores de oposição ao Governo Lula, em audiência pública, que ainda segue em andamento na Comissão de Segurança Pública do Senado, na tarde desta terça-feira (9).
Na ocasião, Marcos do Val (Podemos-ES) chegou a pedir o afastamento do ministro após apresentar um vídeo em que ele parece amenizar o episódio de terrorismo do dia 8 de janeiro deste ano, que ocasionou a depredação do patrimônio público nos Três Poderes, em Brasília.
Indagando Flávio Dino, do Val começou seu discurso afirmando que o ministro vem contrariando, em várias entrevistas, a imprensa nacional, ao afirmar que não tem controle sobre a Força Nacional, quando, na verdade, segundo o político, o artigo 4 da Administração Federal, concede o poder de gerência.
Em seguida, o senador de oposição destacou que teve acesso aos relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), também sob gerência do ministro, que, segundo ele, reportavam diariamente para o Ministério da Justiça e à Presidência da República, entre os dias 2 e 7 de janeiro, sobre a tentativa de uma invasão às sedes dos Três Poderes.
“Esse documento, diariamente, chegava para o Ministério da Justiça, que reportava ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (…), agora, uma hora o senhor fala que esteve (no Ministério), outra hora fala que não esteve, que agora é fake news. Depois eu vou mostrar um vídeo novinho onde você diz, é palavra tua, de que você realmente estava lá; levou 20 e poucos minutos para chegar. Mas se contradiz quando disse que tinham poucas pessoas subindo a rampa”, disse o senador, que posteriormente, apresentou o vídeo no qual o ministro afirma que viu as invasões.
Em resposta aos questionamentos, Flávio Dino apenas ironizou o discurso de Marcos do Val, afirmando que o senador pode ser da Swat, mas que ele é dos Vingadores.
“Não precisa o senhor ir para a porta do Ministério da Justiça fazer vídeo de internet. Se o senhor é da Swat, eu sou dos Vingadores. O senhor conhece o Capitão América? Homem-Aranha? Então; é assim que a gente faz o debate democrático”, ironizou o ministro.
Dino X Moro
Após o episódio entre Marcos do Val e o ministro da Justiça de Lula, o ex-juiz da Lava Jato, senador Sérgio Moro (União-PR) defendeu o colega de parlamento e pediu respeito aos parlamentares.
Na ocasião, Moro também questionou o ministro sobre o motivo de a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) ter sido acionada após as divulgações do Google ter contra o PL da Fake News, na tentativa de barrar a big tech.
Voltando a ironizar, Dino disse ao senador: “ [..] foi-se o tempo em que se rasgava a lei”, e que nunca teve uma sentença anulada, fazendo alusão às anulações das sentenças do ex-ministro da Justiça, entre elas, a condenação do presidente Lula.
Yanomami
Questionado pelos senadores Damares Alves (Republicanos-DF); Dr. Hiran (PP-RR); Leila Barros (PDT-DF) e Rogério Marinho (PL-RN), Flávio Dino também comentou o conflito entre garimpeiros e indígenas nas terras do povo Yanomami. Nas últimas duas semanas, foram registradas 17 mortes na área.
“Estamos nesse processo de desintrusão. Mais de 80% [do processo] já foi executado. Infelizmente, isso foi se avolumando ao longo de anos em que não havia o respeito à lei. Tenho conhecimento de dezenas de ofícios enviados ao Ministério da Justiça desde 2020, alertando de que havia uma situação gravíssima e ninguém fez nada. É uma situação dramática que me parece configurar genocídio”, afirmou.
PL das Fake News
Dino também defendeu a votação pela Câmara dos Deputados do PL das Fake News (2630/2020), do senador Alessandro Vieira (PSDB-SE); afirmando o objetivo do governo Lula de regulamentar a comunicação da mídia.
“Uma rádio é regulada? Sim. Uma TV? Sim. A família? Sim. O parlamentar? Sim. Uma farmácia? Também. Uma fazenda? Um banco? Também. Por que só as plataformas tecnológicas não podem ter regulação, se todas as atividades humanas, lucrativas ou não, têm regulação? Quem deu essa imunidade jurídica para cinco empresas que querem controlar o pensamento, a arte, a cultura, a política, a economia, os negócios? Que imunidade é essa? Imunidade do poder financeiro? Que quer, inclusive, ameaçar esse Parlamento? Chantagear esse Congresso? É claro que é necessária uma regulação”, argumentou o ministro, ao defender a instituição da Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet e que tem objetivo de combater a disseminação de notícias falsas.
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