Prefeitura Municipal de Manaus (Foto: Valdo Leão / Semcom)
Manaus (AM) – Nas últimas dez eleições municipais, a capital amazonense foi comandada por nomes conhecidos no meio político e que ganharam ainda mais notoriedade após assumirem cargos no Executivo Municipal, com destaque não somente para os prefeitos, mas também para os vice-prefeitos que, em sua maioria, são nomes que ainda fazem parte do cenário político de Manaus, do Amazonas e do Brasil.
O Portal AM1 fez uma pesquisa para levar ao leitor um pouco de informações sobre cada um desses vice-prefeitos da capital, nesses últimos quarenta anos. Quem são, quando cada um ocupou o cargo na cidade, saber com o quê eles se ocupam atualmente e se ainda continuam na carreira política.
As figuras que ocuparam o cargo nos últimos dez pleitos municipais foram: Aristides Queiroz; Felix Valois Júnior; Eduardo Braga (MDB); Omar Aziz (PSD); Mário Frota; Carlos Souza; Hissa Abrahão (Sem Partido) e Marcos Rotta (Progressista). Omar e Rotta foram vice-prefeitos, por duas vezes, durante dois mandatos seguidos.
Aristides se tornou vice nas eleições de 1984; em seguida, Felix em 1988; logo depois, em 1992, o atual senador Eduardo Braga foi eleito como vice na chapa do ex-prefeito Amazonino Mendes.
Na eleição municipal seguinte, em 1996, foi a vez de Omar ocupar o posto como vice de Alfredo Nascimento (PL), o que se repetiu na disputa de 2000, quando a chapa foi reeleita.
Já no pleito de 2004, quem saiu vitoriosa foi a dupla Serafim Corrêa prefeito e Mário Frota como vice. No ano de 2008, Carlos Souza conseguiu o posto de vice-prefeito na chapa encabeçada por Amazonino Mendes.
Nas disputas de 2012 e 2016, Arthur Neto (Sem Partido) foi quem venceu. Em 2012, seu vice era Hissa Abrahão e, em 2016, Marcos Rotta.
Rotta permaneceu no cargo na eleição seguinte, na qual David Almeida (Avante) venceu pela primeira vez, cujo mandato terminará em 2024.
Por onde andam?
Todos os ex-vice-prefeitos ainda estão inseridos na vida política – mesmo os que não possuem mandato atualmente.
Aristides Queiroz se candidatou ao cargo de deputado estadual nas últimas eleições pelo partido de Braga, o MDB, mas não alcançou o objetivo. Além disso, Queiroz também já foi prefeito do município de Silves nos aos de 2017 a 2020.
Em 2020, ele se candidatou à reeleição, mas foi derrotado por Paulinho Grana do PSDB, que é o atual prefeito da cidade do interior.
Ex-vice-prefeito de Arthur Neto no período de 1989 a 1992, Felix Valois é advogado criminalista e já ocupou o cargo no Conselho de Gestão Estratégica na administração de Arthur nos anos de 2013 a 2016 e atualmente também é colunista.
Na época em que comandaram Manaus, eles tiveram alguns desentendimentos que não são claros, até hoje, mas que, ao que tudo indica, ficaram no passado, já que o advogado exerceu posteriormente cargo na administração de Arthur.
Felix também atuou como advogado de defesa de Alejandro Valeiko, enteado do ex-prefeito. Desde quando ocupou o cargo de vice nunca mais disputou uma eleição. Há relatos de que ele se decepcionou com o mundo político.
Os vices dos dois mandatos seguidos são nomes conhecidos, atuantes e com mandatos atualmente. No período de 1993 a 1996, o senador Eduardo Braga foi vice de Amazonino e, em seguida, nos mandatos de 1997 a 2004, o também senador Omar Aziz foi quem ocupou o posto.
Nas eleições de 2004, quem conseguiu a cadeira foi o ex-deputado Mário Frota, numa chapa encabeçada por Serafim Corrêa (PSB), os dois não possuem mandato atualmente.
Serafim foi deputado estadual até o ano de 2022, quando não conseguiu a reeleição. Mário se candidatou ao cargo de vereador nas eleições de 2020 pelo PSL, mas não se elegeu.
Além de vice-prefeito, Frota já foi deputado federal, estadual e vereador. Ele já enfrentou cinco cirurgias e venceu um câncer no período 2016 a 2019 e foi um fiel escudeiro de Arthur no tempo que permaneceu no PSDB.
O pleito de 2008 foi marcado pela gestão de Amazonino Mendes tendo como vice o ex-deputado federal Carlos Souza, irmão do ex-deputado estadual já falecido, Wallace Souza (falecido em 2010), que se tornou conhecido por meio de um programa televisivo chamado “Canal Livre”, conhecido por ser um programa que acompanhava de perto prisões de pessoas ligadas a organizações criminosas na capital, além de também contar com uma programação de viés assistencialista.
Em 2008, o ex-policial Moacir Jorge Pereira da Costa, conhecido como ‘Moa’, denunciou que diversos crimes na época eram promovidos e mandados por Wallace. As investigações fizeram com que Souza tivesse o mandato cassado e fosse preso no dia 9 de outubro de 2009.
Toda a polêmica envolvendo Wallace atingiu também Carlos Souza e todos os seus familiares, uma vez que ele e o irmão eram os responsáveis pelo programa.
Carlos ocupou o cargo de vice apenas uma vez. Ele foi, ainda, deputado federal e apoiou o sobrinho Willace Souza – que é filho de Wallace – ao cargo de deputado federal em 2018, mas o jovem não alcançou êxito. Já no ano de 2020, Willace também se candidatou a vereador, mas ficou apenas como suplente.
As últimas publicações de Carlos são de quando ele ainda era deputado federal. A última publicação no Instagram foi feita em 2021, e se trata de uma foto sobre um almoço com a equipe do programa ‘Sinal Livre’, programa que substituiu o antigo ‘Canal Livre’ – idealizado por Wallace e Carlos.
Na penúltima eleição municipal, que aconteceu em 2012, quem ganhou como vice foi Hissa Abrahão, quando Arthur exerceu seu penúltimo mandato.
A relação de Hissa e Arthur começou a ficar conturbada no final de 2013. Em uma entrevista a uma rádio local, o ex-prefeito demitiu o seu vice, ao vivo, já que ele também ocupava o cargo de secretário municipal de Infraestrutura da cidade.
Depois disso, Abrahão rompeu com Arthur e, em seguida, ganhou a eleição elegendo-se deputado federal.
Em seguida, o vice de Arthur foi Marcos Rotta, que ocupou o posto até 2018, quando também rompeu com o ex-tucano para assumir a Secretaria de Estado de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Manaus (SRMM), no governo “tampão” de Amazonino Mendes.
As conversas de bastidores da política revelam que Rotta seria o sucessor de Arthur nas eleições seguintes, se ele não tivesse abandonado o barco do ex-prefeito.
O dono da cadeira
Já na última disputa municipal, Rotta veio novamente como vice, mas dessa vez, numa aliança com o atual prefeito David Almeida. Rotta é também secretário chefe da Casa Civil e a relação da dupla até o momento se mostra estável e leal.
O futuro de Rotta nas próximas eleições depende de David Almeida, segundo ele mesmo declarou em uma recente entrevista. Além disso, o atual vice-prefeito disse que não será candidato a prefeito nas eleições de 2024.
História de desavenças
A história mostra que grande parte da relação dos titulares e vices que comandaram a capital amazonense foi marcada, em algum momento, por desentendimentos, rompimentos e, em alguns casos, até acusações.
O Portal AM1 conversou com o cientista político, antropólogo e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ademir Ramos, para entender o motivo desse histórico de desavenças entre prefeitos e vices.
Na visão do antropólogo, esses desentendimentos nascem de um processo de origem. Primeiro em relação à composição das chapas, que em sua maioria, não são ‘puro-sangue’ (formadas por candidatos do mesmo partido) e, em segundo, por questões de interesses subjetivos, particulares, que muitas vezes fogem do controle.
“Essas coligações não são formadas em cima de um conteúdo programático, de uma proposta, um projeto, mas em cima da densidade eleitoral que cada um possui, em cima de um nome, do carisma do candidato, então é tudo feito por conveniência. E quando o processo eleitoral passa, o vice quer ter mais participação, quer compor sua equipe, tem interesses sucessórios e então começam os conflitos. Essa é a questão objetiva do problema”, explicou o professor.
O sociólogo também afirmou que existe a questão subjetiva, que são os interesses e, muitas, vezes desavenças devido a afetividade, disputa de vaidade entre o prefeito e o vice.
“Isso é algo que poderia ser resolvido politicamente, e como? Negociando cargos, funções, conversando, mas, muitas vezes, a pessoa não se satisfaz e aí começa essa tensão, essa fricção, que é algo recorrente nas instâncias do Poder. O erro está na composição, não se tem um projeto comum, mas carreiristas, fisiológicos e, com isso, o interesse coletivo é diminuído”, finalizou.
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