(Foto: Divulgação/WCS)
Manaus (AM) – Com foco no manejo sustentável de quelônios, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) recebeu o workshop dedicado ao manejo sustentável de quelônios – representado pelas tartarugas, cágados e jabutis – na Amazônia. Realizado pela WCS Brasil (Wildlife Conservation Society, sigla em inglês) e Instituto Juruá, o evento aconteceu no Centro de Estudos dos Quelônios da Amazônia (Cequa/Inpa), de segunda a quarta desta semana (15 a 17 de julho).
O objetivo do evento é elaborar subsídios para a regulamentação da coleta, consumo e comercialização de ovos e de quelônios amazônicos no Brasil, através do manejo de base comunitária. Participam do workshop especialistas, gestores, analistas ambientais e pesquisadores que vão discutir estratégias de conservação e uso sustentável das tartarugas da Amazônia, mais especificamente os tracajás, uma das espécies mais consumidas na região.
De acordo com o diretor do Inpa, Henrique Pereira, o workshop é uma oportunidade única para reunir instituições comprometidas com a conservação dos quelônios amazônicos e o uso sustentável dos recursos naturais.
“Os debates focam na cadeia produtiva de quelônios, na caracterização da demanda e nos resultados de análises populacionais. Um dos pontos cruciais é avaliar a viabilidade socioeconômica, ecológica e jurídica do estabelecimento de cotas para a coleta de indivíduos e de ovos para consumo humano, além do desenvolvimento de um protocolo para pesquisa-piloto de avaliação ecológica e elaboração de planos de uso”, pontua o diretor.
Pereira disse, ainda, que a discussão é inspirada em resultados positivos alcançados com outras espécies de animais silvestres, como o pirarucu.
A programação engloba desde a contextualização da situação das tartarugas da Amazônia no Brasil, mostrando o esforço de conservação desse grupo de animais, até os aprendizados e desafios do uso sustentável de quelônios na América Latina, apresentando a experiência brasileira. Outro importante tópico do programa é a apresentação das bases jurídicas e administrativas para formulação da regulamentação para uso direto da biodiversidade, neste caso da fauna.
De acordo com a ecóloga de fauna aquática da WCS Brasil e organizadora do evento Camila Ferrara, a ideia do workshop surgiu de uma necessidade de valorizar as comunidades ribeirinhas, principalmente trazendo renda, pois são essas pessoas que estão na linha de frente fazendo a conservação.
“Queremos valorizar as comunidades ribeirinhas, porque a demanda de consumo de quelônios existe ao longo de toda a história, e as pessoas que realmente investem na conservação, as pessoas que estão no dia a dia, doam a vida pela conservação, elas não têm o retorno desse trabalho tão árduo que elas fazem”, pontuou Ferrara, que fez mestrado e doutorado em Biologia de Água Doce e Pesca Interior no Inpa.
Os participantes também irão debater a formulação de subsídios à regulamentação do uso direto de quelônios da Amazônia no Brasil e traçar os próximos passos para o desenvolvimento desses subsídios, estipulando compromissos e prazos para elaboração de projetos pilotos.
Quelônios da Amazônia
O bioma amazônico é onde se encontra a maior variedade de espécies de quelônios no Brasil, com 21 espécies, muitas delas ameaçadas de extinção devido à caça e consumo ilegal desses animais, proveniente em grande parte do tráfico de animais silvestres. Em algumas comunidades amazônicas, a carne e os ovos de quelônios, como a tartaruga-da-amazônia e o tracajá, são muito valorizados na alimentação.
Por mais de quatro décadas, várias organizações realizam programas de manejo e monitoramento das áreas de reprodução de quelônios, principalmente do gênero Podocnemis, na região amazônica.
De acordo com Camila Ferrara, atualmente, a região norte é a pioneira nas medidas de conservação dessas espécies. O manejo sustentável de quelônios é realizado por meio de estratégias e práticas que visam garantir a conservação e o uso sustentável desses animais, por meio de monitoramento da população, proteção de habitats e educação ambiental.
(*) Com informações da assessoria
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