Professora Maurille Kukama durante entrevista ao Portal AM1, em frente à Escola Estadual Prof. Juracy Batista Gomes (Foto: Lucas Bentes / Montagem Portal AM1)
Manaus – A professora indígena Maurille Kukama denunciou ter sido agredida nesta quinta-feira (24), dentro da Escola Estadual Juracy Batista Gomes, no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus. Segundo o relato da docente, o episódio começou após ela questionar a abordagem de um policial militar a alunos da unidade.
A equipe de reportagem do Portal AM1 esteve em frente à escola e conversou com a professora Maurille Kukama sobre o episódio. Durante a entrevista, ela relatou a abordagem do policial militar, a suposta agressão e as denúncias envolvendo alunos da unidade.
Em outro momento, a equipe do Portal AM1 ouviu familiares e alunos sobre o caso. Os entrevistados relataram situações que classificam como preconceito, racismo e constrangimentos dentro da escola, além de manifestarem apoio à professora Maurille Kukama e às denúncias feitas por ela.
De acordo com Maurille, o policial teria repreendido estudantes por causa do cabelo, relacionado às regras do Projeto Escola Cívico-Militar (Pesac). Após a abordagem, a professora afirmou que orientou os alunos a procurarem ajuda caso tivessem se sentido violentados e citou a possibilidade de acionar o Conselho Tutelar e a Defensoria Pública.
Segundo a professora, o policial teria reagido com ofensas e dado voz de prisão a ela. Murile afirma que contestou a ação e disse que o agente também poderia ser responsabilizado pela forma como teria tratado os estudantes.
Ainda conforme o relato, quando tentou deixar a escola para procurar o Comando-Geral da Polícia Militar, teria sido impedida de sair. A professora afirma que, ao tentar retornar para a sala de aula, o diretor da unidade teria fechado o portão sobre seu braço, causando ferimentos.
Filho também teria recebido voz de prisão
Após o episódio, Maurille contou que chamou o filho para ajudá-la. Segundo ela, o jovem entrou na escola para procurá-la, mas o policial teria afirmado que ele havia invadido a unidade e dado voz de prisão ao rapaz.
A professora disse que tentou impedir a prisão e questionou a entrada do policial na sala da pedagogia para retirar o filho. Conforme seu relato, houve uma discussão no local. Maurille também afirma que o policial teria alegado ter autoridade superior dentro do projeto cívico-militar e que ninguém poderia impedir sua atuação na escola.
Professora denuncia episódios contra alunos
Durante entrevista ao Portal AM1, a professora também fez outras denúncias envolvendo a rotina da escola. Ela afirmou que estudantes seriam submetidos a situações que considera constrangedoras por motivos relacionados à aparência, religião, identidade cultural e orientação sexual. Segundo Maurille Kukama, alunos com cabelos compridos seriam alvo de comentários pejorativos e estudantes indígenas também teriam enfrentado problemas por expressarem elementos de sua cultura.
A professora, que leciona História, afirmou ainda que já teria sido chamada de “doida”, “desequilibrada” e “histérica” por integrantes da comunidade escolar após denunciar situações envolvendo estudantes. Ela também declarou que outros professores teriam feito comentários ofensivos sobre ela após o episódio desta quinta-feira.
Denúncia envolvendo grafismo indígena
A mãe de uma aluna, identificada como Isabel Souza, também relatou uma situação envolvendo a filha e um grafismo indígena.
Segundo Isabel, a estudante estava em sala quando um professor de Geografia questionou o desenho em seu braço. A jovem teria explicado que se tratava de um grafismo relacionado à cultura indígena, mas, conforme o relato da mãe, a estudante teria sido orientada a deixar a sala e procurar a direção da escola. Para Isabel, a situação representa uma forma de desrespeito à cultura indígena.
Protesto em frente à escola
Após o episódio envolvendo a professora, alunos e familiares realizaram uma manifestação em frente à Escola Estadual Juracy Batista Gomes. Durante o ato, Maurille também afirmou que teria sido impedida de entrar na unidade onde trabalha.
Segundo a docente, ela estava em horário de trabalho e tinha direito de acessar a escola. Em vídeos registrados no local, a professora aparece questionando a restrição de entrada. Maurille afirmou que pretende denunciar o caso às autoridades e continuar cobrando providências sobre as situações relatadas por estudantes e familiares.
Seduc e Polícia Militar são procuradas
O Portal AM1 entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc-AM) e com a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) para solicitar esclarecimentos sobre as denúncias relatadas pela professora, familiares e alunos, além das circunstâncias envolvendo a atuação do policial na escola.
Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação da Seduc-AM, da Polícia Militar e da direção da Escola Estadual Juracy Batista Gomes.
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