Manaus, 7 de julho de 2026
×
Manaus, 7 de julho de 2026

Cidades

População já sente os impactos da má qualidade do ar em Manaus

O portal AM1 foi às ruas para saber do povo manauara como a fumaça está afetando o dia a dia dos moradores locais.

(Foto: Maiara Ribeiro/Portal AM1)

Manaus (AM) – A capital amazonense tem amanhecido encoberta por uma densa fumaça há meses, resultado das queimadas que assolam a região. A péssima qualidade do ar tem causado uma série de problemas respiratórios entre os moradores, especialmente os mais vulneráveis. A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) emitiu uma nota com orientações para a população se proteger durante esse período crítico.

Com quase 20 mil focos de calor registrados em 2024, o Amazonas enfrenta o segundo pior cenário de queimadas em 27 anos, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em uma visita à Feira da Banana, no Centro de Manaus, o Portal AM1 conversou com os moradores para entender os impactos da fumaça no cotidiano deles.

Insalubridade

De acordo com a idosa Celina Nascimento, pessoas da terceira idade já não podem mais sair às ruas, já que a péssima qualidade do ar está causando falta de ar naqueles que vivem ao seu redor.

“Essa fumaça está causando muitos problemas de saúde em nós, que já temos uma certa idade. A gente sente a respiração pesada e, para mim, é pior, pois sou cardíaca. Nosso clima está mudando muito e as pessoas estão com medo de sair de casa”, afirmou.

Celina aproveitou a oportunidade para pedir que os órgãos competentes e as autoridades fizessem o seu papel de fiscalização para acabar com esses focos de incêndio que estão ocasionando vários problemas na saúde da população.

Outro relato que envolve problemas respiratórios é o de Helena Figueiredo. Ao Portal AM1, a mulher contou que, por conta das queimadas, a qualidade do ar piora e ela, está vivendo à base de remédios.

“A fumaça está péssima, a respiração está péssima, fecha logo a garganta, parece que a fumaça está mais próxima. Fica um gosto amargo na garganta. Tenho até um truque que sempre faço para melhorar a qualidade da minha respiração, que é colocar um pouco de descongestionante de menta nas vias respiratórias, no pescoço, nas costas e no peito. Assim, consigo respirar melhor, porque a fumaça da manhã é mais forte. O calor e a fumaça trazem muitas doenças para todos nós”, declarou

Agravamento das doenças respiratórias

De acordo com o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), aplicativo desenvolvido pela Universidade Estadual do Amazonas (UEA), na última quinta-feira (19), quando a capital amanheceu mais uma vez sob uma nuvem de fumaça, a qualidade do ar variava entre “muito ruim” e “péssima”, segundo o Índice de Qualidade do Ar (IQA).

Muitas pessoas têm procurado as unidades de saúde por problemas respiratórios causados pela fumaça. A população vai aos hospitais principalmente para tratar crises respiratórias, mas até agora não houve nenhum óbito comprovadamente relacionado à inalação da fumaça das queimadas no estado.

Segundo o INPE, Lábrea foi o segundo município com mais focos de queimada no país, em julho. Até terça (17), foram registrados 180 focos de calor no município, um dos grandes produtores de gado no estado. A cidade só perde para Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul.

Orientações 

Diante do cenário, a FVS-AM divulgou uma série de recomendações para minimizar os impactos da fumaça. Entre eles estão o consumo de muita água, o uso de máscaras para reduzir a exposição a partículas finas e grossas, e a limitação de atividades ao ar livre. A fundação também orienta que a população fique atenta aos alertas meteorológicos e busque atendimento médico caso apresente sintomas como tosse seca, falta de ar e proteção nos olhos.

A expectativa é que as queimadas sejam controladas o mais rápido possível, mas enquanto isso não acontece, os moradores de Manaus precisam redobrar os cuidados para minimizar os danos à saúde causados ​​pela poluição.

LEIA MAIS: