Senadores do AM aprovam nome de Galípolo - Fotos: ( Pedro França/ Waldemir Barreto/Agência Senado)
Brasília (DF) – O Senado aprovou nesta terça-feira (8) o nome de Gabriel Galípolo, atual diretor de Política Monetária, para a presidência do Banco Central. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Galípolo foi aprovado com 66 votos favoráveis e cinco contrários. Os senadores Eduardo Braga (MDB), Omar Aziz (PSD) e Plínio Valério (PSDB) estiveram entre os que aprovaram a indicação.
Para Plínio Valério, relator da PEC que trata da autonomia financeira e fiscal do Banco Central, Galípolo é uma indicação qualificada e, além disso, concorda com o projeto que transforma o BC em uma empresa pública.
“O indicado ao BC, Galípolo, esteve no meu gabinete há duas, três semanas e me disse textualmente que é favorável à autonomia financeira e fiscal do Banco Central. Essa é uma PEC do senador Vanderlan, que eu estou relatando. Com isso, ele abriu o caminho para que eu votasse a favor”, afirmou o senador.
O voto de Valério já havia sido antecipado pelo Portal AM1. O senador faz parte do grupo de oposição ao governo Lula, mas, nesse caso, Galípolo conquistou seu apoio.
Na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o futuro presidente do BC foi sabatinado por quatro horas e aprovado por unanimidade, com 26 votos favoráveis. Ele assumirá o lugar de Roberto Campos Neto, cujo mandato de 4 anos termina em 31 de dezembro deste ano.
Eduardo Braga (MDB) declarou, durante discurso no plenário, que seu voto em Galípolo expressa a esperança de continuidade na reestruturação da política monetária do Brasil. Além disso, Braga destacou três pontos que considera fundamentais: a taxa de juros do cartão de crédito, o microcrédito para MEIs e o cheque especial.
“Precisamos de políticas monetárias que sejam sustentáveis, contínuas e acessíveis a essa parcela tão significativa da população”, pontuou.
Sabatina
Durante a sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o economista respondeu a diversas perguntas, incluindo sobre o combate à inflação, que, apesar dos “numerosos desafios”, é uma questão que envolve o compromisso do Banco Central. Ele também foi questionado sobre a possibilidade de interferência do presidente Lula no comando da instituição.
Sobre a autonomia do BC, Galípolo garantiu aos parlamentares que Lula lhe assegurou “liberdade na tomada de decisões”.
“Ouvi de forma enfática e clara a garantia da liberdade na tomada de decisões, e que o desempenho da função deve ser orientado exclusivamente pelo compromisso com o povo brasileiro. Cada ação e decisão deve visar unicamente o bem-estar de cada brasileiro”, afirmou Galípolo.
Outro tema sensível abordado foi o impacto das apostas on-line e o possível aumento da inadimplência dos brasileiros, assunto levantado pelo senador Omar Aziz. Galípolo esclareceu que a regulamentação “não é papel do BC”.
“O Banco Central não tem qualquer atribuição sobre a regulação das apostas. Nossa função é entender, como o senador André Amaral bem colocou, o impacto disso no consumo, no endividamento das famílias e como explicar a relação entre atividade econômica, despesas e impacto na inflação, que também se relaciona com a reforma tributária”, explicou o economista.
Satisfeito com a resposta de Galípolo sobre as apostas, Omar Aziz cedeu seu tempo de questionamento para expressar sua satisfação em presidir parte da sessão.
“Já votei, conheço o histórico e estou feliz por presidir hoje esta sessão. Presidi também a sessão que escolheu Roberto Campos como presidente do Banco Central – e deu sorte para ele, viu?”, destacou o senador.
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