(Foto: Marcelo Camargo /Agência Brasil)
Manaus (AM) – A capital amazonense ficou aquém das expectativas em relação à representação política da comunidade LGBTQIA+. Em contraste com outras cidades brasileiras que registraram um aumento significativo na eleição de candidatos da diversidade, Manaus não elegeu nem mesmo um representante da comunidade LGBTQIA+ para a Câmara Municipal.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que, enquanto em todo o Brasil 225 candidatos LGBTQIA+ foram eleitos, um aumento de 130% em relação a 2020, os candidatos manauaras Bruna Lá Close (PMB), Michelle Andrews (PCdoB) e Gabriel Mota (REDE) sofreram novas derrotas.
O cenário em Manaus reflete a manutenção de uma política predominantemente heteronormativa. A cidade, que conta com uma população LGBTQIA+ considerável — cerca de 60 mil pessoas adultas se identificam como homossexuais ou bissexuais, segundo o IBGE — não parece acolher de maneira eficaz as pautas e candidatos que defendem os direitos desse grupo.

(Foto: Reprodução/ Redes Sociais/Alexsousaam)
A situação se torna ainda mais emblemática com a candidatura de Álex Sousa, ativista não binária e primeira pessoa com essa identidade de gênero a disputar uma vaga na CMM pelo PSOL.
Álex Sousa, que se destacou na defesa dos direitos de diversas minorias, ilustra a luta por representatividade que persiste, mesmo em meio a um ambiente adverso; entretanto, apesar de todos esses atributos, o candidato recebeu apenas 622 votos.

(Foto: Reprodução/ Redes Sociais/Brunalaclose)
Bruna Lá Close, voz proeminente nas lutas LGBTQIA+ em Manaus, iniciou sua trajetória política em 2020, e também não conseguiu se eleger naquela ocasião. Ela conseguiu apenas 160 votos, ficando bem distante do necessário para ser eleita.
Sua experiência de mais de 20 anos na defesa dos direitos da comunidade LGBTQIA+ a tornou uma figura reconhecida, mas a distância entre os candidatos e uma cadeira na CMM se ampliou ainda mais nas eleições deste ano.

(Fotos: Celso Maia/Portal AM1)
A candidata Michelle Andrews, que na última eleição “bateu na trave”, quase conseguindo uma das 41 cadeiras da CMM e terminando em quinto lugar naquele pleito, estava em uma chapa coletiva denominada “Michelle da Bancada Coletiva”. Dois anos depois, em 2022, o grupo retornou ao cenário com um novo nome: “Michelle da Bancada das Manas”, buscando uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam).
Nessa eleição, na qual as expectativas eram maiores para sua candidatura, Michelle recebeu apenas 782 votos. Em recente entrevista ao Portal AM1, antes das eleições, ela declarou estar mais confiante nas eleições deste ano e mais confortável no partido atual.
Os dados mostram uma queda no número de votos para candidatos LGBTQIA+ em relação ao pleito anterior. Alguns candidatos em 2020 tiveram desempenhos significativos, mas, neste ano, a votação não foi suficiente para garantir uma vitória. Mesmo nas casas legislativas, a população LGBTQIA+ ainda é frequentemente ignorada, levantando questões sobre sua cidadania e direitos.
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