(Foto: Reprodução)
Manaus (AM) – O geólogo Daniel Nava, em entrevista à mídia local nessa terça-feira (8), explicou sobre o fenômeno de terras caídas, comum na região amazônica no período da estiagem.
“A planície amazônica é extremamente dinâmica e ela responde às dinâmicas do próprio rio. Quando ocupamos as margens, temos que estar preocupados em ocupar margens que sejam estáveis. E aquela região já havia sido identificada, essa região do porto de Manacapuru já havia sido identificada pelo serviço geológico do Brasil como uma área de risco. Então, essas áreas precisavam ser evitadas, uma vez que o serviço geológico define como uma área de risco, é sinal de que há possibilidade de ocorrer uma movimentação de massa, uma erosão, um processo erosivo e isso certamente pode causar os danos como os que nós estamos acompanhando”, disse.
Ele também explicou que, no momento, o rio Solimões faz uma espécie de curva na área do porto e com a vazante, o sistema de equilíbrio de força fica vulnerável e todo o barranco sofre mais esforço para se sustentar.
Quando o rio toma sua dimensão natural, a velocidade pode ser o desencadeador do movimento de massa que pode ter atingido a região.
O fenômeno de terra caída, segundo Nava, é um processo onde o rio limpa a base e quando não tem onde se sustentar limpa essa base.
“Se esse barranco todo for um fenômeno exclusivamente natural, aí, nós poderíamos chamar isso de terras caídas, mas se há um histórico de ocupação daquele local com resíduos, por exemplo, de madeireiras que ali existiam, se há ali aterros feitos, às vezes até sem nenhum controle, e se eu tenho uma ocupação em cima dessa estrutura que já está contaminada por ações antrópicas, aquilo ali provavelmente é um escorregamento, um movimento de emassa que vai acontecer efetivamente, porque em algum momento, o rio tirou toda aquela base de sustentação e aquela cunha se estabelece como uma queda”, concluiu.
Casos no Amazonas
Segundo a Defesa Civil, uma criança de 6 anos está desaparecida após um deslizamento de terra no Porto da Terra Preta, em Manacapuru (distante 68 quilômetros de Manaus), desde a última segunda-feira (7).
A seca extrema que atinge o Amazonas pode ter influência nas causas do fenômeno conhecido como “Terras Caídas”.
Na quarta-feira (9), o órgão isolou o Porto de Autazes (a 111 quilômetros de Manaus) devido a fissuras de aproximadamente 350 metros de extensão e 15 cm de espessura no local.
Em setembro de 2023, um deslizamento de terra engoliu a vila de Arumã, em Beruri, no interior do Amazonas.
O deslizamento total do barranco atingiu 45 casas à beira do rio Purus e deixou desaparecidos e mortos; entre eles, uma criança e cerca de 300 pessoas foram afetadas, segundo o balanço do governo estadual.
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