Líder comunitária reclama do descaso com a população ribeirinha do baixo Rio Negro - Foto: (Arquivo pessoal)
Brasília (DF) – Mesmo após críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o fornecimento de energia elétrica continua falho no interior do Amazonas.
Em visita ao Amazonas, em setembro deste ano, o presidente esteve na comunidade Campo Novo, em Tefé, uma das regiões que deveriam ser atendidas pelo programa Luz Para Todos, do governo federal.
Ao questionar sobre o funcionamento do programa, os moradores responderam que a energia “não funciona direito”. Lula solicitou ao Ministério de Minas e Energia que resolvesse o problema, mas, até o momento, nada foi feito.
O Portal AM1 entrou em contato com o ministério para questionar sobre o pedido do presidente. Oito dias depois, a resposta foi que a demanda seria tratada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Mariza, moradora há 26 anos nas proximidades do Igarapé do Jaraquizinho, no interior do Amazonas, relatou ao Portal AM1 que a comunidade já ficou mais de 20 dias sem energia elétrica.
“Nós ficamos duas, três semanas sem energia. Eles consertam uma rede, mas logo outra estraga”, afirmou a ribeirinha.
Quando Mariza Marical vai à capital [Manaus], ela aproveita para fazer as compras do mês. No entanto, devido à instabilidade no fornecimento de energia, já sofreu diversas perdas, incluindo uma caixa de frango e a geladeira. Segundo ela, a energia da comunidade é tão fraca que nem o ventilador pode ser utilizado.
“Nossos alimentos estragam, e temos dificuldade para ir até Manaus. Não é nada fácil. Às vezes, no mesmo dia que voltamos com as compras, a luz acaba.”
Em 2024, o Ministério de Minas e Energia destinou R$ 26 milhões ao programa Luz Para Todos no Amazonas, para o primeiro semestre do ano. Segundo dados da Pasta, na Região Norte, mais de 46 mil ligações de energia foram realizadas.
A terceira fase do programa prevê o benefício para 2 milhões de pessoas até 2026, com foco no Norte, especialmente em áreas remotas da Amazônia Legal.
Energia de péssima qualidade
A líder comunitária Mirian Muniz, da comunidade de Tatulândia, relatou ao Portal AM1 que a realidade na região é precária. Em quatro anos, as 22 famílias locais conseguiram usufruir de energia elétrica por apenas um ano e meio, acumulando perdas de alimentos, eletrodomésticos e até dificuldade para obter água potável. Mesmo assim, as contas de energia continuam chegando.
A comunidade faz parte da região do baixo Rio Negro e foi contemplada na segunda fase do Luz Para Todos, em 2018, mas o serviço não atendeu às necessidades dos moradores.
“A qualidade da energia é péssima. Já passamos mais de 15, 20 dias sem luz. Sofremos constantemente com a falta de energia. (…) Não tem luz, mas todo mês a conta chega, e não é barata. Dizem que é Luz para Todos, mas na verdade é luz para poucos”, afirmou a moradora.
Procurada, a companhia que atende o estado não respondeu aos questionamentos. O espaço continua aberto para um eventual posicionamento.
Vale lembrar que a Amazonas Energia está em processo de transferência para a Âmbar Energia, companhia dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O termo de transferência foi assinado na última quinta-feira (11).
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