Manaus, 7 de julho de 2026
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Cidades

Dietas extremas: como o ‘terrorismo alimentar’ afeta a saúde e o bem-estar

Esse fenômeno está acompanhado por um movimento que pode ser classificado como “terrorismo alimentar”.

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(Foto: Divulgação/Freepik)

Manaus (AM) – Em um contexto de crescente pressão estética e social, intensificada pelas redes sociais e pela idealização do corpo perfeito, o número de pessoas que recorrem a dietas “malucas” e desafios inatingíveis tem aumentado significativamente no Brasil. Esse fenômeno está acompanhado por um movimento que pode ser classificado como “terrorismo alimentar”, termo que vem ganhando atenção nas discussões sobre saúde e bem-estar.

Em entrevista ao Portal AM1, no programa Conexão Saúde, o nutricionista esportivo Reinaldo Vasquez explicou que a origem do termo refere-se à criação de um clima de medo e desconforto em torno da alimentação.

“O que é o terrorismo alimentar? O terrorismo é algo que causa medo, algo que causa espanto, deixando a pessoa mais acanhada. Então, quando a pessoa faz terrorismo alimentar, ela usa o alimento da dieta para deixar o outro com medo, assustado, fazendo com que ele tenha uma ideia errada do que é algo que não existe”, diz Vasquez.

O nutricionista ressaltou que muitos conteúdos compartilhados na internet promovem imagens distorcidas sobre dietas e alimentação saudável, incentivando práticas radicais.

“Então, a pessoa já vai: ‘Vou fazer dieta’, mas, poxa vida, será que eu vou aguentar? Com aquele pensamento do tipo: ‘Ah, vou comer só ovo. Ah, vou comer frango com salada. Ah, vou comer frango e arroz integral’. Ah, mas eu quero comer um doce, eu nunca vou poder comer um doce. Quando, na realidade, você pode comer tudo isso, todos os dias, emagrecendo, ou ganhando massa muscular, ou tendo saúde. Tudo o que tem que ser feito aí é questão de equilíbrio com o alimento e também ter alguém para te acompanhar, um profissional coerente para te acompanhar com isso”, comentou o especialista.

Transtornos alimentares

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, mais de 70 milhões de pessoas no mundo têm algum tipo de distúrbio alimentar. No Brasil, esse número pode atingir aproximadamente 15 milhões, conforme o coordenador do programa de transtornos alimentares do Hospital da Universidade de São Paulo (USP), Táki Cordás. Ele também destacou que 1% da população brasileira sofre de anorexia nervosa.

Na ocasião, Vasquez foi questionado sobre a relação entre o “terrorismo alimentar” e transtornos alimentares como a anorexia. O nutricionista confirmou que há uma correlação significativa.

“Não só pode, como causa bastante, ocasiona bastante. Eu recebo muitos pacientes no consultório que têm esse problema com o alimento em si. Às vezes, nunca fizeram dieta de verdade na vida, fizeram por algo da internet. Chegam no consultório já frustrados, sem nenhuma luz. Então, eles chegam lá querendo uma última alternativa”, explicou.

O nutricionista, em entrevista, explicou ainda que muitas pessoas procuram em seu consultório em busca de uma “luz no fim do túnel” para seguir uma dieta saudável. Elas geralmente se surpreendem ao serem apresentadas a planos alimentares equilibrados, que não envolvem cortes radicais na alimentação.

“A alimentação de verdade, uma dieta de verdade, ela é saciável, ela é gostosa, ela é do dia a dia, se você quiser. Basta você saber fazer o cálculo em relação a isso. Mas muita gente ainda tem medo com relação a isso, porque nem todo mundo sabe dessa informação”, contou Vasquez ao AM1.

 

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